O "bilingüismo equilibrado" é papel molhado na Universidade de Compostela

12 de Fevereiro de 2004

O boletim editado polo Serviço de Normalizaçom Lingüística da Universidade de Compostela reconhece no seu último número a residual presença do galego como língua de docência na instituiçom universitária compostelana, atingindo no presente ano lectivo unicamente 17,6% do horário lectivo. Fica assim mais umha vez incumprido o preceito estatutário da USC, que estabelece como modelo lingüístico "o bilingüismo com predomínio do galego".

O espanhol mantém portanto a abafante hegemonia com 82,4% das horas lectivas. Tais dados coincidem com os já achegados polo estudo sociolingüístico da USC publicado anos atrás. Isto significa que a existência da Comissom de Normalizaçom Lingüística do Claustro, do Serviço de Normalizaçom Lingüística e das comissons de normalizaçom lingüística dos diversos centros universitários nom tem servido para que se produzisse qualquer avanço. No que di respeito à normalizaçom, todo se fica em campanhas sentimentais e proclamas voluntaristas sem qualquer prescriçom efectiva que faga com que o professorado e restantes sectores da comunidade universitária se comprometam na extensom do nosso idioma no ámbito da USC.

De facto, apenas nove titulaçons cumprem, segundo reconhece o Serviço de Normalizaçom da USC, o modelo em vigor na Universidade compostelana. Existem titulaçons, como a de Biotecnologia, Filologia Francesa, Italiana ou Clássica, em que nom se ministra nem umha só hora de docência em galego.

Outras 17 titulaçons nom atingem nem 10% de horas lectivas em galego. Som estudos como os de Direito, Farmácia, Medicina, Enfermagem, Filologia Alemá, etc. Neste grupo está incluída mais de metade do alunado existente na instituiçom universitária compostelana, o que dá ideia da gravidade deste flagrante incumprimento legal.
Outro grupo de 24 titulaçons ficam entre 25 e 50% das horas lectivas na nossa língua, também por baixo do horário marcado oficialmente pola USC.

Eis a realidade da marginalizaçom lingüística a que somos submetidos os galegos e as galegas no nosso próprio país. Umha realidade que nom se limita à Universidade de Compostela, estendendo-se e mesmo agravando-se nas outras duas universidades galegas, a da Corunha e a de Vigo; e que corresponde com um processo de marginalizaçom silenciosa e progressiva que pretende soterrar de vez o nosso idioma no panteom de línguas mortas.

Só a organizaçom popular nos diversos ámbitos, neste caso os sectores que fam parte da comunidade universitária, poderá evitar que triunfe a política institucional espanhola que, hoje como sempre, tem como objectivo estratégico a imposiçom do espanhol como língua própria na Galiza.


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Seném Barro, reitor da USC e máximo responsável actual pola política lingüística nessa instituiçom