Multinacionais espanholas viajam aos EUA para acordar percentagem no saque do Iraque

15 de Janeiro de 2004

Representantes das principais multinacionais e empresas espanholas acompanham nestes dias o presidente espanhol, José Maria Aznar, numha viagem aos EUA que tem por objectivo estabelecer a percentagem e condiçons da espoliaçom do Iraque por parte da oligarquia empresarial hispana.

Entre as multinacionais presentes nas conversas encontra-se a galego-espanhola Unión Fenosa, bem como outras empresas e bancos espanhóis como Abengoa, Agbar, BBVA, Ferrovial, Banco Santander, Iberdrola, Iberia, Indra, Patentes Talgo, Portland Valderrivas, Repsol YPF e Telefónica, além da própria CEOE, principal associaçom dos patrons espanhóis, e a Cámara de Comércio Americana em Madrid. Todas elas sustentam economicamente a liderança política do Partido Popular, que conduziu o Estado espanhol à vassalagem face aos EUA na estratégia imperialista contra o povo iraquiano em troca dos benefícios que agora ficam ao léu.

A delegaçom da grande burguesia espanhola, com Aznar à frente, mantivo já encontros com a Cámara de Comércio dos Estados Unidos, em Washington. Segundo fontes oficiais, nos encontros entre empresários espanhóis e ianques estaria a tratar-se da "reconstruçom do Iraque", eufemismo que designa o saque de um país destruído polo imperialismo anglo-norte-americano com a cobertura política e logística de potências medianas como a espanhola. De facto, só os aliados incondicionais da guerra de rapina é que agora estám a ver recompensados os serviços emprestados com suculentos contratos nessa alegada "reconstruçom" e na exploraçom de riquezas do país como o petróleo.

Já os próprios media do sistema falam abertamente do "reparto da torta da reconstruçom" para referirem as intençons das multinacionais espanholas nos seus encontros a porta fechada com representantes do capital ianque.

Os empresários espanhóis tenhem já constituído um denominado "Comité Bilateral hispano-iraquiano de Cámaras de Comércio", e estudam a próxima abertura de umha sede em Bagadad, a partir do qual operarem no conjunto do país, se bem a dura resistência oferecida polas guerrilhas patrióticas iraquianas está a empecer o assalto "comercial" das firmas ocidentais.

As cámaras de comércio ocidentais organizárom já umha Feira em Amman (Jordánia), no passado dia 10 de Janeiro, em que tomárom parte mais de 350 empresas dos diversos estados envolvidos na agressom ao povo iraquiano, junto de entidades iraquianas vassalas dos ocupantes norte-americanos. Lá estivérom, em representaçom das grandes empresas espanholas, as Cámaras de Comércio e o Instituto de Comércio Exterior (ICEX).

Os empresários espanhóis reunírom-se na Jordánia com representantes do governo fantoche provisório iraquiano, para acordar vias de penetraçom no país ocupado. Representantes empresariais de Espanha esperam agora que a situaçom "melhore" daqui ao verao e poderem entom estabelecer relacionamento directo com a Administraçom colonial, sempre com o apoio estado-unidense.

As burguesias implicadas no saque do Iraque reconhecem que a resistência patriótica iraquiana está a impedir que os seus planos de dita "reconstruçom" avancem ao ritmo que esperavam.


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