Novos dados sobre a substituiçom lingüística em curso na Galiza

25 de Maio de 2004

O Instituto Galego de Estatística apresentou novos dados de 2003 relativos à situaçom da comunidade lingüística galega, que confirmam a marcada regressom nos usos sociais do nosso idioma, como conseqüência da imposiçom do espanhol por parte das instituiçons que hoje imperam na Galiza. Som já numerosos os estudos estatísticos que confirmam umha mesma tendência negativa para o nosso idioma, tendência acentuada, de maneira paradoxal, a partir da cooficialidade outorgada com motivo da institucionalizaçom da Comunidade Autónoma Galega.

Desta vez, o IGE afirma que a percentagem de monolíngües espanhofalantes atinge no conjunto da CAG 19,86. Em dados absolutos, afirma falar ainda só galego 42,85% da populaçom galega. Falam mais espanhol do que galego 18,82% e mais galego do que espanhol 18,47%. Se estes dados semelham apontar para um predomínio do galego, a pouco que aprofundarmos na análise dos mesmos veremos que se trata de umha miragem, sendo na verdade o espanhol o idioma hegemónico. Só temos que ver a evoluçom intergeracional do uso de umha e outra língua para verificarmos a gravidade do assunto. Quanto mais novas som as pessoas que respondem o inquérito, mais protagonismo ganha o espanhol como língua de uso habitual. Na faixa etária mais velha (de 50 ou mais anos), 12,14% falam só espanhol e 10,28% mais espanhol; 58,87% falam só galego e 18,71% mais galego. Já na populaçom galega entre 30 e 49 anos, 21,69% fala habitualmente só espanhol e 21,14% mais espanhol; 36,65% só galego e 20,52% mais galego. Ainda entre 5 e 29 anos, 28,21% fala já só espanhol e 27,80% mais espanhol; e apenas 27% só galego e 16,15% mais galego. A tendência é clara: entre as geraçons mais velhas e as mais novas recolhidas neste estudo há umha perda percentual de 15,02 pontos; e ao invés, o espanhol como língua habitual exclusiva ganha praticamente 10 pontos. Se pudermos ver a distáncia entre umha criança média de cinco anos e um galego ou galega de 80 anos, veríamos a quebra lingüística na dramática dimensom que realmente tem.

O número de galegos e galegas que reconhecem o seu analfabetismo no nosso idioma aproxima-se de 50%, sendo na realidade maior, umha vez que a escrita espanholizante fomentada pola Junta da Galiza e demais instituiçons situa a qualidade média do galego escrito por baixo de umha fasquia digna de qualquer idioma normalizado. Mesmo assim, a percentagem de galegas e galegos autodefinidos como analfabetos é elevadíssima.

O estudo do IGE confirma também o espanhol como língua de poder, sendo o idioma utilizado polos trabalhadores e trabalhadoras para se dirigirem aos patrons, mesmo se som galego falantes habituais. Para conferires estes e outros dados incluídos no citado inquérito, podes aceder aqui.


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Imagem da manifestaçom em defesa da língua acontecida em Compostela no passado 17 de Maio, organizada polo reintegracionismo