25-N: Umha em cada três mulheres sofre maus tratos no mundo
22 de Novembro de 2003

Umha em cada três mulheres no mundo sofre maus tratos no ambiente familiar, situaçom que afecta, em maior ou menor escala, todos os países. Som dados feitos públicos ontem polo Fundo das Naçons Unidas para a Mulher (Unifem).

Hoje, 25 de Novembro, é o Dia Internacional contra a violência machista, data instituída durante o 1º Encontro Feminista Latino-americano e das Caraíbas em Bogotá, Colômbia, em 1981. O reconhecimento desse dia deve-se à memória das irmás Mirabal, brutalmente assassinadas na República Dominicana durante o regime do ditador Trujillo, em 1960.

A ONU fijo pública uma estatística que demonstra que 33% da populaçom feminina som maltratadas no seu próprio lar.

A violência de género é responsável por um número significativo de mortes por assassinato entre as mulheres. Estudos feitos na África do Sul, Austrália, Canadá, Estados Unidos e Israel, mostram que das mulheres vítimas de assassinato, de 40% à 70% (dependendo do país), fôrom mortas polos seus maridos ou namorados, depois de sofrerem um ou todos os três tipos de abusos constantemente: abusos físico, psicológico e sexual.

Dependendo do país, conforme o Relatório, de 10% à 69% das mulheres já sofrêrom agressom física por um parceiro íntimo nalgumha ocasiom das suas vidas.

Como exemplo, citamos a tabela abaixo que indica alguns países e percentagens de mulheres fisicamente agredidas por um parceiro íntimo:

País Percentagem ( %)
Paraguai 10%
Uruguai 10%
Galiza 15%
Chile/Santiago 23%
Peru 31%
Turquia 58%

Mais um exemplo: no caso do México, mais de 20 mil casos de violência contra as mulheres som denunciados anualmente só na capital mexicana, e a situaçom é ainda mais grave no resto do país. Entre Junho de 2002 e Julho de 2003, 9.467 mulheres denunciárom "maus-tratos psicoemocionais"; 7.315 maus-tratos físicos e outras 3.356 maus tratos sexuais, segundo cifras oficiais. Apenas cerca de 15% dos casos som negociados na zona metropolitana, que inclui a capital e os municípios contíguos.

Segundo este cálculo, apenas na zona metropolitana, com 20 milhons de habitantes, haveria anualmente mais de 130 mil casos de violência contra as mulheres. Se na cidade mais importante do país apenas 15% dos casos som denunciados, a situaçom é "muito pior" noutras cidades e mais ainda em pequenos povoados e na área rural.

A violência ocorre no ámbito privado e nom há umha cultura de denúncia, por isso estima-se que um terço dos lares (um total de 23 milhons no país) sofre algum tipo de violência.

Dados semelhantes inçam as estatísticas da maior parte dos países do mundo. Também na Galiza a situaçom é gravíssima e, segundo as estatísticas oficiais, mais de 15% das mulheres galegas som vítimas de maus tratos, quer dizer, mais de 170.000 galegas padecem algum tipo de violência, física ou psíquica, a maos de homens, maridos, companheiros, pares ou membros da família. No nosso país, este arrepiante balanço tem provocado oito mortas e milhares de feridas da mais diversa consideraçom neste ano.

Haverá que acrescentar a essas cífras outros tipos de violência como a discriminaçom laboral e salarial contra as trabalhadoras, pola sua condiçom de mulheres.

Frente a esta terrível situaçom, minimizada e às vezes ocultada, a realidade é que na Galiza só existem onze casas de acolhida com capacidade para 177 mulheres, que só podem permanecer nestes centros um máximo de onze meses.

A luita feminista é mais necessária do que nunca.

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"Mulher chorando", óleo de Picasso