Água: fonte de conflitos e mercadeio capitalista

23 de Março de 2004

No dia 22 de Março foi celebrado o Dia Mundial da Água, data instituída pola UNESCO que vem sendo comemorada desde 1992 para lembrar a importáncia de um bem limitado e cada vez mais escasso, que poderá vir a ser fonte de conflitos internacionais num futuro nom muito afastado.

Para percebermos a dimensom do problema, reparemos nalguns dados definitivos: mais de dous milhons e douscentos mil habitantes dos países empobrecidos, a maior parte crianças, morrem já todos os anos devido a doenças associadas com a falta de água potável, saneamento básico e higiene.

Além disso, quase metade dos habitantes desses países sofrem com enfermidades provocadas, directa ou indirectamente, polo consumo de água ou alimentos contaminados. Quase metade do líquido dos sistemas de fornecimento de água potável desses países se perde devido a infiltraçons e outros problemas de subministraçom.

Aliás, a maior parte da água existente na Terra nom pode ser consumida e 90% de toda água potável é subterránea, por isso tam sujeita a contaminaçom. Quatro litros de óleo podem penetrar na terra e contaminar um milhom de litros. Uma pilha, se deitada num manancial, pode poluir 600.000 litros de água. Por volta de 1 bilhom e duascentas mil pessoas de pessoas do planeta sofrem com a escassez de água potável, e é previsto que em 2050, ao ritmo actual, falte um bem tam básico a 40% d@s habitantes do Planeta. Lembremos que apenas 2,4% da água existente é doce e menos de 1% está acessível, e isso fai com que poda acabar por ser bem mais importante do que o petróleo.

As águas, que tinham sido as mesmas nos últimos 500 milhons de anos, tenhem-se visto reduzidas no último século, degradadas pola poluiçom e aumento incontrolado da populaçom no mundo, como conseqüência da extensom do modo de produçom capitalista. Contodo, ainda hoje existe de seis a sete vezes mais do que o mínimo para cada habitante do Planeta. Como sempre, o problema coloca-se no injusto reparto, além de no próprio esbanjamento desse bem fundamental.

Hoje, 70% da água doce existente no mundo é utilizada para a irrigaçom agrícola, 20% tem uso industrial e apenas 10% é utilizada para consumo humano directo.

6.000 crianças morrem diariamente no mundo por desidrataçom ou por tomarem água poluída, enquanto nos Estados Unidos um cidadao médio gasta 600 litros por dia e um habitante do Saara tem de viver com apenas seis litros por dia.

A chamada "crise da água" é, portanto, como em tantos outros problemas das sociedades capitalistas, um problema de gestom e reparto. Em 2002, a ONU marcou na Cimeira ecológica de Johannesburgo o objectivo de reduzir a metade o número de pessoas que nom tenhem acesso à água potável num prazo que iria até 2015, sem que semelhe haver indícios realistas de que neste caso, como em tantos outros, os organismos internacionais do capitalismo vaiam sequer cumprir os seus objectivos reformistas.

Longe de enxergar-se umha reorientaçom positiva de um problema grave que cada vez atinge mais pessoas no mundo, os grandes capitalistas tenhem já em agenda acometer a privatizaçom deste serviço público, dentro da lógica do máximo lucro, através de taxas, empresas e mercantilizaçom do acesso à água.

 

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