Apelo antiimperialista português

10 de Abril de 2004

O colectivo promotor da revista comunista portuguesa Política Operária difundiu um apelo à solidariedade com a resistência dos povos iraquiano, palestiniano e afegao, ao tempo que exige a desvinculaçom do Governo português da estratégia imperialista e reclama a retirada da GNR de território iraquiano. Reproduzimos a seguir o texto dos e das camaradas portugueses da Política Operária:

Cresce a resistência do povo iraquiano
A aventura de Bush a caminho do naufrágio
Portugal deve desligar-se já do bando agressor

A situaçom no Iraque atravessa umha viragem dramática. Em Faluja, Najaf, Nassiria e outras cidades, a populaçom pegou em armas contra os odiados invasores e inflige-lhes pesadas baixas. O Iraque entra numha situaçom pré-insurreccional. Na tentativa de esmagar a revolta, as tropas ocupantes estám a assassinar centenas de civis. Nom conseguirám porém evitar o naufrágio da aventura em que se metêrom. Iraque, Palestina, Afeganistám - o Verao anuncia-se quente para o imperialismo.

Os últimos acontecimentos tornam cada vez mais irrisórios os anúncios periódicos de que o Iraque estaria "pacificado" e em vias de instaurar um regime democrático. O número de dez mil mortos civis desde o início da invasom, divulgado pola Amnistia Internacional, revela a brutalidade terrorista dos pretensos "libertadores". A transferência de poderes para um "governo provisório" fantoche é cada vez mais problemática e este pode entrar em desagregaçom.

A revolta popular também está a comprometer a tentativa de Washington de interessar as potências europeias na ocupaçom, a troco de lhes dar sociedade nos negócios do petróleo e da reconstruçom - todo sob a capa da ONU e com a desculpa de que é para evitar umha guerra civil entre iraquianos. A partir de agora, com xiitas e sunitas erguendo-se por igual contra o ocupante, os dirigentes europeus terám de pensar duas vezes antes de se meter no vespeiro iraquiano.

A juntar a este desaire, a operaçom de "cerco e aniquilamento" lançada polo regime do Paquistám foi um fracasso que ainda mais exacerbou a hostilidade das populaçons fronteiriças contra a brutalidade das tropas; o tiro saiu pola culatra ao traidor Musharaf. No Afeganistám, também a resistência cresce e o governo fantoche de Karzai está paralisado.

Para já, a saída que encontram os estrategos de mentalidade hitleriana do Pentágono é despachar mais tropas para a regiom. Apostam em mais repressom, mais expediçons, mais atrocidades. Mas, seja qual for o desenlace da luita no imediato, os imperialistas já sofrêrom um pesado revés. Com o aumento imparável das baixas nas suas tropas cresce o alarme da opiniom pública. Em todo o mundo redobra o repúdio contra esta guerra odiosa arquitectada sobre mentiras. A aventura de Bush & Cia. caminha para o desastre.

Portugal fora desta guerra!

A "missom de paz" da GNR é umha fraude. O comandante geral da GNR acaba de dizer que "se o conflito se agudizar, terá de haver um reforço das Forças Armadas". O governo de Durão-Portas tem que prestar contas por ter atrelado Portugal a esta criminosa aventura imperialista.

A cumplicidade com os EUA expom a populaçom portuguesa a todas as retaliaçons. A responsabilidade do que acontecer é do Governo. Aliás, Durão sabe-o bem, como o sabia Aznar, mas esse é o preço que está disposto a pagar para ter as boas graças dos seus patrons.

Ao mesmo tempo, usa esse risco como argumento para excitar a histeria antiterrorista e montar um aparelho policial de tipo pidesco. A recente operaçom policial combinada em seis países europeus contra um partido turco de esquerda ("culpado" de luitar contra umha ditadura militar-fascista!) é um ensaio para a repressom em larga escala que os governos da Uniom Europeia preparam contra todas as forças de esquerda. É agora que é preciso impedi-los!


Invasores fora do Iraque!
Solidariedade com os povos do Iraque, Palestina e Afeganistám em luita!
Retirada imediata da GNR!
NATO fora das Lajes!

10 de Abril de 2004

Política Operária


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