Manifesto de NÓS-Unidade Popular ante o Dia do Internacionalismo Proletário

A seguir, apresentamos o manifesto feito público por NÓS-UP com motivo da jornada reivindicativa que a classe trabalhadora galega protagonizará neste novo 1º de Maio:

1º de Maio: Avante a luita da classe trabalhadora galega

Mais umha vez, coincidindo com o Dia do Internacionalismo Proletário, milhares de trabalhadores e trabalhadoras galegas voltamos a tomar as ruas da nossa naçom em defesa dos nossos direitos. Para além das mudanças institucionais que nos últimos tempos venhem acontecendo nas instituiçons do Estado que ocupa o nosso país e explora a nossa classe, é preciso que os sectores mais conscientes do proletariado galego nom se deixem enganar polos gestos e as boas palavras dos novos gestores do Estado espanhol.

Sendo compreensível a satisfaçom geral pola expulsom do Partido Popular à oposiçom parlamentar, nom devemos abrigar falsas expectativas que conduzam o nosso povo, mais cedo do que tarde, à decepçom e desmobilizaçom.

As condiçons de vida da classe trabalhadora galega nom vam melhorar com o PSOE no poder do Estado espanhol. As linhas estruturais e profundas da política ecónomica e social do PP vam ser mantidas; o selvagem neoliberalismo continuará a marcar a pauta no mercado laboral; a Galiza continuará a manter os seus elevados índices de precariedade (por volta de 35%), nomeadamente entre a juventude e as mulheres; e os acidentes laborais continuarám a provocar anualmente milhares de ferid@s e mort@s nas fileiras obreiras. A Patronal continuará a ditar a orientaçom na matéria a um Governo, o do PSOE, que como primeiro e inequívoco sinal neste campo nomeou Pedro Solbes, um paladino do neoliberalismo, ministro da Economia.

Nengumha das contrarreformas laborais do PP serám derrogadas, até por ter sido o PSOE na sua anterior etapa de Governo quem iniciou umha estratégia de agressom aos nossos direitos que o PP só aprofundou com sucessivas imposiçons legais que o PSOE respeitará. Lembremos apenas as reconversons navais dos anos 80... Também a repressom do movimento sindical continuará, na medida em que este mantenha com coerência umha linha combativa como a que levou à condena dos três companheiros de CIG-Lugo. O PSOE nem sequer anulará a bateria e leis contrárias a liberdade ideológica, de expressom e associaçom ditadas polo PP, a maior delas promulgadas sob a capa da mal chamada "luita antiterrorista".

Umha das grandes reivindicaçons da classe trabalhadora galega, o Quadro Galego de Relaçons Laborais, bate também com a filosofia e prática do PSOE nesta matéria. Porque o PSOE, como o PP, defende a Espanha Una e Grande que se afirma sobre a negaçom da nossa identidade e dos nossos direitos colectivos como Povo, incluído o direito a que seja no seio do nosso Povo que se decidam as normas atinentes ao mundo do trabalho na Galiza.

Porque também o PSOE representa importantes sectores da burguesia espanhola, tam preocupada em conseguir o que até hoje nom conseguiu em mais de um século de imposiçom unitarista e chouvinista de Espanha como cárcere de povos. O submetimento do nosso país e a extorsom da nossa classe trabalhadora é a garantia de imposiçom do seu modelo espanholista que só pode se imporá de vez quando desapareça a nossa identidade nacional e a nossa consciência de classe.

Nem sequer no plano internacional haverá grandes mudanças. O PSOE manterá o Estado espanhol do lado do imperialismo, mesmo que seja matizando a submissom total do PP aos EUA em favor das alianças com um imperialismo de rosto europeu. A manutençom das tropas espanholas no Afeganistám e nos Balcáns devem fazer-nos ver para além de umha retirada do Iraque forçada pola massividade social do rechaço à guerra contra o povo iraquiano.

Noutra pedra de toque do nível democrático do Estado espanhol, as pessoas imigrantes continuarám ilegalizadas e a ser tratadas como delinqüentes polo Governo autoproclamado "progressista", através de umha Lei de estranjaria nom mui diferente da actual.

Por todo o anterior, NÓS-Unidade Popular considera injustificável o aval político que o autonomismo social-democrata, representado políticamente polo BNG, deu ao novo Governo em troca de umhas quantas palavras bonitas de Zapatero para a galeria no dia da sua investidura.

Frente às falsas expectativas e ilusons promovidas por um reformismo e um autonomismo virados para a conciliaçom com Espanha e a sua antidemocrática e monárquica constituiçom, NÓS-UP e o conjunto da esquerda independentista mantém a sua oposiçom ao capitalismo espanhol, quer na sua versom dura (Partido Popular), quer na sua versom "de rosto amável" (PSOE).

Reclamamos que o povo trabalhador galego mantenha a sua dinámica dos últimos anos, de implicaçom crescente na actividade política e mobilizaçom contra cada nova agressom aos nossos direitos como povo e como classe. Porque as agressons vam continuar e o pactismo só conduz à derrota.

Viva o Povo Trabalhador Galego!
Viva Galiza livre socialista e nom patriarcal!
Viva o Internacionalismo Proletário!

Galiza, 1º de Maio de 2004


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