Surto de "basquite" no discurso do BNG

6 de Maio de 2004

Ante o anúncio por parte do PP e o PSOE de reforma estatutária também no nosso país, o BNG vê como as suas propostas dos últimos anos som ultrapassadas polos partidos espanholistas no Parlamento autónomo. Daí que o porta-voz da organizaçom autonomista mimetize o discurso do Partido Nacionalista Basco e a sua proposta de "Estatuto de Livre Decisom". Deste jeito, a organizaçom política maioritária do nosso nacionalismo vê-se afectada por um surto de "basquite" consistente em se situar à sombra do PNB, repetindo palavra por palavra as propostas do Lehendakari Ibarretxe, em aparente (só aparente) contradiçom com o que vinha sendo o seu discurso nos últimos anos.

Com efeito, o BNG vinha insistindo na necessidade de "aproveitar ao máximo" o Estatuto actual, evitando qualquer reclamaçom de reforma do mesmo, chegando no máximo a pedir novas transferências concretas por parte do Estado espanhol. Agora que PSOE e PP, a reboque das exigências reformistas de forças como o PSC, ERC, CiU, PNB e até o PSOE na Andaluzia, admitem as reformas dos diversos estatutos autonómicos, o BNG vê como o seu discurso autonomista é superado polos principais partidos espanhóis, nomeadamente polo PSdeG-PSOE, o seu principal concorrente eleitoral.

Mas a contradiçom, como dizíamos, é apenas aparente, pois fica reduzida a simples verbalismo em época pré-eleitoral. Anxo Quintana repete ante os microfones, com um ano de atraso, frases feitas tomadas do discurso do PNB, tais como "Estatuto de Autonomia para a Galiza do século XXI", "contrato de associaçom voluntária", "contrato entre iguais", "livre decisom por parte exclusivamente dos galegos"...

Nestes formulismos nom aparecem por nengures referências claras à soberania nacional, à autodeterminaçom ou à necessidade de contarmos com um Estado próprio, como corresponderia a um discurso nacionalista minimamente maduro e avançado. Em lugar disso, as aspiraçons máximas do BNG situam-se agora em "instalar-se com força entre as naçons à vanguarda dum novo Estado plurinacional". Sendo certo que a "decisom exclusiva dos galegos" pode ser interpretada como reclamaçom de soberania, nom é menos certo que isso entraria em contradiçom com o quadro jurídico-político espanhol que o próprio Quintana reconhece como ineludível referente para o enquadramento nacional da Galiza. Porém, a contradiçom nom vai além da oratória, ficando imediatamente resolvida na assunçom teórica e prática da Constituiçom espanhola como ineludível referência por parte do Bloque.

Se assim nom fosse, o BNG teria que explicar como pode haver "livre decisom dos galegos" e "associaçom voluntária" sem o direito de livre determinaçom e, portanto, sem a possibilidade de o nosso povo optar por outras vias diferentes à definitiva integraçom em Espanha que supom a mimética proposta do Bloque. Nom pode falar-se de "livre decisom" e, ao mesmo tempo, dar por feita a integraçom no Estado da autonomias espanhol. Nom há "associaçom voluntária" sem dar voz ao povo galego para decidir soberanamente o seu estatuto como naçom livre no cenário internacional, livre de intromissons por parte do Estado espanhol, e livre portanto da imposiçom de umha Constituiçom, a espanhola, oposta por princípio à nossa "livre decisom". Haverá que lembrar que a "carta magna" espanhola afirma ser o "povo espanhol" o único com capacidade de decidir sobre a soberania d@s galeg@s.

Como vemos, as contradiçons da proposta verbal, nom real nem realista, do BNG som evidentes. A repetiçom de clichés tomados do autonomismo basco só serve para o BNG sair do passo, aparentando umha linha própria frente à penosa imagem que para essa força implica ver-se ultrapassada nas suas propostas autonomistas polos principais valedores da "unidade de Espanha".

Da mesma forma que, com vistas às Eleiçons europeias, o BNG rompeu com a sua linha tradicional de nom se coligar com forças alheias à Galiza, aliando-se com as direitas basca e catalá, também contradi agora o Bloque a seu suposto discurso "centrado no país" ao mimetizar a linguagem do Plano Ibarretxe.


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