BNG outorga ao Estado espanhol o direito a "codecidir" sobre assuntos galegos

10 de Fevereiro de 2004

O porta-voz do BNG, Anxo Quintana, afirmou que a Galiza deve manter com o Estado espanhol umha relaçom "baseada nos princípios de codecisom, cooperaçom e corresponsabilidade, desenvolvidos sempre através do consenso e a negociaçom". Tal relaçom estaria para o BNG ao serviço do autogoverno da Galiza, conseguindo assim competências como a autonomia fiscal.

Quintana exprimiu desse jeito a visom estratégica da sua organizaçom política, que enquadra a Galiza definitivamente como parte do ámbito espanhol. Anxo Quintana representou o BNG num debate decorrido na Catalunha, partilhando mesa com representantes da CiU catalá, o PNB basco e o SNP escocês.

Apesar de indicar que pretendem nom cair no "mimetismo" com CiU e PNB, o discurso do Bloque lembra a "responsabilidade" d@s autonomistas de CiU quando insiste em defender que "se construa a governabilidade no Estado tendo em conta os interesses da Galiza". Para isso, Quintana reiterou que está disposto a "dialogar com todo o mundo", com o objectivo declarado de participar no debate sobre a "conformaçom institucional do Estado". Ainda numha versom rebaixada das reivindicaçons do PNB basco, Quintana falou de completar a transferência de competências previstas no Estatuto de Autonomia, para numha fase posterior acometer umha "reforma constitucional". A estratégia apresentada polo BNG nesta pré-campanha pode resumir-se com umha frase do mesmo dirigente que estamos a citar: "Tem que haver umha via galega para a transformaçom positiva e construtiva do Estado espanhol".

Tais propostas acham-se recolhidas no chamado Manifesto 2004: o momento de Galiza, texto de teor eleitoralista com que o BNG se apresenta perante o seu eleitorado. Continuando com mensagens "neutras" e dirigidas a um receptor balofo, dá mais um passinho em direcçom ao nada político ao anunciar possíveis pactos, quer com o PP, quer com o PSOE, também na linha "ecléctica" de CiU e PNB.

A cessom que o BNG fai ao Estado espanhol para "codecidir" em assuntos atinentes ao povo galego é a mais clara renúncia à autodeterminaçom e à soberania nacional feita até esta altura pola organizaçom política do nacionalismo autonomista galego.

 

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De esquerda a direita, dirigentes e alcaides do BNG: Francisco Rodrigues (deputado), Anxo Quintana (porta-voz), Rivera Arnoso (alcaide de Fene), Xaime Velho (vice-presidente da Deputaçom da Corunha) e X. M. Várzea (alcaide de Mugardos)