Transnacionais lucram com o trabalho escravo de 400 milhons de crianças no mundo

1 de Fevereiro de 2004

Nom existem cifras exactas porque se trata de umha actividade ilegal realizada em extremo segredo, mas a ONG Oxfam estima que o trabalho infantil atinja 400 milhons de crianças e adolescentes no mundo. As condiçons de trabalho destas crianças e adolescentes, similar à de escravos, torna reduzido o custo dos produtos confeccionados em países empobrecidos, pródigos em mao-de-obra abundante e barata de que tiram proveito as principais transnacionais no actual capitalismo mundializado.

Fora da vista dos ocidentais, industrias de brinquedos espalhadas nos países asiáticos possuem como base o trabalho infantil, cuja produçom é comprada sem a preocupaçom com a procedência ou condiçons de fabricaçom por empresas transnacionais de origem estado-unidenses como Walt Disney, McDonald´s, Mattel, Warner Brothers e Nike.

O caso mais exemplar som das fábricas na China, onde trabalham 70 milhons de crianças e adolescentes, a maioria filhos de camponeses que migram à cidade para ajudar no orçamento familiar doméstico. O país asiático é o maior exportador de brinquedos do mundo, com vendas calculadas em 2001 em mais de 6 bilhons de dólares anuais, a partir de aproximadamente 6 mil fábricas situadas na maior parte na chamada "terra dos brinquedos", a província de Guangdong (sudeste do país).

Deste local procedem por exemplo o boneco "Buzz Lightyear" (do desenho "Toy Story"), um dos mais populares da Walt Disney, e os brinquedos que esta companhia distribui nos McDonald´s de todo o mundo. umha ampla gama de produtos da Mattel, a fabricante da Barbie, também procedem de Guangdong.

Por estes indicativos, a ONG China Labour Watch resolveu investigar as condiçons de trabalho na fábrica Merton (situada na cidade de Sangyuan) e que abastece a McDonald´s, Disney, Mattel e Warner Brothers utilizando mao-de-obra infantil. Na secçom de coloraçom, por exemplo, as jornadas som de 14 horas diárias em média. As equipas de pulverizaçom do "Buzz Lightyear" ganhavam cerca de 13 centavos de dólar por hora (0,1 euro), e durante as entrevistas os empregados queixárom-se de queimaduras nas maos, causadas por solventes químicos, e de enjoos crónicos.

"Nem o código de conduta mais estrito vai alcançar qualquer resultado nos países onde os governos nom colocam em prática os direitos trabalhistas fundamentais", assegura a organizaçom internacional Oxfam em relatório sobre o tema, explicando ainda que as pressons polos preços que as transnacionais exigem dos sub-contratantes e os rigorosos prazos de entrega suponhem o melhor incentivo para a continuidade das práticas esclavagistas.

Esta situaçom de exploraçom infantil, à ordem do dia no chamado Terceiro Mundo, existe também em estados desenvolvidos como os prórpios Estados Unidos, onde mais de um milhom de crianças e menores de 20 anos trabalham na agricultura, segundo um estudo do Instituto Nacional de Segurança Ocupacional e Saúde (Niosh). Como conseqüência dessas práticas, cerca de 103 crianças morrêrom em 2002 e, aproximadamente, 3.200 adolescentes e menores sofreram lesons ou feridas enquanto trabalhavam nas granjas.

O estudo acrescenta que som centenas de crianças e adolescentes entre os 13 e 16 anos, que trabalham a cada ano nos campos e hortas. Muitos, salienta, iniciam suas jornadas nos campos ou a caminho destes no meio da madrugada, onde as jornadas de 12 horas som comuns.

As crianças enfrentam uma grande quantidade de perigos, entre os quais estám a montadora, a possibilidade de se eletrocutar, as armas de fogo e o risco de se afogar.

Informes oficiais revelam que as crianças do campo sofrem 40% dos acidentes mortais. Enquanto, afirma o jornal, na parte económica, as crianças costumam ser enganadas no pagamento de seu trabalho, ainda quando ganham menos de um salário mínimo.

Sendo essa a situaçom nos EUA, é fácil imaginar a terrível realidade da exploraçom e escravidom infantil no resto do mesmo continente, onde só Cuba fica à margem da norma "mercantil" de utiliar a populaçom infantil como contingente de mao de obra barata.

 

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