Da imundice à esperança, artigo de Xavier Moreda

24 de Fevereiro de 2009

O seguinte artigo, escrito polo presidente da AGARB, Xavier Moreda,foi publicado polo portal anticapitalista Kaos en la Red, e nele o autor analisa em paralelo a situaçom da esquerda na Venezuela e na Europa, nomeadamente no caso galego.

Da imundice à esperança

A imensa massa pobre da populaçom Venezuelana, com Chavez, sai fortalecida da consulta na que participa activamente, através do processo bolivariano, por primeira vez na historia política do país. A democracia, definitivamente participativa e "protagónica", furou o cerco. Com a excepçom da consulta de reforma constitucional de Dezembro de 2007, Hugo Chavez triunfou em todas as 14 consultas e eleiçons. As derrotadas; as elites tradicionais que controlam 80% dos meios privados do país que promoveram o golpe militar contra Chavez, e um lock-out. As mesmas que propugnaram a fuga de capitais contra a República Bolivariana, combinando e coordenando com o governo dos EUA, um pacto de nome Puertorico. Foi o jornalista de Ávila TV Pedro Carvajalino quem informou que Alberto Federico Ravell (Globovisión), Luis Ignacio Planas (COPEI), Omar Barboza (UNT), Julio Borges (Primero Justicia), foram receber ordens. Sabemos que estes líderes da oposiçom fôrom convocados e reunidos em um luxuoso hotel da ilha Boricua para dar passo a um pacto moderno que vem renovar o pacto de Punto Fijo, para enfrentar a proposta de Hugo Chavez e anteriormente com outros como o de Aznar. contra as autoridades legitimamente eleitas e reconfirmadas democraticamente do povo venezuelano.

Se acreditáramos as versons da grande maioria da imprensa mundial e da nacional mesmo, nom entenderíamos as vitórias. Nom acreditaríamos que aos 10 anos de mandato, sob presom de uma fortíssima oposiçom organizada desde o monopólio jornalístico privado, desde as entidades do grande empresariado, as fundaçons de EUA ou com dinheiro estadounidense, dos partidos tradicionais, entre outras entidades que fazem parte do bloco de direita, Hugo Chavez detenha um apoio popular maioritário.

A própria oposiçom reconheceu a escrupulosa limpeça eleitoral e a vitória indiscutível.

Nom se escreve muito da expulssom do filho de fascista Luís Herrero: súbdito espanhol neofascista. Há na direita reaccionária um certo orgulho, nom expressado, polo feito apenas utilizado nos debates posteriores ao referendo. Mas as elites nom perdoam que Hugo Chavez lhes tenha arrebatado , ainda que for democraticamente, o governo e o Estado "privado" e privatizado, "o botim" a principal fonte de riquezas do país: a PDVSA. Menos que se dedique case o 25% dos recursos obtidos por essa empresa para políticas sociais,resgatando direitos fundamentais da massa pobre, antes a imensa maioria da populaçom, vítima principal do enriquecimento das elites tradicionais. Além de se valer de parte desses recursos para políticas internacionais solidárias. Na construçon da "Nossa América".

Quando a Venezuela está a ser um exemplo para o mundo, ainda com a distorçom orquestrada internacionalmente por grupos como Prisa, as chamadas democracias occidentáis, sempre por motivos globais , uns como escusa e outros como consequencia dessas mesmas políticas, precisam de politicas radicais populares contra a imundice secular da direita e agora da inesquerda( antes esquerda tradicional). Impressiona saber como na mais grave crise do capitalismo internacional, a economia da Venezuelana mantém dinamismo a pesar da baixada no prezo do petroleo, assegurando, através dosprogramas sociais das misons, um nível humano, antes inédito na Venezuela.

É preciso lembrar que em 1980 é quando se inicia , com Reagan e Margareth Thatcher, a onda neoliberal no mundo. Ainda que fora Pinochet, depois amigo íntimo de Margareth, quem iniciara, despois do golpe de estado contra o governo de Allende, políticas sem oposiçom, mas muito rendáveis para a oligarquia golpista.

Desde aquela altura as chamadas democracias parlamentares occidentáis som cada vez mais anómalas. mais orgânicas; longe da participaçom popular. Italia é o caso mais flagrante. Mas, na minha opiniom, os governos som como toupeiras; continuam aplicando as formulas Tacherianas e as de Reagan, aqueles precursores da economia entendida como um grande casino.

Está constatado o efeito prático mais directo do neoliberalismo: a parte da renda destinada à remuneraçom do trabalho, cai sistematicamente entre 1980 e 2005 nos países avançados.

