Um trabalhador galego morto por um ertzaina de um tiro na cabeça

24 de Dezembro de 2003

Se se tratasse de um guarda civil ou de um concelheiro do PP, e o executor fosse um comando da ETA, teríamos garantida umha campanha mediática de grandes dimensons. Homenagens, concentraçons e todo o tipo de declaraçons da "classe política" na Galiza, desde o PP até o BNG, passando polo PSOE e IU, claro.

Porém, desta vez o galego morto no País Basco foi um simples trabalhador de Gudim, empregado da construçom em Beasain, que conduzia o seu veículo por umha estrada e acabou baleado na cabeça por agentes da polícia autonómica basca na passada sexta-feira. José Atanes Rodrigues, de 42 anos, dispunha-se a viajar à Galiza para passar férias, quando encostou o seu carro para aproximar-se do local em que acabava de acontecer um acidente de tránsito. Umha patrulha da Ertzaintza dirigiu-se de maus modos ao nosso compatriota, que quando pretendia explicar a sua atitude ao polícia foi golpeado por este com a culatra da sua pistola. A seguir, sem mediar motivo, o agente deu um tiro na cabeça a José Atanes, que ficou gravemente ferido, morrendo finalmente como conseqüência da agressom do agente da autoridade.

Posteriormente, os agentes afirmariam que o veículo do trabalhador galego lhes pareceu suspeito e que a vítima se tinha lançado sobre eles, forcejando e tentando agredi-los, e que o disparo foi "fortuito", quer dizer, a mesma declaraçom que costumam fazer os membros dos corpos repressivos em situaçons de abuso de autoridade tam evidente.

Por enquanto, nengum partido do sistema, nengumha central sindical nem nengumha instituiçom da Galiza convocou qualquer acto nem realizou qualquer condena de uns factos gravíssimos em que os excessos policiais provocárom a morte de um trabalhador emigrante galego. Verifica-se mais umha vez que nem todos os mortos som iguais, nem todas as violências igualmente condenáveis.

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