Polícia para quê? já está aqui a U-PÊ-GÊ!
Crónica de um significativo incidente durante a manifestaçom do dia 29 de Fevereiro em Lugo

 

 

1 de Março de 2004

Na manifestaçom decorrida no dia 29 de Fevereiro em Lugo em defesa das liberdades, e em solidariedade com os três companheiros sindicalistas da CIG condenados a elevadas multas e penas de prisom por terem participado num piquete durante a última greve geral, o "nacionalismo institucional" deu mais umha prova do seu sentido do "dever" e da "responsabilidade". Possivelmente, muitas dos militantes da UPG, todos os homens que participárom nos factos que imos brevemente relatar, dormírom essa noite nom só com a satisfaçom do "dever cumprido" e a "honra" de terem "defendido a pátria com sentido comum", mas com as ánsias de guardas civis e polícias que correm polas veias das suas almas calmas e contentes.

Quando o grosso da manifestaçom marchava pola rua Sam Marco, diante da sede da direita espanholista, reaccionária e missógena, o Partido Popular, e justo no momento em que passava a essa altura o cortejo da esquerda independentista, encabeçado por NÓS-Unidade Popular, e do qual também faziam parte outras organizaçons do MLNG, um grupo de colaboracionistas militantes da UPG (Unión do Povo Galego), organizaçom hegemónica dentro do BNG, formava umha "barreira humana de segurança" para defender o local da direita de uns supostos e temidos ataques, que nom se produzírom, mas que traziam de cabeça, só com pensar neles, a dirigência mais oficialista e acomplexada da UPG e de sectores da CIG.

Nesse momento, e ante a surrealista cena que os quadros, liberados e cargos da UPG estavam a protagonizar, diante do olhar atónito dos e das manifestatantes, um berro unánime saiu do cortejo da esquerda independentista, estendendo-se também a outros sectores presentes na manifestaçom: "Polícia para quê? Já está aqui a UPG!".

Os membros daquela ridícula guarda pretoriana, planificada nalgum gabinete do sindicato ou do partido, só soubérom respostar a este berro com risos, insultos e gestos obscenos e machistas, como o do universitário perene e já liberado, quer dizer, a soldo, que levantando o dedo médio da mao, ao tempo que fechava os restantes, saudava assim a passagem da manifestaçom.

Com toda a probabilidade, hoje a dirigência da UPG estará a repartir medalhas e parabéns a estes defensores da ordem burguesa, espanhola e patriarcal, que tam bem cumprírom ontem com o seu dever, ao tempo que davam um exemplo, claro e sem distorsons, do papel que se pode esperar dum partido, a UPG, que dirige umha organizaçom, o BNG, que presume sempre de fazer de "dique de contençom" de protestos e reivindicaçons populares. O de ontem nom foi incidente isolado nem ocasional, mas sim bem significativo do papel que cumpre na actualidade a vanguarda autonomista da Unión do Povo Galego.


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Em destaque, a "barreira humana de segurança" com que a UPG exerceu labores para-policiais protegendo a sede do PP em Lugo