Eleiçons espanholas: análise de urgência

15 de Março de 2004

O PP foi finalmente castigado polo eleitorado, passando da maioria absoluta à minoria relativa, e constituindo-se o PSOE em novo partido maioritário no panorama espanhol. O BNG nom só confirma a sua tendência à baixa, como perde um terço dos votos que obtivera nas eleiçons de 2000, e ficando por baixo dos resultados que obtivera em 1996 nas mesmas eleiçons espanholas. O terceiro dado de interesse é a importante percentagem abstencionista na Galiza (23'88%), que apesar da polarizaçom devida aos acontecimentos do dia 11-M, continua a situar-se no topo das comunidades autónomas do Estado quanto a abstençom. A esquerda independentista galega aderiu a essa posiçom abstencionista nesta ocasiom.

À espera de umha análise em profundidade do acontecido ontem, podemos avançar que o Partido Popular foi derrotado polos excessos da sua manipulaçom e autoritarismo, que ficou à vista do mundo após os ataques islamistas contra a capital de Espanha, quando os meios de todo o mundo falavam da autoria árabe e o Governo espanhol teimava em incriminar a resistência basca. Mesmo tendo representado os partidos da oposiçom institucional um papel vergonhoso de seguidismo do PP ao longo da campanha e sobretodo após os ataques do 11-M, a ira popular anti-PP acabou por ter a sua plasmaçom eleitoral no apoio à esquerda reformista e aos nacionalismos periféricos, ficando o BNG fora dessa tendência geral.

Com efeito, nem o PSOE nem o BNG, nem IU, nem nengum dos restantes partidos da oposiçom, com a parcial excepçom de umha ERC que, nas suas coordendadas social-democratas e autonomistas, mantivo certa dignidade; nengum fijo a campanha necessária de enfrentamento aos fascistas do PP. Polo contrário, assumírom o seu discurso delirante e marchárom atrás das legendas constitucionalistas impostas por esse partido após os ataques árabes que o próprio PP tinha provocado e ocultado. Porém, a populaçom optou polo chamado "voto útil" no PSOE para assim acabar com a etapa negra das duas legislaturas de fascistizaçom social do PP. Naturalmente, a do PSOE nom é nengumha alternativa para os espanhóis mas, no caso da Galiza, o PSOE manterá a defesa estrutural do projecto nacional espanhol, mesmo que as formas podam abrandar externamente.

Como o independentismo tem analisado nos últimos tempos, o BNG também nom supunha nengumha esperança para a Galiza, e menos numhas eleiçons feitas à medida dos grandes partidos espanhóis. Mas os mornos autonomistas galegos fôrom duramente castigados polo eleitorado galego em favor do seu irmao gémeo, o PSOE, mais coerente na sua proposta social-democrata e autonomista. O Bloque, empenhado em se converter no PSOE galego, renunciando a qualquer "veleidade" autodeterminista, perdeu um terço dos votos e um terço da percentagem, passando ao terceiro posto por baixo do PSOE e do PP. O PSOE triplica agora a representaçom do BNG, que mesmo em "feudos" como Fene, As Pontes, Ponte Vedra e outros concelhos em que governa, fica em terceiro lugar totalmente afundado frente às duas grandes forças espanholas.

Com o BNG cada vez mais longe das posiçons nacionalistas galegas e da esquerda, hoje é mais necessário do que nunca construir a alternativa soberanista, de esquerdas e antipatriarcal que a Galiza necessita para manter algumha possibilidade de subsistência como povo diferenciado na maré capitalista e imperialista que nos ameaça de morte.


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