Entrevista com Raul Reyes, comandante das FARC-EP colombianas

Fevereiro de 2004

Comandante Raúl Reyes, segundo as últimas declaraçons do presidente Álvaro Uribe Vélez, a propósito da sua visita à Europa, os amigos das FARC estám desgostosos porque estas estám a ser derrotadas; que nos pode dizer destas afirmaçons?

É tam grande o desespero do senhor Uribe polo contundente desaire sofrido na Europa que nom se cansa de repetir em todos as situaçons ao seu alcance a conhecida soberba e arrogáncia própria de um fascista fracassado.

Como vem as FARC a reacçom crítica da comunidade europeia face ao governo de Uribe Vélez?

A reacçom maioritária da comunidade europeia é sensata, firme e coerente com a sua política de defesa dos direitos humanos e do direito internacional humanitário, grotescamente espezinhados polo governo da Colômbia, depois de ter acabado de assinar o compromisso de os cumprir.

Com o périplo do presidente colombiano polos países europeus, viu-se claramente que existe umha preocupaçom crescente e generalizada na comunidade internacional com a situaçom dos direitos humanos na Colômbia. Como analisam as FARC, esta situaçom?

É compreensível a preocupaçom de boa parte dos países europeus pola decadente situaçom dos direitos humanos na Colômbia. É esta a causa principal do levantamento armado do povo na Colômbia contra o Estado e os seus governos, baseia-se no facto de estes direitos universais serem sistematicamente violados pelos sucessivos governos liberal-conservadores.

Crê que isto seja positivo para exigir umha saída negociada para o conflito?

A verdade é que, enquanto na Colômbia o Estado continuar sem políticas sérias destinadas a proteger a vida das populaçons, mediante a criaçom de emprego, construçom de habitaçons dignas para os sem teito, programas de saúde e educaçom eficientes e gratuitas em benefício dos sectores mais pobres, entre outras necessidades urgentes, aumentarám os níveis de confrontaçom política e social, sem que nada nem ninguém o impida.

As FARC consideram possível a troca de prisioneiros com este governo?

As FARC-EP persistirám com todas as suas forças na concretizaçom da troca de prisioneiros em poder de ambas as partes, independentemente da posiçom de desinteresse do governo paramilitar fascista liderado por Uribe.

Qual é a opiniom das FARC a respeito da política de mao dura que o governo de Uribe continua a manter?

A política de mao dura do governo de Uribe é própria da sua concepçom fascista e do seu compromisso com a política paramilitar. É de mao dura com a gente do povo e de coraçom grande com os paramilitares, politiqueiros e corruptos que di combater na sua pretensom de enganar os incautos.

Comandante, na sua opiniom, a que se deve o apoio de que gozam as FARC em muitos países do mundo?

O apoio às FARC-EP, em muitos países do mundo, deve-se à sua longa história de luita revolucionária na defesa dos direitos e das liberdades da gente pobre do nosso povo, até à concretizaçom da paz definitiva e duradoura.

As FARC tenhem umha política internacional, como se afirma no jornal Tiempo?

As FARC-EP tenhem com certeza umha política internacional, fundamentada no respeito pola livre autodeterminaçom de cada povo, polas suas autoridades, tradiçons, costumes e cultura ancestral. Em coerência com esta formulaçom, as FARC abstenhem-se de realizar operaçons militares fora das fronteiras da Colômbia e ao mesmo tempo exigem dos povos e autoridades de outros países igual procedimento. Luitamos por cimentar relaçons políticas, diplomáticas, económicas e culturais em igualdade de condiçons com todos os países.

Acha que há desinformaçom na Europa, relativamente ao conflito colombiano, como afirma o presidente?

Eu creio que a grande maioria dos governantes e povos da Europa conhecem as imensas possibilidades que possui a Colômbia, pola sua posiçom geográfica privilegiada na regiom, polas suas riquezas em flora, fauna, pesca, biodiversidade, país apto para produzir de todos os produtos durante os 12 meses do ano. Além de contar com formidável potencial energético e mao de obra de alta qualidade. Ao conhecer estas riquezas, os europeus recusam-se a justificar os níveis de pobreza e miséria em que vivem cerca de 60% dos colombianos. Por isso, condenam a violência do Estado contra os que reclamam os seus direitos e liberdades cerceadas pola classe governante.

Como analisa o movimento insurgente a negociaçom do governo com os paramilitares?

A negociaçom do governo com os paramilitares, é igual à negociaçom do pai com os seus filhos. No fundo, o que pretende Uribe Vélez é legalizar o terrorismo de Estado na Colômbia e institucionalizar a impunidade polos massacres, desaparecimentos, desalojamentos e exílios forçados, provocados polos bandos de mercenários ao serviço dos seus interesses.

Uribe, foi apelidado de "narco-paramilitar" no Parlamento Europeu. Como analisam as FARC este tipo de reacçons?

Na Colômbia di-se que a “justiça é manca mas chega”. Na Europa chamaram Uribe polo seu próprio nome. Sem dúvida que se sentiu bem estimulado polo reconhecimento internacional da sua condiçom de “narcoparamilitar”, depois de longos anos a traficar nesse mundo do crime.

