BNG e ERC prestam vassalagem ao Rei de Espanha

23 de Abril de 2004

A "Solene Abertura da VIII Legislatura" espanhola decorrida no Congresso dos Deputados desse país contou ontem, quinta-feira dia 22 de Abril, com a participaçom destacada dos deputados do grupo catalám de Esquerra Republicana da Catalunha, que reverenciou com a sua presença o rei e hino espanhóis apesar de se autodefinir como "republicano" e "independentista". Também os deputados do BNG, acompanhados polo seu máximo representante, Anxo Quintana, participárom mais umha vez numha sessom que destilou patrioteirismo espanhol e vassalagem monárquica, com um discurso a cargo do chefe de Estado que girou à volta da defesa da "unidade de Espanha" como valor supremo a que se submete a suposta democracia constitucional e monárquica espanhola.

Se no caso do BNG só se repetiu o gesto reverencial já ensaiado em diversas ocasions anteriormente ante a antidemocrática figura do máximo representante do Estado espanhol, no caso de ERC produziu-se umha novidade histórica. Com efeito, na anterior legislatura o representante de Esquerra recusara a prestar vassalagem ao rei espanhol apelando ao republicanismo independentista da formaçom catalá. Desta vez, o próprio secretário geral, Josep Lluis Carod Rovira, pediu aos seus companheiros para assistirem ao acto.

O porta-voz de ERC no Congresso espanhol, Joan Puigcercós, afirmou que a sua presença respondia ao facto de se terem convertido no quarto grupo parlamentar no Parlamento espanhol, o que lhes exige umha nova responsabilidade. Além disso, descartárom qualquer gesto de desaprovaçom ao carácter espanholista e militarista dos actos, que incluírom um desfile das Forças Armadas espanholas, porque "somos democratas, estamos no Estado que estamos e deve haver um respeito. Por isso nom havemos de fazer cousa especial nengumha". Seu dito, seu feito. A participaçom de ERC facilita a homologaçom definitiva dessa força num sistema, o constitucional espanhol, que o próprio Bourbon reivindicou ontem como de natureza inamovivelmente unitária.

Mas, vejamos algumhas das pérolas oferecidas polo chefe de Estado espanhol no seu discurso, escolhidos por constituírem a confirmaçom da linha assimilacionista espanhola em relaçom com os povos nom espanhóis integrados à força na II Restauraçom Monárquica espanhola.

"Há pouco mais de vinte e cinco anos que os espanhóis nos demos umha Constituiçom, produto do mais amplo consenso nunca atingido entre nós, capaz de garantir um futuro de concórdia e integraçom solidária dentro do respeito à rica pluralidade e diversidade de Espanha".

Juan Carlos I soubo tirar proveito ao reconhecimento que lhe outorgárom as organizaçons autonomistas bascas, catalás e galega com a sua presença, quando interpretou o acto de ontem como "Um acto que nos deve encher de satisfaçom colectiva e que sublinha a vigência da nossa Constituiçom ao serviço dos princípios e valores que sustentam o convívio em paz e liberdade de todos os espanhóis".

Reafirmando a sua aposta pola imposiçom do projecto nacional espanhol, situando a assunçom da mesma como patamar mínimo para a integraçom do discrepante, o monarca espanhol nomeado por Franco afirmou sem rubor que "vivemos numha naçom plural e a nossa Constituiçom recolhe e agasalha essa pluralidade ao configurar o nosso Estado como um Estado autonómico. Na nossa naçom e no nosso Estado há sítio para todos".

Após diversas louvanças às forças armadas e policiais espanholas, o monarca acabou o seu discurso reivindicando "umha Espanha unida e coesionada", recebendo umha salva de palmas do coro de deputados de todas as cores e tendências que assumem o actual modelo parlamentar bourbónico, negador da condiçom nacional de povos como o nosso. Entre @s atent@s e vassaláticos deputad@s, o BNG e ERC, aspirantes ao reconhecimento do sistema constitucional espanhol que padecemos.

 

 

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