Oligarquia boliviana ameaça com golpe de Estado ante avanço do movimento revolucionário

29 de Março de 2004

Nos últimos dias, diversos agentes sociais apontam para a possibilidade de que a oligarquia poda promover um golpe de Estado no país, ante o avanço do movimento popular sob direcçom da Central Obreira Boliviana (COB), em demanda da nacionalizaçom do gás e de medidas sociolaborais que melhorem as condiçons de vida e trabalho das massas trabalhadoras.

O Governo interino de Carlos Mesa, a Igreja Católica, os meios de comunicaçom e também o MAS, principal partido da oposiçom parlamentar de esquerda, tentam que o movimento popular abrande a sua dinámica de mobilizaçom e luita nas ruas do país em defesa dos seus direitos laborais e sociais. Porém, a COB continua a convocar milhares de pessoas nas ruas da capital e outras cidades do país, e recusa-se a subordinar-se à estratégia eleitoral do Movimento ao Socialismo, que mantém um apoio "crítico" ao Governo neoliberal com a ideia de chegar ao poder nas próximas eleiçons de 2007. O deputado do MAS Gustavo Torrico pediu que cessasse a luita nas ruas, para assim evitar que o exército desse um golpe aproveitando as desordens da oposiçom operária.

Por enquanto, a dirigência sindical, que já tombou um governo, mantém a iniciativa da oposiçom real à política neoliberal de Carlos Mesa, avaliando as ameaças de golpe como "umha estratégia que utiliza o Govierno para obrigar os sectores sociais a que aprovem a política económica de Carlos Mesa", em palavras do mineiro Jaime Solares, líder da COB. Porém, e ante a eventual tentativa golpista, a COB adiantou a sua estratégia: convocatória de greve geral indefinida e bloqueio nacional de caminhos até esmagar os golpistas.

Entretanto, o Governo continua a apelar ao "pacto social", ante o qual a COB já respostou que "nom pode haver pacto social com os nossos carrascos, com quem protege e favorece os interesses das transnacionais saqueadoras e com os exploradores que pretendem descarregar a crise económica sobre as costas dos trabalhadores".

"Com os nossos inimigos de classe apenas cabem luitas sem trégua até impor a expulsom das transnacionais, a recuperaçom das empresas capitalizadas sob controlo operário colectivo, um salário digno e a defesa da educaçom com maior orçamento económico".

O movimento revolucionário semelha diposto a avançar na luita e denúncia da verdadeira natureza antipopular do Estado capitalista. Em referência às medidas alegadamente reformistas promovidas polo aparelho oligárquico, a COB resposta que "o Pacto social, a Constituinte e o Referendo som medidas distraccionistas para travar o agir independente dos trabalhadores que se orientam a retomar o fio condutor das jornadas de Outubro; quer dizer, acabar com a classe dominante no seu conjunto, a sua propriedade privada e a sua democracia de ricos".

 

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