É já tempo de ir para a rua a gritar

Artigo de opiniom de Eduardo Sanches Maragoto, trabalhador do Ensino e activista em defesa da nossa língua e cultura, integrante da candidatura eleitoral apresentada por NÓS-Unidade Popular ao Parlamento europeu nas eleiçons de Junho. Eduardo Sanches reflecte neste artigo sobre o momento que vive o movimento normalizador, poucos dias antes da manifestaçom nacional convocada polo conjunto de entidades reintegracionistas em Compostela para o dia 16 de Maio.

É já tempo de ir para a rua a gritar

Eduardo Sanches Maragoto

Na verdade, sempre foi. Surpreende é que o nacionalismo galego nom tenha feito da questom da unidade da língua um argumento fulcral do confronto político em mais de vinte anos de actividade partidária na Comunidade Autónoma Galega. Mas surpreende ainda mais, e por isso muito menos o anterior, que o movimento reintegracionista tivesse ficado conforme com o fraquinho papel de colorir o debate cultural galego.

Poderemos culpar a censura, e teremos razom. Poderemos culpar as parcas aspiraçons soberanistas da liderança nacionalista, e ainda teremos razom, mas temos de reconhecer também, que, durante duas décadas, o reintegracionismo nom tem tido suficiente valentia para converter a principal problemática cultural e lingüística do País num debate difícil de evitar para os nossos agentes culturais e políticos.

Muito temos melhorado nos últimos anos, encorajados por umha realidade que teimosamente avaliza o nosso projecto e pola saudável sensaçom de estarmos a trabalhar melhor e mais unidos e unidas. Encetando umha impecável Temporada das Letras, no dia 16 de Maio vamos ter umha boa prova disto.

O Reintegracionismo, pola primeira vez na sua história, vai demonstrar que quer estar presente na Galiza de um outro modo, e que portanto nom renuncia às datas referenciais galegas para espalhar a sua mensagem mais além dos habituais círculos culturais, vai demonstrar que nom renuncia a dialogar politicamente com a sociedade, e vai demonstrar que nom está disposto a ceder o monopólio da reivindicaçom lingüística a quem irresponsavelmente tem banido do seu agir a reclamaçom da unidade da língua. Por isso, a manifestaçom convocada em Compostela para a véspera do 17 de Maio polos colectivos reintegracionistas unidos é umha boa notícia.

Por ser AGORA, em plena regeneraçom do nosso movimento, e por ser REINTEGRACIONISMO a palavra de ordem escolhida para umha manifestaçom, pola primeira vez:

AGORA É REINTEGRACIONISMO, porque está na hora de sairmos à rua gritar, exigir. Sermos mais ou menos pessoas nom é um problema que agora tenhamos, mas sermos alguém ou ninguém. Por mais que nos esforcemos, nom poderemos ocultar que por enquanto somos umha pequena minoria, mas umha minoria que nunca conseguiremos alargar se nom nos exibirmos, sejam quais forem as nossas forças iniciais.

AGORA É REINTEGRACIONISMO, porque está na hora de tornarmos a unidade da língua um debate político nesta sociedade, para além do projecto cultural que nunca deixou de ser, o único possível. E para que assim seja, nom podemos estar à espera do artigo da Queizán, Suso de Toro ou Xavier Alcalá (que bem-vindos sejam). Também nom podemos estar à espera de que os nossos adversários e adversárias discutam connosco acerca de cousas que nunca propugemos a mais ninguém, que nunca propugemos à sociedade.

AGORA É REINTEGRACIONISMO, porque nom está na hora de nos lamentarmos pola mesma censura de há vinte anos, mas de exigirmos para connosco o mesmo respeito que reivindicamos para a nossa língua.

AGORA É REINTEGRACIONISMO, porque nom está na hora de nos queixarmos por ter ficado excluídos, nem de esperarmos polo convite de quem gostaria de nos ver sempre na marginalidade.

AGORA É REINTEGRACIONISMO, porque a infrutuosidade de qualquer projecto normalizador segregacionista virou muito difícil de esconder. A falta de ilusom e ideias é evidente. O reintegracionismo é já o único movimento que pode estimular um futuro movimento normalizador.

Oxalá esta manifestaçom nom fique por aqui, como tantas outras cousas que às vezes encetamos, e se torne num referente anual imprescindível para o reintegracionismo, para o movimento normalizador e para a nossa língua, numha marcha que consiga unir de ano para ano mais pessoas em Compostela.

O dia nom podia estar melhor escolhido, a véspera do 17 de Maio, cita inescusável da imprensa diária com o galego e as suas problemáticas. Talvez nos tenha faltado esse olfacto noutras ocasions, talvez nos tenha faltado a vontade de sermos protagonistas, de aspirarmos a nos converter num movimento hegemónico.

 

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