As perdas causadas polo bloqueio ianque contra Cuba ascendem a mais de 1’8 bilhons de dólares por ano

5 de Outubro de 2004

O chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, apresentou ante a imprensa cubana e internacional o Relatório de Cuba que será votado em 28 de Outubro na Assembleia Geral da ONU, e que sob o título "Necessidade de pôr fim ao bloqueio económico, comercial e financieiro imposto polos Estados Unidos da América contra Cuba", contém elementos suficientes que reafirmam o carácter genocida das leis aplicadas polas últimas dez administraçons estado-unidenses e que agora o presidente George W. Bush torna mais cruéis, e cujo único objectivo é asfixiar a Revoluçom e render pola fame o heróico povo cubano. Na sua intervençom, o ministro cubano realizou umha exaustiva explicaçom das conseqüências do bloqueio, que inclui, por exemplo, elementos de data tam longínqua como 6 de Fevereiro de 1959, quando os Estados Unidos se apropriárom de 424 milhons de dólares que grupelhos batistianos tinham roubado e levado para esse país, e que jamais fôrom devolvidos.

Comentários sobre os efeitos do bloqueio também figérom o ministro da Cultura, Abel Prieto; funcionários do sector artístico, cientistas, trabalhadores do níquel e do petróleo e muito especialmente duas crianças cegas, da Escola Especial Abel Santamaría que reconhecêrom que a Revoluçom cubana lhes tinha dado todo o necessário para a sua formaçom, exigindo o fim do bloqueio que tanto os prejudica, como a todos os cubanos.

Na seqüência de factos que o chanceler cubano resumiu, pode-se apreciar que em 24 de Junho de 1959 —cinco meses depois do triunfo revolucionário — o Departamento do Estado norte-americano convocou para umha reuniom para ordenar que «cabe ao governo dos EUA assumir logo uma posiçom firme contra a Lei de Reforma Agrária e sua implementaçom», decidindo que «a melhor maneira de atingir o resultado necessário era a pressom econômica».

Em 6 de abril de 1960, Lester D. Mallory, subsecretário do Estado para Assuntos Interamericanos, expressou que «a maioria dos cubanos apoiavam Castro» e que «na Ilha nom existe umha oposiçom política efectiva», anunciando cinicamente que «o único meio previsível para acabar com o apoio interno é através do desencanto e o desalento, baseados na insatisfaçom e as necessidades económicas, (...) deve se utilizar qualquer meio concebível para enfraquecer a vida económica de Cuba (.,..) negar dinheiro e produtos a Cuba para diminuir os salários reais e monetários para provocar a fame, o desespero e o colapso do governo». Assim nasceu oficialmente o criminoso bloqueio, que desde o início mesmo utilizou a fame e o desespero como arma para derrubar a Revoluçom Cubana.

Entre 1960 e 1961, entre outras cousas, o governo dos Estados Unidos suspendeu as operaçons da usina de níquel de Nicaro, suprimiu totalmente a quota açucareira, suspendeu as relaçons diplomáticas com Cuba e organizou, financiou e dirigiu a invasom mercenária que desembarcou, em 17 de Abril de 1961, pola Baía dos Porcos, e que foi derrotada.


ACÇONS NOVAS E MAIS CRIMINOSAS

Em 1965, umha manobra ianque no seio da OEA, levou à interrupçom das relaçons diplomáticas da maioria dos países latino-americanos (à excepçom do México) com Cuba. Em 24 de Março desse mesmo ano, o Departamento do Tesouro dos EUA aprovou umha das medidas que mais dano tem feito ao país, durante estas quatro décadas: a proibiçom de entrada no território norte-americano de qualquer produto produzido total ou parcialmente com matéria-prima de origem cubana, embora fosse em um terceiro país.

Em Julho de 1963, entrou em funcionamento o Regulamento para o controlo dos activos cubanos, que impede todas as transacçons de Cuba e congela os valores do Estado insular dentro dos Estados Unidos. Do dinheiro confiscado ilegalmente, 96 milhons de dólares fôrom entregues à extrema direita contra-revolucionária para financiar actividades terroristas contra a Ilha.

Devemos lembrar que com o objectivo de derrubar a Revoluçom, para voltar a impor o domínio neocolonial, o dano económico provocado polo bloqueio ultrapassa os 79,3 bilhons de dólares, com o qual sete em cada dez cubanos tenhem nascido e vivido sob esta política criminosa, sofrendo as penúrias e limitaçons que esta política brutal impom ao povo cubano.