A interpretaçom economicista, a politica do "pragmatismo" nos 80 de Felipe Gonzalez (mestre do cinismo) e de outros socialdemócratas, pretensamente seria, por científica que pudera ser, nom serve se o mundo nom dói. Se as carências de todos nom conformam ante a dor alheia um discurcurso solidario; um estado permanente de solidariedade. A pesar de reconhecer a crise que irrompeu no sistema como um tsunami, continuam, polo menos publicamente, acreditando nas teses que trouxeram a desgraça. Sem vontade de emendar.

As últimas noticias som ainda mais desesperançosas. As ruas da Europa estám cheias de oposiçom desarticulada, movimentos sociais que nom transigem (menos mal!) que saim às ruas cada vez que a tragedia advém para os protestos ocasionáis. Depois dilue-se sem conformar o necessário bloco de esquerdas antifascista e anticapitalista. Nom logrando conformar um projecto opositor que derrube o sistema mais corrupto, sem dúvida, na historia Europeia. No parlamento galego igual que no parlamento do estado a mentalidade da estratégia politica é so de alternantes; opositores aos clubes do poder. De aprendizes de governantes que só remexem, só agem para deixar, para legar fórmulas suficientemente flexíveis para a suceçom. Fórmulas que permitam a manipulaçom "sustentável". A oposiçom parlamentar age só dentro das normas ditadas pola classe política. Nom escritas.

O PSOE ; partido insígnia da inesquerda há já mais de trinta anos, é um partido conformado por quadros que foram socialistas e comunistas, em maioria provenientes da esquerda; das cinzas dos partidos comunistas e da propia socialdemocrácia, que joga instalados no poder, a nom ferir de morte ao PP. Só estrategicamente em época eleitoral. A leal oposiçom inventada para controlar a discordância limitada polos interesses corporativistas e o acordo no "fundamental": a carta magna, a linguagem vazia da cortesia parlamentar, o dicionário enciclopédico de eufemismos, a criminizaçom dos nomes da revoluçom, a utilizaçom da Memoria como verniz, a inibiçom em todas as suas variacions neoliberáis como forma mais ruín nom-intervencionista junto ao mais beligerantes dos intervencionismos em Afganistam disfarçado de pazificaçom

Agora o PP está imputado polo JUIZ (que se inibe também...) no tribunal TOP; no mesmo que constituiram os pais e os avós políticos dos neofascistas.

No entanto ambos: PP e PSOE, forom permitindo a criaçom dumha televisom que divulga enfermidades mentais contagiosas ( sem que intervenham na sanidade psiquica da cidadania) , que contamina cumha terapia perversa para um mundo imundo. A imundice; a encenaçom das tragédias edulcoradas e os crimes com julgamentos alegais; paralelos à justiça. Em nome da liberdade de expressom. Todo é simulacro.

No Estado o caminho da chamada independência do poder judiciário, curto e só de intençom, vai ficando juncado de intervençons paralelas oportunas para quem esteja no poder. Todos: caçadores e caçados numha feira das mentiras.

Quando a oposiçom seria mais necessária nos encontramos com que também o estado se inibe, nom assume as responsabilidades para garantir direitos" constitucionais.Nom só as pessoas nom podem pagar a hipoteca;o desvio dos recursos financeiros,disponíveis normalmente para investimento, transformando-os em aplicaçons financeiras, constitui na actualidade umha esterilizaçom do tradicional valor do dinheiro dos aforros e da conversom em autentico desenvolvimento da economia e da sua capacidade. Sabemos que, se só algumhas pessoas possuem fortunas significa a miséria de muitas outras; umha injustiça secular. Porém na nossa mentalidade ficava a ideia de que a riqueza iria criar investimentos para gerar emprego. Com isto rompe-se umha velha lei nom escrita.

A beneficiencia começa a ser necessária face a um estado empenhado em nom intervir.Na medida em que o caos financeiro gerado polos especuladores está atingindo aos produtores efectivos de bens e serviços, é o povo em geral quem passa a sofrer as consequências

Para derrotar a direita e a inesquerda "bastaria" ter umha boa maquinaria eleitoral e umha boa campanha num momento de crise, bastaria ter "só" dinheiro e umha boa agência de publicidade. Quando estamos chegando a estes níveis berluscosconiaçom; de descaro. quando por um erro, perfeitamente calculado, uns excursionistas que pagaram 15 euros por ir a Portugal, sem que nada suceda! som sequestrados para ser convidados a jantar para escuitar ao Quim ou ao King da comédia? Quando só trinta e tantos cargos do PP estam implicados na zona mais "tijolada" da península onde sem dúvida o "crescimento económico" foi maior. Todo o mundo sabe que a corrupçom praticada pola direita é entendida como um direito legitimo de pernada desde antes dos alvores dos Alba .

