BNG:
aberto à direita e o autonomismo

1 de Fevereiro
Em plena pré-campanha eleitoral para o Parlamento espanhol, o BNG está a sublinhar a sua linha autonomista e centrista, evitando qualquer referência à soberania nacional e à autodeterminaçom, e limitando o seu discurso a reclamar respeito aos interesses próprios e maior peso da Galiza em Espanha.
Assim, num acto eleitoral do Bloque na Corunha, destacou a presença entre os convidados de dous significados representantes da direita mais ou menos autonomista: Xosé Luís Barreiro Rivas (ex-PP e ex-vicepresidente da Junta da Galiza por esse partido até a sua queda em desgraça) e Pablo (sic) Gonçales Marinhas, ex-dirigente do PNG e ex-conselheiro da Junta da Galiza no Governo tripartito presidido por Gonçales Laje (PSOE).
O discurso na Corunha do porta-voz do BNG, Anxo Quintana, vincou a aposta da sua organizaçom polo diálogo "sem limites" e anunciou mudanças importantes no futuro, que segundo ele exigem que a Galiza "tenha voz, voto e peso próprios" na política estatal. Em chave sempre espanhola, Quintana falou do fim das maiorias absolutas e da iminente chegada do "Estado [espanhol] plural e aberto a todos". Daí que, "governe quem governar" em Madrid, o novo Governo terá que contar com a Galiza, oferecendo-se como representante galego que dê mais peso à Galiza no Estado espanhol. Lembremos que o próprio Quintana incluiu o PP entre as forças com quem o BNG poderá chegar a acordos pós-eleitorais.
Dentro da mesma imagem centrista e autonomista, alheia a qualquer "veleidade" autodeterminista, também na semana passada o BNG organizou em Ferrol, através da sua associaçom cultural "Medúlio", umha conferência com o porta-voz do grupo parlamentar de CiU no Congresso espanhol, Xavier Trias, em que este criticou com dureza a política de ERC pola sua tentativa de abrir um diálogo com a ETA.
A visita do representante de CiU, entrevistado em diversos meios de comunicaçom, tivo especial relevo numha altura em que Esquerra Republicana de Catalunha está a ser atacada por parte do conjunto de forças políticas institucionais, com a excepçom das bascas PNB e EA. O gesto do BNG ao convidar CiU para falar sobre a questom reafirma a vontade de se desmarcar de ERC por parte do autonomismo galego, que mantém as suas preferentes relaçons com a direita autonomista catalá após a sua perda do Governo autónomico no Principat.