O novo traçado do Muro do Apartheid acelera a devastaçom da Cisjordánia

CSCAweb (www.nodo50.org/csca), 11 de Dezembro de 2003

O traçado do Muro do Apartheid está a acelerar rapidamente a destruiçom diária do norte da Cisjordánia, bem como das zonas de Jerusalém e Belém. As novas informaçons sugerem que os últimos pronósticos realizados por organizaçons internacionais tenhem subestimado em grande medida a devastaçom conseqüência do Muro do Apartheid. O último mapa realizado pola Campanha contra o Muro do Apartheid da Palestina, finalizado em Novembro de 2003, revela que se o Muro se completar na sua totalidade, quase 50% da populaçom da Cisjordánia se verá atingida devido à perda da sua terra, a reclusom em guetos e o isolamento nas áreas anexadas de facto por Israel.

Indicaçom do muito que o traçado do Muro já tem significado é a destruiçom que tivo lugar no itnerior e nas redondezas das vilas e cidades de oito dos onze distritos da Cisjordánia; entretanto, as previsons plasmadas no mapa de Novembro de 2003 tenhem sido possíveis graças a umha combinaçom de meios, incluindo acçons, a parte já construída do Muro, os planos aprovados polo governo israelita, os projectos do exército israelita e as imagens via satélite. Ao mesmo tempo que a maior parte do terrível traçado do Muro é quase o mesmo que o pronosticado desde o princípio pola CCMA, as futuras ampliaçons do muro para a anexaçom de assentamentos, o roubo de terra palestiniana e o cerco às comunidades intensificam o poder absoluto do Muro sobre a Palestina.

A continuaçom da "Primeira fase"

Após a "Primeira fase" do Muro (que foi declarada oficialmente concluída polo governo israelita em Julho de 2003), a destruiçom na realidade tem continuado a se verificar; tal e como assinala o mapa, nos distritos de Tulkarém e Ienim estám a ter lugar alargamentos do muro para a anexaçom israelita da terra ocupada polos assentamentos do Mevo Dotan e Khermesh. Nos distritos de Salfit e Nablus, os pronósticos revelam que o Muro à volta do enorme assentamento de Ariel estará estreitamente ligado com o enclave criado no Vale do Jordám para a anexaçom dos assentamentos Eli e Rehelim. É notório que os postos militares neste enclave estám a aumentar e a consolidar o controlo sobre umha maior superfície de território. Enquanto os 60 controlos israelitas de estrada nesta zona dividem drasticamente a Cisjordánia, de Leste para Oeste nesta área (ao longo das fronteiras dos distritos de Salfit, Ramala e Nablus), esta nova secçom do Muro dará cabo desta divisom.

Ramala: guetos dentro de guetos

Por conseqüência do Muro, no mapa realizado em Novembro de 2003 pola CCMA salientam mudanças significativas que conduzem para a criaçom de guetos nas vilas e cidades do distrito ocidental de Ramala e os esforços de limpeza étnica de Israel nesta regiom. O percurso do Muro atravessará a Cisjordánia, até o norte de Jerusalém, isolando algumhas das 25 vilas com por volta de 67.000 habitantes palestinianos. No que pode ver-se como "um gesto" do governo dos EUA, que tem indicado a sua preocupaçom polo traçado do Muro, Israel agora está a planificar a construçom de um segundo muro, mais perto da Linha Verde [do armistício da guerra de 1967], de jeito que as vilas isoladas ficam cercados. Também se pode intuir que este segundo Muro será construído de tal maneira que assegure um fácil e simples acesso a algumhas das terras mais férteis da Cisjordánia. Os dous muros nesta zona encarcerarám e restringirám o movimento a comunidades com altas taxas de crescimento de populaçom, limitando seriamente a expansom e o desenvolvimento. Sem tais medidas, em 50 anos a populaçom dessas áreas convertidas em guetos terá a capacidade de aumentar desde os 67.000 até os 150.000, um número ameaçador para Israel.

O poder absoluto do Muro sobre a vida e a impossibilidade de as comunidades expandirem é similar à expulsom dos habitantes que terám poucas eleiçons salvo serem transferidas mais longe a zonas que agora apenas som os maiores guetos da Cisjordánia, tais como Ramala. Outros pronósticos sugerem que Israel já tem importantes planos expansivos nesta zona; estes planos incluem umha auto-estrada de 4 faixas até Tel Aviv e a extensom do traçado eléctrico, actualmente em construçom. Um traçado já projectado faria chegar o comboio directamente até o distrito oeste de Ramala, ligando os assentamentos de Pisgat Ze'ev e Giv'at Ze'ev, em Jerusalém Leste, com Modi'in e o novo aeroporto israelita.