O carácter da corrupçom é como a própria crise financeira, sistémico. Partidos como o BNG assumem com "naturalidade a velha politica clientelar e caciquil da direita mais reaccionária aprofundando na mais ilegítima mas legalizada corrupçom. A inesquerda suborna legalmente ou por lei permitindo contribuiçons através de fundaçons e em troques de publicidade institucional. Direita e inesquerda ocupam um mesmo "mercado eleitoral". Acompanham às pequenas e as grandes corporaçons na procura de influencias. quando nom som compradas ou alugadas nas suas decisons políticas e especificamente legislativas. Nas suas ambicions transnacionáis recorrem a todo tipo de maranhas para obter sucesso e influença política por contratos comerciais ou contra-informaçom.

A oposiçom é só extraparlamentar. Está na rua luitando ante o incumprimento da inesquerda. Precisamos fortalece-la, necessitamos ocupar parlamento e as instituiçons. Eu proponho aos e às indecisas que votem contra o sistema que perpetua o modelo mundo imundo; a imundice. Que vote crendo na inutilidade do voto útil. Até que os movimentos sociais; os únicos, com opçons políticas como Nós-UP que agem na rua a pesar da represom policial, nom estejam representados nas instituçons, nom haverá democracia, só pactos de mercado inesquerda-direita.

Os partidos da inesquerda e da direita som aparelhos para sustentar à classe política; a única que nom lhe vai afectar a "crise".

Precisamos construir umha esquerda que luite contra as formas comerciais do fascismo. Contra as mais sutís; aquelas que decidem a partir dos seus propios privilégios.Todo o continente Europeu esta contagiado polo Berlusconismo.

As razons dos apoios populares a Chavez da massa maioritariamente pobre do povo venezuelano som as mesmas que explicam o êxito de governantes que privilegiam políticas sociais em detrimento da ditadura do mercado, características que permitiram a corrupçom dos governos que os precederam desde Perez Gimenez. Num país petroleiro é incrível a pobreza ( antes endémica!). Agora é mais incrível. Como as elites do país se converteram em vendepatrias, pitiyanquis , enriquecendo-se a costa da riqueza e distribuindo a renda petroleira como corsários a outros sectores, políticos e sociais, compartilhando com a inesquerda e grandes sectores do movimento sindical que participavam da corrupçom instalada no estado.

Segundo os informes constatados, publicados pola Unesco, já nom há analfabetismo, ficou erradicado. A preescolaridade, antes case inexistente nas classes populares e a escolaridade cresceram do 40% ao 60%. A pobreza extrema foi reduzida de 17,1 a 7,9.

O acesso a água potável subiu de 80 a 92% da populaçom.
Quatro mulheres dirigem a Corte Suprema, a Procuradoria Geral, o Conselho Nacional Eleitoral e a Assembleia Nacional

A participaçom feminina subiu muito no Parlamento. A taxa de mortalidade infantil diminuiu de 27 por mil a praticamente a metade: 14 por mil. Diminuiu significativamente a desigualdade social, a Venezuela subiu bastante no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, aumentou a expectativa de vida, diminuiu o desemprego, aumentou o trabalho formal em relaçom ao precário, foram legalizados milhons de aposentados, o consumo de alimentos subiu 170%. Em suma, como em todos os governos que buscam reverter a herança neoliberal, se dá um imenso processo de afirmaçom dos direitos da grande maioria, reflectido na sua promoçom social e na expansom do mercado interno de consumo popular.

A crise deve ser compreendida e enfrentada com imaginaçom, longe dos parâmetros neo-liberáis. Todas as experiências históricas de governos de América Latina, agora o de Chavez também, guiaram-se e ainda se midem por indicadores económicos capitalistas; produto interno bruto ou da produçom, e polas divisas depositadas no banco central. As politicas novas devem estar baseadas na luita contra os especuladores e importadores de produtos desnecesarios. Favorecendo o desenvolvimento de experiências produtivas derivadas da autogestom especialmente no campo em harmonia com o meio. Ajudando à organizaçom e ao aumento do investimento sustentabel e à soberania alimentar e à produçom dumha arquitectura ecológica.

Mais umha vez, a vitoria compromete a adaptaçom do estado. Demonstra e movimenta um entrelaçamento franco entre forças novas e aparelhos velhos, às vezes (raras) inovados e recuperados para o processo revolucionário. Às necessidades de gestom eficiente e transparente de suas políticas, luita legal contra a violência, o avanço na construçom de estruturas de poder político popular de base (missons) e do partido (que agora é mais máquina eleitoral), o desenvolvimento de políticas económicas que permitam a edificaçom de estruturas económicas menos dependentes do petróleo, de carácter industrial e tecnologicamente avançadas. Mas história avança a partir de falências, com projectos com conteúdo mesmo histórico. A esquerda venezuelana e a esquerda galega e europeia que é preciso construir à margem da inesquerda terá papel relevante na dialéctica da crise mundial se conseguir unir-se para lograr à necessária participaçom nas instituiçons, arriscando para ser parte activa da construcçom da esquerda do século XXI.

 

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