EUA
e Israel estudam desmembrar o Iraque e deportar lá os palestinianos:
Neocolonialismo imperial no Oriente Médio
1 de Dezembro de 2003

(Publicado no jornal catalám L'Avanç)
A
guerra do Iraque e a ocupaçom nom pretende apenas tomar posse do petróleo.
Os planos de maior alcance, traçados durante décadas, aspiram
a dividir o Iraque em três zonas etnicamente puras e a soluçom
final para o povo palestiniano. A ideia é unificar a zona central iraquiana
com a Jordánia e deportar lá os palestinianos.
Sempre se lembra as expediçons coloniais como algo do século XIX. As fronteiras traçadas com tira-linhas e as deportaçons massivas semelham histórias quase medievais. Mas as principais agências e instituiçons estado-unidenses e israelitas levam décadas a estudar e a fazer propostas arrepiantes. A vitória sobre o regime iraquiano abriu a veda de caça para os falcons de Washington e Tel Aviv. O objectivo, como sempre, é o controlo da subministraçom e o preço do petróleo, mas sobretodo a hegemonia política, militar e económica sobre a China, a Rússia e a Uniom Europeia.
Iraque: divide e vencerás
Já em
1999, os jornais da regiom do Golfo Pérsico escandalizavam-se da sinceridade
com que William Cohen, secretário da Defesa dos EUA, propunha aos governos
da zona a partiçom do Iraque. Talvez muitos jornalistas nom lhe ligassem
muito, mas se repararmos na falta de governo central imposto polos ocupantes,
pode-se chegar à conclusom de que se está a tentar desintegrar
a unidade do Estado iraquiano. Os próprios líderes da maioria
xiita tenhem acusado os ocupantes de procurar o confronto interétnico
e a guerra civil. Nesta confusom, situaçom-se os estranhos atentados
contra mesquitas sunitas e xiitas.
Mas para esclarecer e despejar o pesado nevoeiro que cobre a realidade política
no Iraque, Leslie H. Gelb, ex editor de The New York Times e presidente emérito
do Conselho de Relaçons Exteriores, volta a pôr de actualidade
os planos de partiçom. Segundo a sua análise, Iraque é
um Estado artificial unido pola força e "a única estratégia
viável é avançar por etapas para a soluçom de
três estados: os curdos a norte, os sunitas no centro e os xiitas a
sul". Gelb, sem papas na língua, afirma que, deste jeito, os curdos
e os xiitas, agradecidos aos EUA por lhes conceder a liberdade, haviam de
fazer correr os rios de petróleo.
Assim, a Resistência iraquiana reduziria-se apenas aos sunitas. Sem poços petrolíferos, a zona central havia de ser evacuada polas tropas estrangeiras que se haviam de dedicar à protecçom dos oleodutos, poços e refinarias do norte curdo e do sul xiita já pacificado. E é que um Iraque unificado é um perigo, como potência regional, para Israel, quer sob controlo sunita panarabista, quer sob os xiitas pró-iranianos. O ex editor acaba o seu alegato desta maneira: "Permitir as três comunidades integradas neste Estado falso emergirem ao menos como regions autónomas será tam difícil como perigoso. Washington terá que ser prático e duro de coraçom para fraguar este desmembramento".
O Iraque, a Jordánia e os palestinianos: um novo reino
Mas para os sunitas
iraquianos nom acabam por aqui as desgraças. Um outro povo martirizado
pode unir-se o seu destino ao seu: os palestinianos. Nom é por acaso
que o muro de separaçom, que se adentra nos territórios ocupados
em 1967, se levantasse coincidindo com a ofensiva no Iraque. Já antes
do início da guerra, a percepçom palestinana era de umha ofensiva
final do exército israelita em Gaza e na Cisjordánia, que incluiria
a destruiçom das instituiçons palestinianas e o assassinato
ou o isolamento político de Arafat.
Todas estas previsons tenhem-se ido cumprindo inexoravelmente. Todas, excepto
a derradeira, o transfer, a deportaçom do povo palestiniano para o
novo Reino Haxemita. Segundo o jornal israelita Yediot Aharonot, os falcons
da administraçom Bush podem ter solicitado ao Instituto Rand um estudo
sobre a estratégia dos EUA no Oriente Médio. O relatório
sentencia que "a Palestina é Israel".
Os planos estratégicos procuram deslocar para a Arábia Saudita e o Egipto, como aliados principais, e a criaçom de um novo Estado, possivelmente sob forma monárquica, o Reino Haxemi Unido. Este novo Estado agruparia a zona central sunita do Iraque com a Jordánia, de maioria étnica palestiniana, com os palestinianos expulsos da antiga Palestina. Assim se pretenderia acabar com as potências regionais e ao mesmo tempo com o povo palestiniano, que seria assimilado e diluído num grande Estado árabe. Os dirigentes jordanos passariam a controlar, sob o comando estado-unidense, um grande país, com umha potência demográfica e económica de primeira ordem.
Todos estes projectos podem semelhar fruto da fantasia desbocada, mas fôrom discutidos seriamente polo herdeiro Hasan da Jordánia com a oposiçom iraquiana em Londres e segundo fontes israelitas está a ser valorizado positivamente pola administraçom Bush, sendo os seus principais valedores o vice-presidente Dick Cheney e o vice-secretário da Defesa Wolfowitz.
O diário británico The Guardian confirmou que de instáncias norte-americanas se estava a promover o príncipe Hasan, irmao do falecido rei Husein e irmao do actual monarca Abdallah. Certamente, isto todo som apenas planos que nom tenhem por que se verificarem. Mas todas as escalas anteriores tenhem sido ultrapassadas, com o qual o limite à estratégia estado-unidense dependerá do que figer a Resistência iraquiana, sem deixar de parte o papel da Rússia, da China e da Uniom Europeia, que nom renderám os seus interesses na zona assim tam facilmente.