Terminar de construir o "Grande Jerusalém"

É de conhecimento público que o Muro do Apartheid rodeando Jerusalém, o qual significa a terminaçom do projecto sionista-israelita de criar o denominado "Grande Jerusalém", já pré-figurado polos controlos de estrada israelitas e os assentamentos.

O último passo na finalizaçom deste projecto é, de certeza, o Muro. No que supom mudanças dramáticos desde o mapa realizado pola CCMA, as novas modificaçons revelam que o percurso do Muro, rompendo bairros e vilas de Jerusalém, rodeará 400 quilómetros quadrados de guetos isolados. Além do mais, enquanto os projectos iniciais mostravam o percurso do Muro junto dos assentamentos da Colina Francesa, os mapas recentes indicam que esta zona ficará aberta para continuar com a colonizaçom israelita e a judaizaçom de Jerusalém. Um controlo extra construirá-se à volta dos assentamentos de Ma'ale Adumim e Kefar Adumim, desde os assentamentos mais densamente povoados na Cisjordánia com projectos para acelerar o seu crescimento.

O Muro em Belém e Hebrom

O novo mapa também revela mudanças nefastas em Belém e no sul de Hebrom, onde o traçado do Muro se adentrou na Cisjordánia, apropriando-se Israel de zonas óptimas para o cultivo.

Assim, no distrito de Belém, cinco vilas ficarám isoladas a Oeste do Muro, enquanto outros três ficarám hermeticamente fechados em guetos com o gargalo de umha garrafa como escape para chegar à cidade de Belém. Em Hebrom, o percurso do Muro agora projecta transbordar a Linha Verde, roubando mais umha vez as melhores terras de cultivo. Os planos futuros indicam que o Muro passará pola própria cidade para anexar o assentamento de Qiryat Arba e continuará junto da Mesquita de Ibrahimi. Ambos, os distritos de Belém e Hebrom, serám esmagados mais à frente polo traçado do muro através do Vale do Jordám.

Roubo de terrenos no Vale do Jordám

Os planos para o Muro na parte Leste da Cisjordánia, ziguezagueando através do Vale do Jordám, levam outra baforada de devastaçom: ao atravessar o Vale do Jordám, o Muro isolará por volta de 20 vilas, ao mesmo tempo que controlos militares adicionais cercarám Jericó e converterám-no numha prisom isolada. Os assentamentos israelitas formam umha linha ao longo do Vale, muitos do quais som agricolamente produtivos e o que pretendem é ocupar mais terras. Enquanto a populaçom palestiniana do Vale do Jordám é significativamente menor em número do que no resto da Cisjordánia, a quantidade de terra que israel prevê anexar com o Muro na parte Leste da Cisjordánia adquire umhas dimensons críticas.

Apartheid e expulsom

A brutal destruiçom da terra e dos meios de vida, como resultado da "Primeira fase" da construçom do Muro, é conhecida demais para quase 7% da populaçom da Cisjordánia nos distritos de Ienim, Tulkarém e Qalqilia. Nessas zonas, 0'6% dos palestinianos da Cisjordánia estám já isolados a Oeste do Muro, enquanto 6'1% sofre o isolamento das suas terras de cultivo. Inclusive se só se tiverem em conta as partes do Muro aprovadas polo gabinete israelita, o número de palestinianos isolados polo Muro aumenta até 16'9%, enquanto a percentagem de aqueles que ficam separados das suas terras atinge 22'6%. Se a construçom do Muro for concluída totalmente, a realidade forçará 17'4% da populaçom da Cisjordánia ao isolamento atrás do Muro, juntamente com mais 32'4% que ficará separado das suas terras, atingindo até um funesto totaa de 49% dos palestinianos, à roda de um milhom de pessoas em toda a Cisjordánia saqueada polo Muro do Apartheid.

A realidade do Muro do Apartheid é a formaçom de guetos, ao que se une o inegável poder absoluto que o Muro tem sobre a vida na Palestina e todo isso, evidentemente, dentro do contexto de umha ocupaçom ilegal continuada que perpetua o despossuimento da Palestina a maos de Israel. Mais é, o Muro do Apartheid é umha ferramenta descarada da palavra de de ordem e da política sionista-israelita de "mais terra, menos palestinianos" e do objectivo de expulsom dos palestinianos da sua terra natal. Após já quase um ano e meio sem pressons significativas por parte da comunidade internacional, salvo que a maior parte do projecto racista se complete. Infelizmente, as conseqüências da expulsom já se estám a produzir e a poderosa maquinaria apartheid está a avançar a olhos vistos.

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