AGIR apresenta-se às Eleiçons ao Claustro e às Juntas de Escola e Faculdade da USC

21 de Maio de 2004

AGIR, organizaçom do estudantado da esquerda independentista, apresenta-se às eleiçons das Juntas de Escola e Faculdade e do Claustro que se celebrarám na USC a próxima quinta-feira 27 de Maio sob a palavra de ordem "Rompe com a sua miséria". Vota AGIR, em alusom à grave crise económica que atravessa a instituiçom por causa da política educativa do Partido Popular e a atitude submissa por parte da equipa reitoral, comandada por Seném Barro.

AGIR apresenta candidaturas num total de doze escolas e faculdades, superando o número de centros em que concorreu em Maio de 2002, nas eleiçons para escolher o que foi chamado Claustro da LOU. Assim AGIR apresenta candidaturas em Filologia, CC. Económicas e ADE, Enfermagem, CC. da Educaçom, Arte, Geografia e História, Relaçons Laborais, CC. Políticas, Biologia, Física, Escola Técnica Superior de Engenharia, Psicologia e Filosofia.

ROMPE COM A SUA MISÉRIA
VOTA AGIR

Mentiras. Quiçá seja essa a palavra que te ecoa na cabeça quando lês estas linhas. Mentiras som as hipócritas promessas das organizaçons amarelas, que limitam a sua actividade ao período eleitoral para encher bem os petos, mentiras também as do reformismo estudantil, que trata de disfarçar a sua face submissa ao reitorado com pretendidas acçons “de pressom” que coincidem misteriosamente com a chegada das eleiçons, e mentiras som, sem dúvida, as d@s que desde a sua cómoda polotrona no despacho mentem conscientemente, proclamando aos quatro ventos as maravilhas da democracia universitária.

Quando pensas nessa palavra (mentira), tés motivos de peso. De certa forma, nom podemos nem queremos tirar-che a razom. A universidade nom é umha instituiçom democrática, e qualquer que che dixer o contrário nom tem ideia do que fala, ou está a enganar-te. Só precisas acudir aos estatutos: O professorado (grupo claramente minoritário) tem representaçom maioritária em todos os órgaos de governo. Isso significa que o teu voto vale menos, muito menos, que o dum/ha docente. Significa que tu, que fás parte da fracçom mais numerossa da universidade, és o que menos peso tés no governo de toda ela. Significa que há um grupo privilegiado que tem mais direitos do que tu. É evidente entom que nom é democrática. Mas, assim sendo, por que participarmos na farsa?, pesguntarás. Empresta-nos só uns minutos mais do teu tempo, e trataremos de respostar-te.

Desde a sua constituiçom, AGIR sempre mantivo um discurso claro e honesto em que nunca mentimos a ninguém: Estamos dispost@s a luitar em todos os campos e a empregar todas as ferramentas ao nosso alcance para atingir umha universidade melhor, feita à medida do estudantado, e fabricada também por ele. Isso implica sermos conseqüentes, e é essa a razom de nos apresentarmos às eleiçons. Eis o motivo de concorrermos, mesmo em condiçons de clara ausência de democracia: AGIR quer utilizar o Claustro e a Juntas como caixa de resonáncia, como um altofalante mais para assinalar os/as culpadas pola privatizaçom da universidade, pola difusom do machismo e o sexismo nas aulas, pola imposiçom dum ensino e cultura alheios à nossa realidade.

É evidente que o resultado destas eleiçons nom vai mudar nada qualitativamente. Nem o claustro nem as juntas som os cenários de luita que vaiam obrigar a Junta da Galiza a renovar o plano de financiamento, nem a equipa reitoral a assinar a sua demissom. A LOU, quase esquecida, segue a aprofundar na destruiçom do ensino público galego, enquanto o novo governo que pretende ser “de esquerdas” só modificou os seus aspectos formais. Muitas som as luitas, mas a mudança só a acharemos fora: Conquistaremo-la nas ruas e nas salas de aula através da auto-organizaçom, nom nestes órgaos antidemocráticos e monopolizados polo professorado.

