Crónica do debate "Mulher e música tradicional", organizado por AGIR na Universidade da Corunha

26 de Março de 2004

A organizaçom estudantil AGIR organizou na manhá do passado 23 de Março umha mesa redonda sob o título "Mulher e música tradicional" na Faculdade de Filologia da UdC, obtendo um grande sucesso tanto pola afluência e a diversidade do público assistente como polas intervençons e o debate que lá se abriu após falarem as conferencistas.

A actividade realizava-se com um objectivo muito claro: aprofundar, analisar e dignificar o papel fundamental que tenhem e tivérom as mulheres ao longo do processo histórico da criaçom e recriaçom da nossa música tradicional.

Para fazer essa valorizaçom histórica e dar conta da intervençom das mulheres nesta arte popular, contou-se com a presença de diversas personalidades que participam em distintos ámbitos do panorama actual da música tradicional:

Ugia Pedreira, directora do Conservatório de Música Tradicional e Folc de Lalim, centrou a sua exposiçom no trabalho que lá se está a desenvolver. Fijo fincapé na importáncia das mulheres, nom só das aldeias, mas também das vilas e cidades, como criadoras e transmissoras da nossa música tradicional, exprimindo a presença ao longo de toda a nossa história musical com distintas formas de expressom nas diferentes épocas ao longo do seu decorrer.

Lucia Veiga, membro da directiva da associaçom juvenil Xacarandaina, expujo as múltiplas actividades e facetas que as mulheres realizam neste ámbito tanto como criadoras, emissoras, intérpretes, docentes ou como investigadoras. Revalorizando e demonstrando assim, mais umha vez, como as mulheres fôrom e seguem sendo peças fundamentais e imprescindíbeis na conformaçom da música tradicional galega.

Maria José Silvar, umha das cantareiras do grupo corunhês de pandeireteiras Algareiras e vice-presidenta da associaçom cultural Arestora, centrou a sua intervençom no papel que estám a desenvolver as mulheres nas infraestruturas actuais que tratam de sustentar, conservar e difunfir a música tradicional. Apontou aspectos tais como a esmagadora maioria de mulheres que há, tanto no alunado como no profesorado, neste tipo de agrupaçons; os estereótipos e os roles de género que se transmitem no ensino da dança ou a discriminaçom sexual que se fai nalgumhas associaçons nas exposiçons públicas, impedindo tocar as mulheres os instrumentos marcados como "masculinos".

A última intervençom foi feita por Olga Kirk, cantareira e instrumentista do grupo Ruote e membro da associaçom cultural Donaire, que ofereceu a sua visom sobre a participaçom das mulheres na música tradicional partindo da sua experiência pessoal com o trabalho que se leva fazendo desde a década de noventa em Ruote. A supeditaçom da mulher ao home que se materializa neste campo tanto na dança, como nas cantigas ou a diferenciaçom nos instrumentos tocados fôrom pontos que tratou, sempre exemplificados com anedotas das suas recolhas.

As intervençons abrírom um apaixonado debate e múltiplas reflexons que pugérom sobre a mesa questons como se a fidelidade à tradiçom para qualquer tipo de representaçom artística justifica a discriminaçom sexual, o exclusivismo da figura do gaiteiro, como a mais representativa da música tradicional, apelando para desmitificá-la e revalorizar e conceder a mesma importáncia a palavra e à voz, ao dizer, sentir e transmitir. Fijo-se um chamado a botar umha olhadela introspectiva para compor o nosso futuro musical, entre outros temas.

O acto tivo um grandíssimo sucesso, tanto polo debate suscitado, a ilustraçon das exposiçons e a participaçom e involucraçom d@s assistentes, já que a ele assistírom perto de meia centena de pessoas, constituindo um público diverso, pois nele participava professorado, alunado e pessoas interessadas no tema que nom estavam vinculadas ao centro. Mais umha vez, AGIR demonstrou a sua capacidade de convocatória, reflectindo-se na boa acolhida que tenhem sempre as suas propostas por parte do estudantado corunhês e o seu labor de conscientizaçom da nossa identidade e agitaçom contra o sistema capitalista, espanholista e patriarcal que também se manifesta e se translada à música tradicional.


Voltar à página principal