Como vem as FARC a situaçom do país neste momento?

O nosso país está inegavelmente dividido em dous blocos determinantes. Num estám Álvaro Uribe Vélez, com o seu antro de colaboradores no governo, com sectores dos partidos liberal e conservador, do empresariado, dos grandes ganadeiros, dos altos comandos militares e de polícia com os seus paramilitares e os principais meios de comunicaçom, apoiados polos governos dos Estados Unidos, Espanha e Reino Unido, os aliados da guerra no mundo.

O outro bloco é composto por uns 70% da populaçom colombiana, formada por desempregados, indigentes, subempregados, empregados com baixos salários, camponeses pobres, indígenas, negros, pequenos proprietários e transportadores, juventude e mulheres desamparadas. Além de importantes sectores progressistas dos partidos liberal-conservadores, o Pólo Democrático, a Frente Social e Política, os Partidos Comunistas, o Movimento Bolivariano, Sindical, Agrário e a Guerrilha revolucionária na sua condiçom de parte inseparável do povo.

Há umha saída para a Colômbia? Qual e em quanto tempo?

A saída política para a Colômbia está na organizaçom e na luita do povo polos seus direitos e liberdades, até que haja mudanças profundas nas estruturas do Estado e do seu Regime político, no interesse das maiorias nacionais hoje afundadas na pobreza e na miséria.

As FARC têm umha proposta de um governo alternativo; explica-nos um pouco essa proposta, comandante?

O governo alternativo proposto pelas FARC-EP, é a verdadeira opçom de mudança que tem hoje em dia o nosso povo, no objectivo de superar a crise actual e de derrotar as despóticas medidas políticas, económicas, sociais e repressivas do governo fascista de Álvaro Uribe Vélez.

O novo governo alternativo pola paz com justiça social, será garante da concertaçom entre a família colombiana, no propósito de iniciar a reconstruçom do país, gerando emprego, garantindo saúde, educaçom, habitaçom, terra gratuita para os camponeses pobres, com créditos baratos e escoamento para os seus produtos com a construçom de novas vias de comunicaçom.

O novo governo será integrado por reconhecidos dirigentes políticos, sociais e populares comprometidos com a defesa dos interesses das suas comunidades e do povo em geral. Dessas diversas expressons, sairám as 12 personalidades encarregadas de elaborar umha plataforma de luita e um programa de governo que expresse o interesse maioritário dos colombianos. E essas 12 personalidades, por consenso, elegem ou nomeiam o candidato à presidência da república.

Que aconteceria a Uribe, no caso disto ser possível?

A sabedoria do povo com o novo governo à cabeça decidirá o destino do senhor Uribe e do seu círculo de sequazes, politiqueiros e corruptos, inimigos acérrimos da paz da justiça social.

Como analisam as FARC o facto de que Uribe Vélez esteja procurando maneira de ser reeleito? Seria positivo ou negativo para a busca da paz?

Esta é umha ambiçom própria dos ditadores e fascistas obcecados pola guerra total e polo lucro pessoal. O senhor Uribe caminha na Colômbia polos escalavrados caminhos abandonados no Peru polo tristemente célebre Alberto Fujimori.

Ultimamente, fala-se muito nos meios de comunicaçom da detençom de comandantes e pessoas de responsabilidade dentro das FARC. Que há de verdade em todo isso?

É umha constante da campanha de Uribe e dos seus generais na sua guerra contra a guerrilha colombiana, afirmar que cada um dos mortos ou capturados polas suas tropas, som combatentes guerrilheiros de muita responsabilidade no interior das organizaçons armadas. Fam-no com o objectivo de vender a imagem de eficácia nas suas operaçons militares, com a finalidade de pedir mais dólares aos gringos e demais financiadores da guerra e de passagem, justificar condenaçons injustas contra os revolucionários ao abrigo da segurança democrática do uribismo.

Como vem as FARC o papel dos meios de comunicaçom na Colômbia?

Com poucas excepçons, o papel dos meios de comunicaçom na Colômbia é péssimo. Estes meios desinformam e defendem incondicionalmente as políticas e interesses do governo de turno, em benefício dos seus proprietários. Estám ao serviço da classe no poder. Espezinham sistematicamente os princípios elementares da ética dos jornalistas, desvirtuam a verdade de modo a estarem de bem com o governo, os generais e os grandes empresários.

Finalmente comandante, umhas palavras para os familiares das pessoas retidas polas FARC e outras para o povo colombiano, que é quem agüenta a pior parte nesta guerra.

Aos familiares dos prisioneiros de guerra do Estado e das FARC, saúdo-os e ratifico a inquebrantável vontade política da Organizaçom guerrilheira para conseguir a Troca ou o Acordo Humanitário que ponha fim ao cativeiro dos seus parentes queridos.

Ao povo colombiano, quero garantir-lhe que os nossos homens, armas e bandeiras de luita avançam decididamente para o objectivo de construir a nova Colômbia digna e soberana, sem exploradores nem explorados.


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