O BNG manifesta a sua satisfaçom polo discurso do monarca espanhol

26 de Dezembro de 2003

O porta-voz nacional do BNG, Anxo Quintana, fijo pública a satisfaçom da sua organizaçom política ante o que interpretou como "reconhecimento explícito" do monarca espanhol à "pluralidade do Estado", no tradicional discurso de Natal do Rei de Espanha.

O BNG, representante do nacionalismo galego que rejeitou a imposiçom da Constituiçom espanhola que a Galiza padece, aproveitou a comemoraçom polo sistema do 25 aniversário da mesma para aplaudir a "extrema ponderaçom" de Juan Carlos I, que segundo a análise do BNG teria reconhecido no seu discurso de Natal a "pluralidade do Estado".

Se a visom de Quintana e o Bloque fosse certa, o Bourbon teria incorrido numha grave inconstitucionalidade, umha vez que a Constituiçom espanhola actual nega qualquer formulaçom plurinacional do Estado espanhol, segundo o próprio BNG tem denunciado em diversas ocasions. Quer dizer, ou o rei espanhol passou ao bando dos "soberanistas", ou o próprio BNG consagrou a sua assunçom das margens de "reconhecimento" e "pluralidade" previstas na actual Constituiçom espanhola para o facto nacional galego.

Na realidade, o próprio Anxo Quintana esclareceu a questom quando afirmou que o BNG deseja que o próximo governo espanhol, após as eleiçons de Março, "tome nota" do discurso e das suas formas, "recolha a mensagem" e possibilite que a Galiza poda ter "mais peso político na cena do Estado".

Ou seja, numha altura em que naçons como a basca e a catalá dam passos à frente nas suas respectivas afirmaçons nacionais, o BNG situa as suas aspiraçons num difuso "maior peso político na cena do Estado". Nem vaga referência à autodeterminaçom, aos direitos e à soberania do povo galego para além de umha Constituiçom imposta e alheia a qualquer legitimidade por parte de um povo, o galego, cujo o apoio à mesma nem atingiu metade do recenseamento convocado a referendo na altura.

Mas, quais pudérom ser as referências do rei de Espanha que tanto agradárom ao BNG?

Entre outras pérolas, o Bourbon afirmou no seu discurso de Natal que a Constituiçom espanhola conta com um "valor substancial", "fruto do mais amplo consenso nunca atingido entre os espanhóis". Semelhante falsidade bate com o facto de que menos de 50% dos galegos e as galegas votárom favoravelmente a carta magna espanhola.

Juan Carlos I também afirmou que "Espanha constitui umha realidade de liberdade e progresso em comum para quantos a integramos dentro do respeito à nossa rica pluralidade e diversidade". Referirá-se o rei espanhol à liberdade das crianças galegas à imersom obrigatória em espanhol desde que ponhem um pé na escola? onde a pluralidade e diversidade, por acaso na raquítica presença da nossa língua nos meios de comunicaçom de massas, ou nos impedimentos legais para exercer como galeg@s durante as 24 horas do dia?

Será que os dados objectivos sobre a progressiva desapariçom da nossa língua no seio do nosso povo apoia as afirmaçons de um senhor que, lembremo-lo, tem afirmado que o idioma espanhol nunca foi imposto, mas livremente assumido polos mais diversos povos do mundo? Concorda o BNG com semelhantes delírios de grandeza do imperialismo hispano, representados pola cabeça de um Estado que ilegaliza partidos, fecha jornais e indulta membros dos aparelhos repressivos implicados em torturas?

Concorda o BNG com a afirmaçom incluída no discurso de Juan Carlos I, segundo a qual "Espanha constitui umha rica realidade lavrada durante séculos com grande esforço polos nossos antepassados"?. Acha o BNG que o actual contexto constitucional espanhol "é também esse grande lar comum, plural e diverso que os nossos filhos e netos confiam em que saibamos preservar..." ? Porque isso foi o que dixo o chefe de Estado espanhol no discurso que tanto louva Anxo Quintana.

Evidentemente, e se figermos caso das declaraçons do seu porta-voz nacional, o BNG concorda com todo isso e também com o "grau de bem-estar que desfruta a sociedade espanhola", com a "unidade" como princípio "para manter o progresso, a paz e a segurança",...

Nom esqueçamos, aliás, que Quintana louvou a "sensibilidade" do rei espanhol ante problemas como o emprego, a habitaçom ou os serviços públicos, ficando numha posiçom "afastada da política governamental quanto a tais direitos". O multimilionário monarca espanhol semelha ter passado para o lado dos defensores do público, dos direitos sociais,... semelha apoiar as políticas progressistas que o BNG di defender, até o ponto de situar-se como referência para a mudança de Governo que os autonomistas do Bloque esperam que se produza nas próximas eleiçons.

Nom esclareceu Quintana se concorda também o BNG no "pleno respaldo às forças armadas e corpos de segurança polo grande labor que desenvolvem nas importantes missons internacionais que tenhem encomendadas". Devemos supor que Quintana e o BNG também acham "ponderado" o apoio do rei espanhol à participaçom espanhola na ocupaçom de países como o Afeganistám e o Iraque, e a morte de dezenas de milhares de inocentes na estratégia imperialista em que Espanha participa activamente.

A pouca vergonha do BNG dá mais umha mostra em forma de vasalagem à máxima figura institucional do Estado que nega a existência e os direitos nacionais da nossa Pátria. Em lugar de admitir a sua renúncia a representar a dignidade nacional galega, integrando-se no sistema que nos nega, o BNG quer convencer-nos de que Juan Carlos I representa agora as liberdades e direitos que o Estado espanhol nos nega. Na versom de Quintana e companhia, corresponde só ao Governo de PP a responsabilidade pola "falta de peso" da Galiza, e nom à natureza reaccionária e imperialista da Constituiçom espanhola de 1978 e o sistema que a sustenta 25 anos depois.

 

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