Reportagem

Palestina: o terrorismo sionista e as execuçons extra-judiciais

21 de Abril de 2004

No último mês tem ganho trascendência pública internacional a estratégia de assassinatos ditos selectivos do Estado israelita contra líderes de topo da resistência nacional palestiniana, após a morte consecutiva dos dous máximos dirigentes da organizaçom islamista Hamas, o xeque Ahmed Yassin e Abdel-Aziz Rantissi, mortos em Gaza por ataques aéreos com mísseis lançados por helicópteros Apache de fabrico ianque. Estes ataques, com que o Estado sionista pretende descabeçar a resistência do povo palestiniano, contam com o notório apoio da Administraçom ianque, que após cada execuçom extra-judicial costuma sair em defesa de um pretenso "direito à legítima defesa" por parte de Israel frente ao que chamam de "terrorismo" e é apenas resistência.

Porém, esta estratégia nom é assim tam nova. Israel vem matando aqueles que considera serem umha ameaça à sua segurança há décadas, mas nos últimos anos, esse expediente tem sido mais usado, e nom só como afirmam os porta-vozes sionistas "como parte das tentativas do governo para acabar com os ataques suicidas". De facto, dirigentes de organizaçons resistentes laicas que nom praticam esse género de ataques som alvo das acçons criminosas do terrorismo de Estado israelita.

Desde o início da actual intifada palestiniana, em Setembro de 2000, dezenas de militantes de organizaçons como a FPLP, Hamas e a Jihad Islámica fôrom mortos.

Esses assassinatos ditos "selectivos", como som chamados em Israel, eram descritos por autoridades israelitas três anos atrás como "raros e excepcionais" para, progressivamente, os alvos aumentarem a partir de supostos militantes suicidas a líderes como o xeque Ahmed Yassin, o líder de Hamas, morto há três semanas e Abdel-Aziz Rantissi, líder do grupo em Gaza, assassinado no sábado passado. Os atentados podem ser executados por amplas forças militares, pequenas equipas, indivíduos ou por meio de mísseis disparados de helicópteros.

Ataques aéreos freqüentemente resultam na morte de pessoas inocentes que estejam nos arredores do alvo. De acordo com um recente relatório de umha organizaçom nom-governamental palestiniana, mais de 150 palestinianos já fôrom deliberadamente escolhidos como alvos e mortos por Israel. Nas acçons para matá-los, mais de 60 pessoas sem relaçom com o atentado morrêrom. Eis o carácter "selectivo" destas acçons terroristas do sionismo contra um povo em luita pola liberdade.

Para além dos líderes islamistas, cuja organizaçom é acusada de promover ataques suicidas contra interesses sionistas, o certo é que já a 27 de Agosto de 2001 foi morto o secretário geral da Frente Popular para a Libertaçom da Palestina (FPLP), Abu Ali Mustafa, cofundador em 1967 dessa organizaçom revolucionária marxista de libertaçom nacional palestiniana. O método foi semelhante ao recentemente usado contra os líderes islamistas: lançamento de mísseis por parte de militares israelitas, naquela ocasiom contra o prédio em que se encontrava o dirigente marxista palestiniano.

As manifestaçons sucedêrom-se na altura nos territórios ocupados palestinianos, enquanto a FPLP garantiu umha resposta à altura da agressom sionista. Ao contrário das organizaçons religiosas, votadas para os ataques indiscriminados e suicidas, a organizaçom revolucionária respostou, sim, mas atacando a cabeça do Estado sionista.

Em Outubro do mesmo ano 2001, dous meses após a morte do seu secretário geral, um comando da FPLP matava a tiros o ministro do Turismo israelita, Rehavam Zeevi, num hotel de Jerusalém. Zeevi representava o núcleo duro da extrema direita governante e defensor extremo das teses maximalistas do sionismo, resumidas na palavra de ordem "desde o Éufrates até o Nilo é a terra de Israel".

A FPLP constitui, com outras organizaçons como a Frente Democrática para a Libertaçom da Palestina (FDLP), a oposiçom à esquerda da Autoridade Nacional Palestiniana, contrária aos acordos de Oslo e tentativas capitulacionistas posteriores, defendendo a luita pola integridade do território palestiniano usurpado polo imperialismo sionista a partir da unidade entre o conjunto de organizaçons patrióticas de resistência laicas e islámicas. Para a FPLP, contra o critério da ANP, o convívio entre dous estados, um sionista e outro árabe, é inviável, defendendo a reconstruçom da naçom e Estado palestinianos em que podam conviver diversas religions e etnias sob um mesmo aparelho estatal palestiniano.

O actual secretário geral da FPLP, Ahmed Saadat, está preso em Jericó, custodiado por militares ingleses e norte-americanos, graças à cumplicidade de Arafat e a ANP. Além de Saadat, mais 7500 patriótas palestinan@s permanecem prisioneir@s em 15 cárceres israelitas.

Mais informaçom sobre a Palestina em Primeira Linha em Rede:

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- Comunicado de Ahmad Saadat, secretario geral da FPLP, e dos seus companheiros na cadeia de Jericó (+...)

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Abu Ali Mustafa, cofundador em 1967 da FPLP, assassinado no seu escritório por mísseis israelitas. A FPLP respostou executando o ministro do Turismo de Israel dous meses depois
Anagrama da FDLP
Anagrama da FPLP
Restos do ataque com mísseis contra o líder de Hamas em Gaza