Comando ianque no Iraque contrata mercenários experientes em violaçons de direitos humanos

11 de Abril de 2004

O governo de George W. Bush está a contratar mercenários com histórico de abusos aos direitos humanos na África do Sul, Chile e Irlanda do Norte como os guardiáns do seus projecto de "democratizaçom" do Iraque.

O Pentágono refere-se freqüentemente aos seus "sócios da coligaçom", as tropas de outros países que combatem no Iraque ao lado das forças estadunidenses, mas o maior contingente internacional após os estado-unidenses nom é o da Gram-Bretanha ou o da Espanha, e sim o dos "contratados" militares privados que representam 10% dos efectivos militares das tropas invasoras no Iraque.

Na semana passada, quatro destes contratados militares privados, ex-soldados de forças especiais estado-unidenses que trabalhavam para a Blackwater Security Consulting Company, fôrom mortos e os corpos de dous deles pendurados numa ponte perto de Falluja. A imagens desses mercenários calcinados e arrastados polas ruas da cidade dérom a volta ao mundo, afirmando os media ocidentais serem "civis norte-americanos".

Aparentemente a Blackwater nom conseguiu contratar estado-unidenses suficientes — ex-soldados na maioria — para preencher todas as vagas que tem no Iraque e começou a contratar ex-militares chilenos da época de Augusto Pinochet.

Salários de mil dólares por dia

O jornal The Guardian relatou em Fevereiro deste ano que a empresa enviou o primeiro contingente de uns 60 ex-comandantes chilenos ao Iraque com salários que chegavam até os mil dólares por dia.

John Rivas, ex-integrante da Armada chilena, declarou ao jornal La Tercera que o seu trabalho no Iraque resultaria num "rendimento muito bom" para a sua família. "Nom me sinto como mercenário", acrescentou.

Um porta-voz da Blackwater informou ao diário The Guardian que "os comandos chilenos som muito, muito profissionais".

Mas analistas de assuntos estratégicos, como o colaborador desse diário Michael Klare, questionárom a forma de seleccionar as tropas privadas a participar na guerra no Iraque.

Em artigo recente publicado no The Nation, informa da contrataçom da empresa sul-africana Erinys para proteger os oleodutos iraquianos. Nom se sabia muito desta companhia até poucos meses atrás, quando um empregado da Erinys foi morto e vários outros feridos no Iraque.

Os meios de comunicaçom sul-africanos descobrírom que François Strydom, o soldado privado da Erinys morto no Iraque, foi integrante do famigerado grupo contra-insurgente Koe-voet, implicado em numerosos assassinatos políticos na Namíbia nos anos 80.

Um dos sul-africanos feridos no Iraque foi Deon Gouws, ex-membro da polícia secreta da África do Sul na época do apartheid, que durante as audiências da Comissom da Verdade nos anos 90 confessou ter participado num atentado contra um opositor político e incendiado os lares de 40 a 60 activistas contra o regime de segregaçom racial.

Estima-se que haja uns 10 mil soldados privados trabalhando no Iraque, segundo o Washington Post. Um deles é Derek William Adgey, ex-royal mariner británico, contratado pola empresa inglesa Armor Group para trabalhar ali.

A organizaçom de investigaçons empresariais CorpWatch relatou no mês passado que antes de viajar para o Iraque, Adgey estivo na prisom durante quatro anos polo seu trabalho com os Ulster Freedom Fighters, na Irlanda do Norte.

Grupos de direitos humanos exprimírom as suas preocupaçons com os perigos que trazem os exércitos privados e agentes de serviços de segurança privada destacados no Iraque mas, segundo Klare, os EUA também reactivárom algumas das unidades militares mais notórias do exército da era do Vietnám a fim de participar no conflito iraquiano.

Assinala que entre os grupos armados mobilizados para defender um oleoduto de 300 milhas (483 km) que transporta petróleo de Kirkuk, no Norte, à fronteira turca, destaca-se a unidade Tiger Force, da aerotransportada 101 estado-unidense.

"Armados com miras de visom noturna e rifles de alto poder M-107 de calibre .50, os franco-atiradores sobrevoárom os oleodutos em helicópteros UH-60 Black Hawk especialmente configurados e disparárom contra suspeitos de sabotagens a distáncias de mais de 1,5 milha (2,4 km)", escreveu Klare.

"Podemos golpear um objectivo antes que saiba que estamos ali", afirmou um sargento da unidade.

Depois de destacar que os disparos fôrom feitos, sem confirmar a identidade dos presumidos suspeitos ou que estivessem cometendo actos hostis, Klare acrescenta que a unidade Tiger Force foi empregada durante a guerra do Vietnám para assassinar guerrilheiros e os seus simpatizantes civis.

O jornal Toledo Blade, de Ohio, ganhou o Prémio Pulitzer esta semana polas suas reportagens em que descreve os crimes de guerra cometidos por esta unidade no Vietnám, e dá exemplos como o incidente da matança de cem civis vietnamitas em 1967 numha série de factos sangrentos.

Claro que nengum dos actuais integrantes daquela unidade que agora estám no Iraque estivo no Vietnám, mas Klare sugere que a reactivaçom de umha unidade tam manchada com este histórico é algo "grotesco".

Há exigências no Chile e na África do Sul no sentido de realizar umha investigaçom sobre a utilizaçom destes mercenários, ou contratados privados, como preferem ser chamados. Mas até agora nos Estados Unidos nom há tais exigências.

Fonte: Resistir.info e Vermelho.org.br

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