Posicionamento de Endavant (OSAN) ante o novo governo autonómico na Catalunha

Muito está a falar-se nos últimos tempos do novo governo tripartito PSOE-ERC-IC no Principat da Catalunha. A seguir, apresentamos a análise feita pública pola organizaçom independentista catalá Endavant (OSAN), logo da assinatura do acordo entre ERC e as duas forças da esquerda reformista espanhola na Catalunha.


A investidura de Maragall inaugura o novo governo autonómico

19 de Dezembro de 2003

Na quarta-feira, dia 17 de Dezembro, o Parlamento da Comunidade Autónoma da Catalunha votava no novo presidente da Generalitat. Pasqual Maragall recebia os 74 votos favoráveis do PSC-PSOE, ICV e ERC, em virtude do pacto autodenominado "catalanista e de esquerdas" que tinham assinado estas três forças.

Um acordo inofensivo:

Um acordo que foi apresentado como "catalanista e de progresso", mas que representa, de umha parte, a continuidade do quadro autonómico e a renúncia a qualquer aspiraçom de libertaçom nacional, umha vez que apenas prevê umha reforma do financiamento e do Estatuto de Autonomia do Principat assumível polo mesmo PSOE a nível estatal, bem como umha possível consulta popular de carácter consultivo e nom vinculante ("dentro da legalidade", por palavras textuais de Maragall) em que de maneira nengumha se reconhece o povo catalám como soberano. Além do mais, o acordo esquece por completo o resto da naçom catalá.

E, de outra parte, também nom supom de maneira nengumha umha mudança social verificável, já que se os programas eleitorais dos partidos assinantes eram já bem semelhantes, a entrada no governo fijo com que os supostos "garantes da esquerda" renunciassem a qualquer reivindicaçom minimamente transformadora ou a exigir o cumprimento dos compromissos insólitos como o que se opom ao chamado "4º cinturó" ou ao túnel de Bracons.

Assim, destacados dirigentes do novo tripartito já tranqüilizárom os empresários anunciando que nem haverá medidas de carácter meramente reformista como aumentar a pressom fiscal para quem mais benefícios obtenhem, ou um entrave aos recortes dos direitos laborais verificados nos últimos anos, a começar polas próprias políticas económicas do próprio PSOE. Trata-se de um acordo que aceita, de lés a lés, a lógica neoliberal de nom questionar as grandes directrizes económicas e reduz a acçom dos governos à gestom do modelo de desregularizaçom e precarizaçom laboral de um jeito mais ou menos selvagem.

Muito barulho e mais nada:

Tanto de CiU como dos seus aliados nos últimos anos, o PP, tem-se posto o grito no céu. Os primeiros clamam pola suposta traiçom de ERC à Catalunha por nom ter outorgado o governo a Mas, e polo pacto com umha força espanhola como o PSOE, facto que para os regionalistas conservadores é apenas aceitável se for feito pola própria CiU com a ultradireita do PP.

O PP, por seu turno, reagiu com declaraçons dos seus personagens mais agressivos: Aznar, Fraga e Zaplana, para alertar contra um pretenso perigo de desmembraçom do Estado, apelando para o artigo 8 da Constituiçom (exército como garante da unidade do Estado) e para o 155 (suspensom da autonomia), atribuindo ao pacto tripartito umhas aspiraçons independentisats que os mesmos Maragall, Carod-Rovira e Saura apressárom a desmentir.

Contodo, é previsível que a agressividade verbal do governo neofranquista continue e aumente no mínimo até as eleiçons estatais de Março, com o intuito de atingir os votos que achegam os preconceitos anticataláns incutidos em grande parte das classes populares espanholas para ocultar os seus problemas reais, facto que dará umha imagem irreal de ruptura nacional e mudança social ao governo autonómico.


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