AGIR publica um volume com textos do Che na nossa língua

22 de Outubro de 2004

Quando se comemoram os 37 anos da queda em combate do Che Guevara, a organizaçom estudantil da esquerda independentista publica um volume com seis textos do grande revolucionário latino-americano sob o título "Até a vitória sempre". A editora AGITA disponibiliza assim pola primeira vez na nossa língua e na nossa naçom os textos: Reforma universitária e revoluçom, O socialismo e o homem em Cuba, Discurso ao receber o Doutoramento Honoris causa da "Universidad Central de Las Villas", A ofensiva final. A Batalha de Santa Clara, O que deve ser um jovem comunista e a Carta de despedida do Che dirigida a Fidel e ao Povo cubano.

O caderno poderá descarregar-se nuns dias dó sítio web de AGIR ou ser comprado na sua ediçom em papel ao preço popular de 4 €.

A seguir, reproduzimos na íntegra o prólogo elaborado polo Conselho Nacional de AGIR que abre o caderno e que nos foi facilitado pola entidade estudantil independentista:

Prólogo do Conselho Nacional de AGIR

À altura do 37 aniversário do assassinato do revolucionário argentino Ernesto Che Guevara, que tivo lugar na Bolívia em 9 de Outubro de 1967, AGIR edita este caderno com textos do próprio Che com a intençom de lhe fazer umha homenagem à sua figura assim como para relembrar algumha das suas contribuiçons teóricas.

O capitalismo, de forma muito consciente e imoral, tem feita também sua a figura do Che. Chaverios, camisolas, marcas de cervejas, etc, som alguns dos lugares onde o rosto do argentino foi estampado para depois a sua significaçom ser canalizada cara a uns vieiros muito menos profundos dos que o Che percorria quotidianamente.

A imagem do aventureiro, do representante dos ideais de juventude, em definitivo, a procura de umha figura tam vazia de conteúdo que na altura lhe pode resultar tremendamente amável às pessoas que praticam opressons e injustiças. Estes som objectivos que estám detrás da mercantilizaçom do seu rosto. Mas é precisamente esse vazio o que nós dalgum jeito pretendemos encher, e para tomarmos posicionamento contrário a esta apropriaçom indevida da sua figura, que dito seja de passo está motivada pola incomodidade que apresenta para este sector que é minoritário e que o Che combatia e para o que segue sendo um perigo real.

O facto de o Che ter sido um grande leitor -na sua andaina pola selva boliviana, dentro da sua mochila, levava a História da Revoluçom Russa de Leom Trotsky-, e o de ter feito muitas viagens pola América -o que provocou um contacto directo com os problemas reais das pessoas-, fôrom as motivaçons que o levárom, pola teoria e prática que conhecia, pois, ao activismo político que em trece anos aproximadamente -entre 1953 e 1967- o levárom trás ser um dos líderes indiscutíveis da revoluçom cubana a morrer em combate a maos do exército boliviano acompanhado e aconselhado polo serviço de inteligência ianque para depois ser atirado a umha fosa comum.

O compromisso político do Che estava dirigido face a construçom de umha nova sociedade cujo eixo e peça chave é o que ele denominou o homem novo, por isto é que o Che tem aprofundado e gastado esforços por que as suas palavras chegassem também à mocidade, a quem lhe dedicou discursos e artigos para que assim, como ele figera, o presente e futuro, naquela altura, da revoluçom estivesse em maos de jovens formad@s.

Depois de renunciar aos postos mais altos da revoluçom cubana, abandonar a ilha, e algumha fracassada experiência no Congo decide participar no processo revolucionário que estava tendo lugar na Bolívia, onde lhe fôrom amputadas as maos e tivo lugar como já dixemos o seu assassinato.

O activismo, o compromisso, o carácter de revolucionário comprometido até as últimas conseqüências, a generosidade, a coerência, o voluntarismo, o comportamento exemplar ou a firmeza som qualificativos que definem a figura de Ernesto Guevara, e que convertiam o Che numha pessoa alheia às motivaçons do materialismo capitalisa, em definitivo, a figura do argentino é a do autêntico arquétipo de revolucionário.

Além do mais, a inusitada heterodoxia do Che envolve a sua figura de tal frescura que semelha nom ter sido explorada em toda a sua dimensom, mesmo ele, desde certo momento da sua vida, foi crítico com o modelo de socialismo que se estava aplicando no bloco do Leste, facto que nos tem de valer para acreditar na ideia de que o futuro está ainda por construir, de que se deve construir, e que tem de estar inçada dos valores que o Che posuiu até a sua morte física, mas para que o seu pensamento latente se converta em ferramenta material para nós.

Em 22 de Janeiro de 1961, o Che, recordando-lhe Fidel Castro à milícia em Cabañas, pronunciou umhas palavras que de algum jeito podem resumir a significaçom e os valores que o argentino segue tendo, dizia: nom acentuar as diferenças, senom acentuar todos os pontos de contacto, todas as aspiraçons honestas, que nos permitam marchar junt@s até a vitória.


Conselho Nacional de AGIR, Outubro de 2004

 

Voltar à página principal