O papel espoliador das multinacionais espanholas na América Latina e África

31 de Março de 2004

Diversos organismos sociais e populares espanhóis, cataláns e latino-americanos tenhem denunciado a funçom saqueadora da multinacional petrolifera espanhola no continente sul-americano. Exploraçom extrema de milhares de trabalhadores e trabalhadoras no Peru, no Equador e na Argentina, poluiçom incontrolada de rios no Equador e na Bolívia, agressom ambiental às comunidades indígenas em vários países. Também em África aplica Repsol-YPF a sua política de agressom capitalista e saqueadora.

O colectivo espanhol "Paz con Dignidad", o catalám "Repsol Mata", bem como colectivos populares mapuches e aimaras no continente americano promovem campanhas de denúncia contra o impacto negativo a nível sócio-ambiental da multinacional espanhola Repsol-YPF.

Entre as denúncias salientam as relativas às condiçons laborais dos seus trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo. Assim, na refinaria peruana da Pampilla nom tem havido nengumha actualizaçom salarial nos últimos quatro anos, sendo constantes as "reestruturaçons" dos quadros de pessoais, incluindo o despedimento de cententas de pessoas, em número crescente. No Equador, os seus empregados som quem tenhem os ordenados mais baixos da indústria petrolífera, apesar de trabalharem durante jornadas de até 15 horas por dia, sem pagamento de horas extra. Na Argentina, nas cidades de Masconi e Tartagal, 70% da populaçom ficou desempregada após a privatizaçom de YPF, tendo descido os ordenados de 1200 dólares USA para 200. 11.000 hectares das comunidades mapuches de Kaxipayiñ e Paynemil, as refinarias privatizadas e fechadas na provincia de Salta, o humidal e o parque nacional de Llancanelo som palco das agressons económicas e ambientais da multinacional espanhola.

Também no Estado espanhol existe umha exploraçom gritante sobre os sectores mais desfavorecidos da classe trabalhadora: o colectivo de imigrantes, obrigados a trabalhar no reparto de botijas sem qualquer contrato nem salário, contando apenas com as gorjetas que os clientes decidirem dar-lhes.

Voltando para a América, 80% da comunidade nacional indígena huaorani do Equador é portadora de hepatite, como resultado da exploraçom desordenada do petróleo, tendo-se registado um número importante de mortes como conseqüência do consumo de água poluída polos poços petrolíferos de Repsol YPF. O aumento de metais pesados em sangue na populaçom mapuche argentina é o resultado do soterramento de refugos de produçom da Repsol, que carecem de qualquer tratamento prévio. Também foi verificada a intoxicaçom crónica por hidrocarburos na populaçom mapuche.

No Peru, na citada refinaria da Pampilla, os trabalhadores e trabalhadoras moram em bairros de lata paupérrimos, enquanto na Colômbia se instalam bases militares para vigiar as instalaçons, ajudando na repressom física de sindicalistas e colaborando com massacres paramilitares contra sectores populares acusados de "envolvimento com a guerrilha marxista".

Além do dito, Repsol tem o hábito de declarar perdas em estados como o equatoriano, para evitar o pagamento da IVA às instituiçons do país, com as quais mantém importantes dívidas pola falta de pagamento do transporte de petróleo através do oleoduto transequatoriano. Isto, apesar de ser a empresa espanhola com maiores lucros no ano 2000 e umha das mais lucrativas nos anos seguintes.

No que di respeito às agressons ambientais, os seus investimentos na exploraçom petrolífera conduz oleodutos em áreas naturais protegidas, destruindo a biodiversidade e contaminando a água dos rios e inutilizando-os para a pesca por parte de comunidades indígenas que dependem desses recursos naturais desde há séculos. Na Bolívia, 7 parques nacionais, refúgio universal da biosfera, estám seriamente atingidos pola actividade espoliadora de Repsol.

No caso do território mapuche sob administraçom argentina, o solo altamente poluído tem sido quantificado em 630.000 metros cúbicos, com valores elevadíssimos de constituintes perigosos como o cromo, o chumbo, o arsénicos, naftaleno, pireno e compostos aromáticos em camadas do solo de até 6 metros de profundidade. As águas estám poluídas em 50% com metais pesados, hidrocarburos e fenóis por cima da fasquia legal.

Em território africano, países como a Nigéria e a Argélia padecem a extorsom de Repsol-YPF. Na Nigéria, participa em monumentais subornos de funcionários em troca da exploraçom de recursos, participando na repressom contra povos do Delta do Níger. Na Argélia, participa do saque das riquezas do país e colabora na repressom do Estado pró-ocidental contra o povo da Cabília.

Eis a concreçom do "progresso" dirigido polas grandes multinacionais espanholas nas suas áreas de influência na América e África, exemplificadas numha das mais potentes, mas extensível a outras como a Telefónica ou, no sector têxtil, Mango, Inditex, Cortefiel e Induyco-El Corte Inglés.

 

Voltar à página principal