Fidel Castro: 'A Reuniom de Washington'
15 de Novembro de 2008
Coincidindo com a reuniom cimeira que neste fim de semana decorre na capital norte-americana por iniciativa do governo Bush, reunindo a cúpula política do capitalismo mundial alargada, o líder revolucionário cubano Fidel Castro escreve sobre o seu significado, bem como sobre as expectativas abertas com a chegada ao poder ianque de Barak Obama. Achamos conveniente ler directamente as palavras do veterano luitador cubano, furando a peneira mediática capitalista.
A Reuniom de Washington
Reflexons do companheiro Fidel
Alguns dos governos que nos apoiam, tendo em conta as recentes declaraçons, nom deixam de incluir nas mesmas que o estám a fazer para facilitar a transiçom em Cuba. Transiçom para onde? Para o capitalismo, único sistema no qual acreditam religiosamente. Nom expressam nem sequer umha única palavra para reconhecer o mérito de um povo que, submetido a quase meio século de ruins sançons económicas e agressons, defendeu umha causa revolucionária que unida à sua moral e ao seu patriotismo deu-lhe forças para resistir.
Também esquecem que, depois das vidas oferendadas e tanto sacrifício defendendo a soberania e a justiça, nom se pode oferecer a Cuba o capitalismo na outra beira.
Piscam os olhos para os Estados Unidos sonhando que os ajudará para resolverem os seus próprios problemas económicos, injetando-lhes quantidades fabulosas de moedas de papel a suas cambaleantes economias, que sustentam o intercámbio desigual e abusivo com os países emergentes.
Só assim podem ser garantidos os lucros multimilionários de Wall Street e dos bancos dos Estados Unidos. Os recursos naturais nom renováveis do planeta e a ecologia nem sequer som mencionados. Nom se demanda o cessar da corrida armamentista e a proibiçom do uso possível e provável de armas de extermínio maciço.
Nengum dos que participárom na reuniom, convocada precipitadamente pelo atual Presidente dos Estados Unidos, dixo umha palavra sobre a ausência de mais de 150 Estados com iguais ou piores problemas, que nom terám direito a dizer umha palavra sobre a ordem financeira internacional, como propujo o presidente pro tempore da Assembleia Geral das Naçons Unidas, Miguel D’Escoto, entre eles a maior parte dos países da América Latina, das Caraíbas, de África, da Ásia e da Oceánia.
Amanhá começa a reuniom do G-20 em Washington. Bush está de parabéns. Ele proclama que da reuniom espera umha nova ordem financeira internacional. As instituiçons criadas por Bretton Woods devem ser mais transparentes, responsáveis e efetivas. É o único que admitiria. Para assinalar a prosperidade de Cuba no passado, falou de que umha vez estivo semeada de campos de cana de açúcar. Nom dixo, com certeza, que era cortada à mao e o império nos arrebatou a cota estabelecida durante mais de meio século, quando a palavra socialismo ainda nom fora pronunciada no nosso país, mas sim as de: Pátria ou Morte!
Muitos sonham que com umha simples mudança de comando na chefia do império, aquele seria mais tolerante e menos belicoso. O desprezo por seu actual governante conduz a ilusons da provável mudança do sistema.
Ainda nom se conhece o pensamento mais íntimo do cidadao que tomará o comando sobre o tema. Seria sumamente ingénuo acreditar que as boas intençons de umha pessoa inteligente poderiam mudar o que séculos de interesses e egoísmo criaram. A história humana demonstra outra cousa.
Observemos atenciosamente o que cada um di nesta importante reuniom financeira. Choverám notícias. Estaremos todos um bocado mais bem informados.
Fidel Castro Ruz
14 de Novembro de 2008