Um banqueiro espanhol, à frente da privatizada Cidade da Cultura

18 de Setembro de 2008

A anunciada privatizaçom da gestom da Cidade da Cultura avança com a constituiçom do Patronato da Fundaçom Mista que leva esse nome. À falta de conhecermos o resto de empresários que completarám 51% do organismo, já sabemos quem vai presidi-lo: o banqueiro madrileno Juan Manuel Urgoiti, presidente do Banco Gallego (sic), vice-presidente de Acciona e conselheiro de Inditex, entre outros cargos que o certificam como representante do grande capital metido a gestor cultural.

O anúncio do presidente da Junta, confirmado pola conselheira da Cultura, sobre a gestom privada do projecto encetado por Fraga em 2001, confirma as piores previsons do movimento popular, que sempre se opujo maioritariamente a um mausoleu onde estám a ser enterrados 500 milhons de euros, e que agora se pom em maos de banqueiros e empresários para que se lucrem à conta do financiamento público.

Neoliberalismo em estado puro

A cultura galega sofre importantes carências, pola falta de umha política pública dedicada a dar-lhe carácter de massas, a apoiar as manifestaçons culturais de base e inseridas na nossa realidade nacional específica. Assim acontece na música, no audiovisual, nas artes e em todos os ámbitos da política cultural. A política dos grandes eventos e de fazer que se fai com fogos de artifício e estrelas estrangeiras nos papeles estelares, tem renunciado, com todos os governos da actual autonomia, ao desenvolvimento endógeno e activo da produçom cultural em todos os campos da vida social dos nossos concelhos e comarcas, à margem da tutelagem clientelar e folclorizante das instituiçons.

A Cidade da Cultura aprofunda na elitizaçom da política cultural, ao ponto que absorverá boa parte do orçamento anual da Conselharia e, o que é mais grave, cederá o grosso das iniciativas culturais da Junta a maos privadas, sendo as grandes empresas e bancos actuantes na Galiza (por volta de 15) as beneficiárias de umha política cultural afastada da realidade do País.

Se antes de 2005 o PSOE e, sobretodo, o BNG punham em questom o projecto fraguiano do monte Gaiás, ambas forças consensualizárom finalmente a sua privatizaçom e, portanto, umha linha abertamente neoliberal na política cultural. Relevantes deputados, deputadas e outras dirigências do Bloque passárom de pedir a suspensom do projecto a nom abrir mais a boca sobre o assunto, enquanto a conselheira Bugalho trocou palavras por factos.

Insuficiente oposiçom no mundo cultural

Apesar da oposiçom expressada pola maioria social em diferentes consultas, o certo é que o mundo cultural galego nom está a dar a resposta necessária à agressom que a Cidade da Cultura vai supor para a existência de umha política cultural à medida das necessidades de um sistema cultural em grave perigo pola pressom do espanhol e pola privatizaçom dos recursos públicos.

O presidente da Fundaçom Mista Cidade da Cultura e do Banco Gallego já declarou publicamente qual será a orientaçom do megaprojecto: as empresas mais poderosas decidirám a programaçom, que tentará atrair turismo de elite e assim alimentar o mercado do grande capital em volta da capital da Galiza.

NÓS-Unidade Popular foi a única formaçom política galega que já rejeitou publicamente a privatizaçom da Cidade da Cultura e a cessom da sua gestom a banqueiros e empresários como Juan Manuel Urgoiti. Pode-se ler o comunicado aqui.

.: Os neoliberais PSOE e BNG privatizam a Cidade da Cultura e situam um banqueiro como porta-voz (+...)

 

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