Festa-Inauguraçom do Centro Social Henriqueta Outeiro, em Compostela

10 de Abril de 2004

O vindouro sábado 24 de Abril a partir das 19.30 horas, terá lugar a festa-inauguraçom do Centro Social Henriqueta Outeiro, sito na Rua Quiroga Palácio 42 rés-do-chao, de Compostela.

A festa incluirá um recital-poético com a participaçom de José Alberte Corral Iglésias, Eduardo Estévez, Maria Lado, Carlos Negro, Kiko Neves, Baldo Ramos, Sechu Sende e Ramiro Vidal.

Posteriormente, actuará o cantor compositor do Baixo Minho Tino Baz e o grupo de Compostela Os Estalotes.

Este Centro Social pretende ser um espaço de convívio e socializaçom do projecto político-social da esquerda independentista e vem a somar-se a outros locais socias que que nos últimos meses tenhem aberto em diferentes pontos do país para promover a cultura e a língua nacional da óptica reintegracionista.

Biografia de Henriqueta Outeiro

Henriqueta Outeiro Branco, alcunhada "Maria das Dores", foi umha militante comunista e feminista nascida na casa Ribom da paróquia de Miranda, em Castro Verde, a 26 de Fevereiro de 1910. Após finalizar os estudos no colégio da Milagrosa de Lugo, exerceu de mestra na escola de Sam Cosme de Barreiros, em Ribadeu, onde impulsionou actividades teatrais e criou a companhia "O Punteiro do Carrinho". Posteriormente seguiu exercendo magistério em diferentes pontos da geografia nacional: Ferreiros de Fonsagrada, Montefurado, Vila Garcia de Arouça, Ponte Vedra e Santo Estevo de Gormaz.

Depois de aprovar as oposiçons, deslocou-se a Madrid, onde foi destinada como mestra e onde entra em contacto com o marxismo.

A Guerra Civil

Nos primeiros dias da Guerra Civil, alistou-se na Primeira Brigada Móvel de Choque, passando de seguido a ocupar responsabilidades no hospital de Carabanchel onde ingressavam @s milician@s ferid@s no frente. Mais tarde ostentou o grau de Comandante como Miliciana da Cultura no Primeiro Batalhom Móbil de Choque dirigido por Valentín González "El Campesino".

Nos primeiros dias da vitória do fascismo evitou a sua detençom logrando escapar baixando polas canalizaçons do prédio do local central das Milícias da Cultura em Madrid. Apanhou um comboio na estaçom do Norte para Lugo, refugiando-se na casa do cura de Santiago a Nova. Sendo denunciada voltou a fugir, dedicando-se a organizar a resistência armada contra o franquismo no Norte da Galiza.

A guerrilha

Henriqueta Outeiro, como militante comunista, participa activamente na vertebraçom da resistência guerrilheira ao franquismo com Domingos Andrade "Foucelhas", Marcelino Rodrigues Fernandes "Marrofer", José Castro Veiga "Piloto", Júlio Neto, Ramom Viveiro ou Pepe Vicente.

Umha infiltraçom policial provocou a sua queda numha emboscada a 14 de Fevereiro de 1946. Resistiu em solitário à Guardia Civil durante mais de três horas, e após romper o cerco logrou afastar-se vários quilómetros das forças repressivas mediante disparos e lançamento de bombas de mao, mas umha rajada de metralhadora feriu-na nas pernas e foi detida. Durante a estadia no hospital militar de Lugo, foi selvagemente torturada e tivo que presenciar o corpo do seu companheiro Pepe Vicente destroçado polas malheiras. Os maus tratos prosseguírom no hospital civil da cidade das muralhas, apesar de que estava praticamente com todo o corpo engessado.

A prisom

Foi condenada à morte num Conselho de Guerra celebrado a 17 e 18 de Julho de 1946. As pressons internacionais, a ampla campanha de solidariedade desenvolvida pola III Internacional e a intercessom da Igreja provocárom que a pena fosse comutada por 34 anos de prisom, dos quais cumpriu 19, percorrendo as mais importantes prisons franquistas: Corunha, Amorebieta, Segóvia, Ventas, Guadalajara e Alcalá de Henares, de onde saiu em 1965 mantendo incólumes os seus ideais revolucionários.

A liberdade

Apesar da sua mermada saúde, nesse mesmo ano começou a levantar com as suas maos umha casa na sua paróquia natal, dedicando-se às tarefas agrícolas. Em 1975, começou a construçom da "Casa da Mulher Cándida", como homenagem a sua mae, como centro para formar profissional, laboral e socialmente a mulher e combater "o vírus venenoso e perturbador do machismo".

Reabilitada para o exercício do magistério um ano antes da sua reforma em 1977, fundou a Associaçom Cultural "O Carrinho" com o objectivo de fomentar a cultura de base, emulando as universidades populares republicanas mediante "missons pedagógicas". Mesmo tentou reabilitar abandonadas escolas unitárias, como a de Calhás, para a que chegou a comprar mobiliário.

Em 1977, foi candidata ao Parlamento espanhol polo Partido Comunista, do qual se foi afastando a partir desse momento.

Os últimos anos

Henriqueta Outeiro Branco morreu no hospital de Sam José de Lugo a 31 de Outubro de 1989, quando ia cumprir os oitenta anos. As seqüelas dos ferimentos em combate, da trombose padecida em 1985, e a avançada idade nom fôrom obstáculos para continuar luitando até que conservou o derradeiro alento. "Enquanto me restar um rescoldo de vida, utilizarei-na para favorecer a sociedade, que é o ideário máximo de todo comunista" afirmava numha entrevista publicada por "El Progreso" a 29 de Janeiro de 1987.

Os últimos anos da sua trajectória de comunista e feminista galega estivérom dedicados a divulgaçom da cultura e a organizar a homenagem aos milhares de trabalhadoras e trabalhadores galeg@s que entregárom a vida na luita contra o franquismo, em prol da liberdade e a justiça, nos montes, nas fábricas e nas ruas desta imensa pátria chamada Galiza.

Henriqueta Outeiro Branco foi um exemplo de mulher comprometida que tentou sempre, na sua dilatada e intensa existência, levar à prática os ideais a que dedicou a sua vida.


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