Zapatero reclama a espanholidade da Galiza convocando umha cimeira hispano-lusa na nossa capital


5 de Maio de 2004

Se alguém duvidava ainda do talante que o novo Governo espanhol mostraria para a existência de naçons sem qualquer reconhecimento por parte do Estado que as ocupa, o novo presidente espanhol esclareceu a sua posiçom na linha de reivindicar a nossa espanholidade.

Com efeito, Rodríguez Zapatero aproveitou a sua visita oficial a Portugal para anunciar que a capital da Galiza acolherá umha cimeira hispano-lusa no mês de Outubro, continuaçom da desenvolvida na Figueira da Foz meses atrás. Nessa cimeira, é previsto Zapatero e Durão Barroso avançarem em medidas antipopulares que afectarám negativamente aos diversos povos da Península, como a posta em andamento do chamado Mercado Ibérico da Electricidade (Mibel).

Dá assim o Governo do PSOE continuidade aos planos iniciados polo PP, com a estratégia eufemisticamente chamada "de integraçom de mercados da energia", que trará maior degradaçom do serviço público, aumentos de custos para utentes e pioramento das condiçons laborais para os trabalhadores e trabalhadoras do sector. Um bem básico e social como é a energia será incorporado mediante o Mibel ao puro mercadeio, servindo a cimeira de Outubro para avançar nesse objectivo das grandes burguesias espanhola e portuguesa. Outro tema na agenda será a rede de Comboios de Alta Velocidade que unirám Portugal com o Estado espanhol, agressivo projecto com o ambiente que contrasta com a extrema precariedade do transporte ferroviário no país em que Zapatero e Durão manterám a sua reuniom cimeira.

Mas, para além dos objectivos económicos ao serviço de ambas burguesias, a cimeira tem para o Governo espanhol mais um objectivo: apontoar a espanholidade simbólica da Galiza face ao vizinho Portugal. Daí ter sido escolhida a nossa capital precisamente para a organizaçom desta cimeira hispano-lusa. Fica em evidência a plasmaçom das boas palavras dedicadas polo novo presidente espanhol aos ouvidos dos deputados do Bloque na sessom de investidura, aquelas que servírom ao PSOE para contar com o apoio político do BNG. Resta é saber se o autonomismo galego agradecerá este "gesto" de Zapatero para com o nosso país.

É, finalmente, de esperar que as diversas organizaçons e entidades sociais, sindicais e políticas do nosso nacionalismo contestem essa convocatória com a reafirmaçom da nossa condiçom nacional exclusivamente galega e o rejeitamento aos planos monopolísticos que ambos os estados pretendem impor na cimeira de Outubro em Compostela.

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