Primeiro a democracia (galega)

[Informaçom tirada do web de NÓS-Unidade Popular]

O Diario de Ferrol publicou nas últimas semanas vários artigos de opiniom em relaçom com o boicote protagonizado por dirigentes do BNG à campanha de recolha de assinaturas que acabou por permitir a NÓS-UP legalizar a sua candidatura eleitoral. Pilar Garcia Negro, ex-deputada autonómica polo Bloque, tentou num desses artigos justificar essa sectária atitude de um sector da dirigência autonomista. Apresentamos a seguir a resposta que Maurício Castro, como cabeça de lista de NÓS-Unidade Popular, remeteu para o citado jornal, sendo adiada a sua publicaçom até ser finalmente incluída na secçom de Cartas do dia 25 de Maio.


Primeiro a democracia (galega)

Nom é a minha intençom intervir numha polémica pessoal entre umha professora e um professor universitários que na última semana tem ocupado algumhas páginas deste mesmo jornal. Ele, o professor do Barro, nom o conheço pessoalmente; ela, a professora Garcia Negro, sim a conheço, até por ter sido professora minha, e podo dizer que guardo um bom recordo do nosso trato académico e pessoal na altura.

Prefiro ir ao fundo da questom no que tem de relevante e significativo para avaliarmos a saúde democrática de determinados sectores políticos no nosso país. E fago-o, isso sim, em qualidade de "aludido", como representante da organizaçom política citada por ambos articulistas, NÓS-Unidade Popular. Como se sabe, a esquerda independentista galega, da qual tenho a honra de fazer parte, apresenta candidatura às próximas eleiçons de Junho. Nom foi fácil concretizar esse objectivo, já que o Estado espanhol obrigou a que conseguíssemos 15.000 assinaturas em dez dias, num exemplo de antidemocrático condicionamento para a participaçom eleitoral em pé de igualdade dos diversos sectores políticos existentes no seio da sociedade galega. A resposta foi contundente: conseguimos 20.000 assinaturas.

Nom foi para nós nengumha novidade depararmos com essa antidemocrática barreira colocada por um Estado que tem défices democráticos bem mais graves do que este que comentamos. Porém, sim foi surpreendente verificarmos como um sector concreto do nacionalismo organizado no BNG, aquele que o hegemoniza, participou dessa posiçom excluente. Personagens públicas do sector a que aludimos, como o deputado ferrolano Francisco Rodrigues, ou o próprio secretário geral da CIG, Suso Seixo, dérom mostras de um sectarismo doentio ao negarem a sua assinatura a umha causa tam básica e elementarmente democrática como favorecer a livre participaçom eleitoral de um adversário. Toda a compreensom e colaboraçom institucional e "democrática" com partidos como o PSOE ou o PP, em diversos e nem sempre plausíveis objectivos, torna-se boicote quase histérico e desproporcionada agressividade contra umha pequena organizaçom, independentista e de esquerdas, que seica cometeu o imperdoável "pecado" de incluir o BNG na sua análise e crítica política quotidiana. Na concepçom dessas pessoas, o BNG seria "o único nacionalismo galego possível", convertendo-se quem ficar de fora no pior dos inimigos, nem merecente do direito a existir. Mas existimos.

Claro que nom podo deixar de reconhecer que essa atitude sectária nom é geral, e outros dirigentes, militantes e simpatizantes do próprio BNG dérom a sua assinatura para que NÓS-UP poda finalmente participar nas Eleiçons do 13 de Junho.

Porém, agora foi Pilar Garcia Negro quem tratou de justificar nestas páginas o injustificável, com argumentos pobres, nom isentos do pior eleitoralismo. À sua declaraçom anti NÓS-Unidade Popular um só pode responder que, se a situaçom fosse a contrária e o BNG ou qualquer organizaçom galega precisasse da nossa assinatura, nom duvidaríamos um segundo em dá-la e denunciar publicamente semelhante atropelo. Isso sim, a seguir continuaríamos a fazer crítica de todo aquilo que achássemos, como achamos, errado na linha política dessa (ou qualquer outra) organizaçom galega. Porque, antes do eleitoralismo, das filias e fobias pessoais e das "comenências" particulares, está a democracia. A democracia galega.

Maurício Castro. Trabalhador do Ensino e cabeça de lista da candidatura de NÓS-Unidade Popular às Eleiçons europeias


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