A opressom machista em cifras

8 de Março de 2004

A Organizaçom Internacional do Trabalho (OIT) fijo públicos alguns dados esclarecedores da situaçom de opressom que sofrem as mulheres no mundo actual, em relaçom com a sua posiçom na produçom de riqueza, do seu reparto e com outros parámetros do desenvolvimento e os direitos sociais.

Para já, um terço da produçom económica mundial corresponde ao trabalho doméstico nom remunerado a cargo das mulheres, o que contrasta com 46% de desempregadas no mundo. A percentagem toma a sua verdadeira dimensom quando confrontada com o correspondente masculino, umha vez que nos homens a percentagem de desemprego fica reduzida a 20%.

Para além do dito, os 54% de mulheres que tenhem um trabalho remunerado desempenham os pior pagos e menos protegidos. Globalmente, as mulheres ganham entre 20 e 30% menos do que os homens polo mesmo trabalho, enquanto apenas 1% dos cargos directivos empresariais som ocupados por mulheres. Além disso, o número de mulheres emigrantes cresce continuamente, constituindo o sector mais vulnerável à exploraçom e abusos que geralmente acompanham o trabalho emigrante.

O citado organismo internacional afirma que as mulheres constituem 70% d@s 1.300 milhons de pobres absolut@s que existem no mundo. Porém, entre 50% e 80% da produçom, elaboraçom e comercializaçom de alimentos fica por conta das próprias mulheres. Toda umha série de paradoxos que retratam a profunda desigualdade intrinsecamente capitalista no que à discriminaçom de género di respeito.

Quanto à violência machista, cada ano som vendidas dous milhons de meninhas, no mínimo, de entre cinco e dez anos no Planeta, para exercerem como escravas sexuais.

Cada duas horas, umha mulher é esfaqueada, apedrejada, estrangulada ou queimada viva para, alegadamente, "ser salva" a honra familiar. Nos conflitos armados, a morte, violaçom, escravatura sexual e gravidez forçada é arma de guerra habitual.

135 milhons de meninhas e mulheres sofrêrom no mundo mutilaçom genital, incrementando a cifra a razom de dous milhons por ano, segundo dados de Amnistia Internacional. Além disso, 20% das mulheres do mundo tenhem sofrido maus tratos físicos ou agressons sexuais na sua vida, segundo reconhecem dados do próprio Banco Mundial.

No ámbito da educaçom, as desigualdades homem-mulher som também esmagadoras. Duas terças partes dos 876 milhons de analfabet@s do mundo som mulheres. Aliás, a alfabetizaçom de mulheres jovens (dentre 15 e 24 anos) é de 60%, face a 80% de homens, segundo a ONU.

Ao cumprirem os 18 anos, as raparigas tenhem em média 4,4% anos menos de educaçom do que os rapazes da mesma idade. Dos 121 milhons de menores nom escolarizados no mundo, 65 milhons som meninhas, segundo a UNICEF.

Também no acesso à formaçom continuada em empresas as mulheres tenhem mais dificuldades, mesmo as que tenhem a mesma educaçom que os homens que afinal ocupam esses postos formativos.

Quanto à sanidade, a taxa de mortandade materna está em aumento no mundo, facto que o Programa das Naçons Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), dependente da ONU, qualifica de "bochornoso revés para o desenvolvimento".

Cada ano, morrem no mundo mais de meio milhom de mulheres como conseqüência da gravidez e o parto, devido à falta de serviços básicos de saúde na maior parte dos países. Também doenças como a SIDA continuam a atacar especialmente as mulheres.

Quanto à representaçom política, um outro organismo do capitalismo mundial, a Uniom Interparlamentar (UIP) reconhece que de 41.845 representantes parlamentares no mundo, apenas 14,6% som mulheres. Unicamente em sete estados do mundo as mulheres ocupam mais de 30% ou mais dos cargos de nível ministerial.

Eis umha pequena mostra objectiva da terrível situaçom de discriminaçom que padece mais de metade da populaçom mundial polo único facto de nom serem homens. Em dias como hoje, em que a propaganda oficial se empenha em convencer-nos de que a igualdade é já um facto, devemos continuar a denunciar tal falsidade e apoiar as luitas que ao longo do Planeta e na nossa naçom desenvolve o movimento feminista.

Fonte: Diário Gara

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