Manifesto de NÓS-UP com motivo do Dia das Letras: Na Galiza só em Galego. Defendamos os nossos direitos lingüísticos

O passar dos anos tem demonstrado as limitaçons da cooficialidade subalterna como estatuto jurídico para o nosso idioma. O Galego, estendido ao longo do planeta e oficial na maior parte dos organismos internacionais sob o nome de Português, esmorece no país que lhe deu a vida há mais de um milénio, na Galiza.

Hoje, o lamentável estado de saúde da nossa comunidade lingüística, oculto em reconhecimentos retóricos e falsas promoçons sentimentalóides, dá a medida do também lamentável estado de saúde democrática na Galiza.

O Regime espanhol imposto ao nosso País, junto com as forças políticas, económicas e sociais o sustentam, negam-nos qualquer direito colectivo. Em nome dos direitos individuais e da "cidadania", imponhem um modelo institucional, económico, cultural, à medida do projecto nacional espanhol, que passa pola progressiva liquidaçom dos sinais da identidade colectiva do povo galego. Na Galiza, sem direito à língua nom há democracia.

E, na Galiza, o direito à língua, eminentemente colectivo, pretende ser reduzido a inofensiva opçom individual. "Cada qual pode falar o idioma que quiger", dim-nos, enquanto imponhem a hegemonia do espanhol como instrumento social em todos os ámbitos de uso possível. Qualquer pode falar galego, mas o espanhol é a única língua hegemónica nos ámbitos laboral, judicial, mediático, educativo,... podemos falar galego desde que nom molestemos...

Todos os estudos e dados conhecidos confirmam a tendência descrita. A possibilidade de mudá-la está, como sempre, em maos dos sectores sociais interessados em fazer do Galego a única língua oficial da Galiza, recuperando todos os usos sociais significativos para o nosso idioma.

Nengumha medida jurídica, nengumha campanha institucional ou promoçom afectiva podem substituir o protagonismo da própria articulaçom social em defesa da língua. Esse é o único caminho para inverter as nefastas tendências actuais.

Frente à reduçom dos nossos direitos ao ámbito do uso individual, devemos defender o carácter social e territorial da língua e, portanto, dos direitos lingüísticos. O direito à língua deve ocupar lugar de destaque na reivindicaçom dos nossos direitos nacionais.

Com estas premissas, NÓS-Unidade Popular apoia sem reticências a necessária unidade dos sectores sociais interessados em normalizar a sério o nosso idioma. Saudamos por isso a criaçom durante os últimos tempos de entidades comarcais de defesa da língua e apoiamos a coordenaçom e unidade estratégica das diversas dinámicas em direcçom ao objectivo comum que nos une.

É muito o trabalho que temos à nossa frente: é preciso reclamar o cumprimento de aquilo que a Lei espanhola já nos reconhece e nom se cumpre, mas isso nom chega. Nom chega com reclamar o cumprimento dos horários lectivos na nossa língua, por falarmos do ámbito educativo. Cumpre organizarmos os diversos sectores da comunidade educativa e dar passos efectivos que fagam do Galego língua veicular do ensino. A oferta de modelos educativos avançados como os existentes noutros países com língua própria minorizada é outro objectivo táctico que deve incluir-se no programa normalizador.

No ámbito mediático e institucional, além de exigirmos a galeguizaçom dos meios públicos, cumpre também trabalharmos pola recepçom das ondas televisivas e radiofónicas portuguesas, e reclamarmos o reconhecimento efectivo da unidade lingüística galego-portuguesa. O reintegracionismo é mais do que nunca umha ferramenta imprescindível em qualquer estratégia normalizadora realista, e nengum sucedáneo isolacionista disfarçado de "consenso normativo" pode substitui-lo.

Sem descuidarmos as exigências às instituiçons públicas, devemos avançar na extensom da consciência lingüística e a articulaçom dos sectores normalizadores. A rede de centros sociais e entidades normalizadoras ao conjunto do país e a sua coordenaçom é um passo na direcçom certa.

A filiaçom de NÓS-Unidade Popular e o conjunto da esquerda independentista participará junto aos diversos sectores normalizadores nessa nova dinámica que se enxerga, tam necessária como ilusionante.

Avante a unidade e a luita em defesa dos nossos direitos lingüísticos!
Na Galiza, só em Galego!

Galiza, 17 de Maio de 2004


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