Por que islamistas e nom comunistas à cabeça da resistência?

13 de Abril de 2004

Existem actualmente no Iraque dous partidos comunistas. O primeiro é o Partido Comunista Iraquiano, descendente do partido fundado em 1935, o qual tinha no seu programa a anulaçom dos tratados semicoloniais e a expulsom dos imperialistas, a distribuiçom da terra aos camponeses, a concentraçom do poder político nas maos dos operários e camponeses, a independência completa para o povo curdo e, por fim, a formaçom de umha Uniom das repúblicas dos operários e camponeses do mundo árabe.

Actualmente, os chefes do partido que sobrevivêrom à repressom de Saddam decidírom entrar no governo fantoche constituído polos EUA e "abrir sedes por todo o lado sob a protecçom das forças de ocupaçom estado-unidenses", conforme denuncia Ahmed Karim, um dirigente dissidente do PCI, o qual afirma: "Já antes desta incrível traiçom, a direcçom do partido estava moribunda devido ao seu apoio ao embargo genocida e à agressom militar. Todos os comunistas dignos desse nome devem tomar a primeira fila na resistência com as massas. Os que servirem o ocupante som inimogos do povo e como tal devem ser combatidos". Acrescenta justamente que "só através da participaçom na luita de libertaçom nacional em curso será possível reconstruir o movimento comunista no Iraque".

As cousas nom vam melhor com o Partido Comunista Operário do Iraque, formado mais recentemente como reflexo do movimento marxista que abalou o vizinho Irám nos anos 80, mas que evoluiu num sentido economicista e reformista. Este partido declara "luitar para organizar as massas e desenvolver os seus protestos na forma de um movimento político de massas através de todo o país, assim como para expulsar os Estados Unidos e os seus aliados e para construir no Iraque um regime das massas". Posiçom que nada teria de criticável se este partido nom concebesse a sua actividade em separado e em oposiçom às forças da resistência armada ao ocupante. Chegando ao ponto de pôr os actos da resistência no mesmo plano dos dos invasores: "A guerra desencadeada polos EUA continua. A resistência dos restos do regime Baas, dos nacionalistas e dos grupos islamistas fai parte dessa guerra. Aqueles que a levam a cabo nom tenhem nada a ver com o futuro do povo do Iraque, estám inteiramente contra os interesses das massas. Para alcançar os seus objectivos reaccionários sacrificam as pessoas e comprometem os fundamentos da vida social". Assim, quem "compromete os fundamentos da vida social" nom som os imperialistas que devastárom o país, mas os que lhes resistem!

Se a este panorama sombrio somarmos o reconhecimento pola Internacional Socialista do "governo provisório" de Chalabi & Cia., nom será difícil entender por que se reforçam no Iraque as fileiras islamistas. As massas exploradas iraquianas nom se reconhecem nos que colaboram com os invasores, mesmo que tenham a denominaçom "comunista", "socialista" ou "marxista". Por isso é tam urgente desmascarar os que, no Iraque como no resto do mundo, se empenham em desonrar o comunismo aos olhos dos explorados.

(Adaptado a partir de Che Fare, Roma, e da PO nº 93, Portugal)

 

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