Há quem pense que a nossa linha política corre o risco de virar face o reformismo por nos apresentarmos às eleiçons. As razons disto podem responder a um certo medo a nov@s concorrentes no terreno eleitoral, ou entom a radicalismos baratos e puristas que, em lugar de empregarem todas as cartas do baralho, preferem ficar na comodidade da rotina pretendidamente antissistémica, que só oculta covardias e medos ocultos. Gostaríamos de informar em ambos os casos de que na actualidade, AGIR conta com representaçom em muitas das juntas de faculdade desta universidade. Apesar disto, ninguém pode dizer que se diluísse o nosso discurso ou que mudássemos os nossos métodos de luita por nom comprazerem estes os reitorados e decanatos, meios de comunicaçom e professorado reaccionário. Nom, o estudantado conhece as campanhas de AGIR contra o Plano de Equilíbrio, em que se assinalárom com clareza e sem medos os culpados: O reitor Seném Barro e a sua equipa, além da Junta de Galiza e o seu governo do PP. Em nengum momento nos tremeu a mao à hora de fazermos o que devíamos fazer por medo a “perder votos”. Cousa que nom se pode dizer doutras organizaçons que cacarejam a sua combatividade só em campanha eleitoral, e às que sim preocupam o número de votos e os subsídios, vendendo por elas os direitos do estudantado aos interesses da reitoria.

A nossa intençom é aglutinar o voto do estudantado que conhece aos culpados da actual crise financeira da USC, que saiba quais som as faces d@s responsáveis directos e últimos, e que queira dizer-lhes nom. Nom à sua miséria, às suas mentiras e manipulaçons, à sua hipocrisia que hipoteca em créditos bancários o futuro desta universidade e de todas as universidades galegas. Um voto em AGIR é mais um acto de rebeliom, um punho na face d@s inimigos do estudantado galego. E significa umha verdadeira resistência contra eles/as. Sem mais mentiras.

POR UMHA UNIVERSIDADE:

GALEGA
Umha universidade própria, monolingüe em galego, ao serviço das necessidades do povo trabalhador galego. Na que as licenciaturas, matérias e vias de conhecimento sejam as nossas próprias, e nom um programa subsidiário dumha cultura alheia, opressora e imposta.

PÚBLICA
Umha universidade que nom esteja paga e gerida polas empresas e capital bancário, mas financiada por fundos públicos na sua totalidade sem ingerência exterior algumha. Sem a mais mínima dificuldade ou entrave para aceder a ela.

NOM PATRIARCAL
Umha universidade em que o sexismo e o machismo sejam desterrados definitivamente das aulas, assegurando umha igualdade real, com um ensino coeducativo e nom sujeito aos roles de género e a sua imposiçom.

DEMOCRÁTICA
Umha universidade em que o autoritarismo e a censura da liberdade de expressom sejam suprimidas, e em que o estudantado tenha os mesmos direitos que @s catedrátic@s.

DE QUALIDADE
Umha universidade com infraestruturas renovadas e dotaçons adaptadas à situaçom demográfica galega, com um professorado competente e avaliado periodicamente.

Para atingir estes objectivos gerais exigimos:

- Renovaçom imediata do Plano de Financiamento do Sistema Universitário Galego, passando a ser esta sufragada integramente com fundos públicos.

- Demissom de Seném Barro e a sua equipa por serem também culpados da crise da USC e da dívida de milhons de euros.

- Suspensom sem condiçons do Plano de Equilíbrio.

- Supressom das taxas de matrícula.

- Aboliçom dos numerus clausus.

- Declaraçom do galego como única lingua oficial na docência, passando as aulas a serem dadas integramente no nosso idioma.

- Perseguiçom das atitudes machistas e patriarcais dentro da universidade, de face a paliar as discriminaçons por questom de género no ensino galego.

- Mudanças dos planos gerais de estudos para serem adaptados à realidade galega.

- Incremento do número e quantia das bolsas.

- Gestom universitária de serviços como cantinas, residências, limpeza, cafetarias, copistarias...

- Criaçom dum grupo único de eleitores, em que cada pessoa tenha um voto, igualdade de acesso a qualquer cargo universitário para professorado, estudantes e PAS.

- Cessamento imediato da clausura de residências, alargando o seu número até absorverem toda a procura existente, em condiçons de gratuidade total.

- Acrescentamento da rede de bibliotecas, salas de informática, etc., assim como criaçom de cantinas universitárias gratuítas.

- Instauraçom do princípio de avaliaçom contínua e pública do professorado, com a participaçom do estudantado.

- Suspensom de todo convénio que a universidade tenha com empresas ou bancos.

 

 

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