Além do mais, polo seu carácter extraterritorial, ao obrigar ao cumprimento por parte de empresas e cidadaos doutros países, das leis norte-americanas, o bloqueio e as leis nesse sentido violam o Direito Internacional.

OUTROS EXEMPLOS

O documento, apresentado na sede do Ministério das Relaçons Exteriores, exemplifica oito proibiçons estabelecidas por esta agressiva política. Cuba nom pode vender a empresários norte-americanos. Se o figer, em 2003 teria vendido 604 mil toneladas de açúcar no valor de 196,2 milhons de dólares; 35 mil toneladas de níquel que representariam mais de 450 milhons de dólares, e 2 mil toneladas de cobalto no valor de 75 milhons; além de 118 milhons em charutos e fumo, com só 35% das exportaçons nesse ámbito.

Também nom se pode importar dos Estados Unidos, por isso, ao estar obrigada a fazê-lo de terceiros países mais longínquos, a Ilha sofreu perdas de 18 milhons, até 2003.

Cuba é impedida de receber turistas estado-unidenses. Por isso, nos últimos cinco anos, segundo cálculos conservadores, deixárom de visitar a Ilha 6,5 milhons de turistas norte-americanos. Isso teria significado receitas por 4225 bilhons de dólares.

Neste sentido, as regulamentaçons norte-americanas estabelecem puniçons para aqueles que viajem a esse país, que chegam até dez anos de prisom e multas por 1 milhom de dólares para as corporaçons, e até 250 mil os particulares. Exemplo de como se aplicam estas medidas é que em data recente a entidade bancária suíça UBS foi multada em 100 milhons por realizar transaçons financeiras em dólares com Cuba.

Ainda, Cuba nom tem acesso a organismos financeiros internacionais, proibírom o comércio com subsidiárias de companhias estado-unidenses em terceiros países, e os navios de terceiras naçons que cheguem a porto cubano som sancionados a nom menos de seis meses sem poderem atracar em portos norte-americanos.

O QUE SE PODERIA FAZER SE NOM EXISTISSE O BLOQUEIO

A Administraçom do presidente George W. Bush levou as leis do bloqueio a um extremo tal que até criou um escritório de controlo de activos no estrangeiro, com cinco vezes mais agentes para perseguir e investigar aqueles que o violassem, que os que se dedicam a farejar as finanças da rede terrorista Al Qaeda.

Entre 2000 e 2003, esse escritório realizou 93 investigaçons sobre terrorismo internacional e 10683 ligadas às viagens de norte-americanos a Cuba. En conseqüência, puniu os culpados de terrorismo com 9.425, e impujo multas de 8 milhons aos que viajárom a Cuba.

Ao mesmo tempo que aprova essas medidas, W. Bush impede que nosso país adquira vacinas produzidas por empresas norte-americanas como Chiron Corporation, multada recentemente com 168.500 dólares depois que umha das subsidiárias europeias vendesse vacinas para as crianças cubanas. É a maior multa paga neste ano por umha empresa assente nos Estados Unidos.

A apresentaçom feita à imprensa permitiu exemplificar algumhas das cousas que se poderiam realizar se nom existisse o bloqueio.

Entre elas, expujo que com 1 bilhom de dólares anual poderiam ser construídas 100 mil moradias, delas 20 mil na capital; e em cinco anos 2,5 milhons de cubanos, incluídos 500 mil da capital, poderiam mudar-se para novos imóveis. Com 180 milhons de dólares, esta verba poderia permitir que 2,4 milhons de famílias que ainda restam, podam cozinhar com gás.

Salientou, entre outros exemplos, que com 51,8 milhons de dólares adicionais, duplicaria-se a quota de frango distribuída actualmente através da caderneta de racionamento, e com 300 milhons poderiam fazer-se investimentos em novas capacidades de geraçom eléctrica, necessárias para garantir o fornecimento estável de energia e realizar as manutençons necessárias sem interrupçons da electricidade.

«O bloqueio causa perdas a Cuba, segundo dados conservadores, de 1,8 bilhons de dólares a cada ano», acrescentou o ministro.

NOM TENHO ROSTO DE TERRORISTA

O ministro da Cultura, Abel Prieto, explicou que nom existe nengum sector da cultura que nom esteja afectado polo bloqueio, e pujo os exemplos do ensino artístico, o cinema, a indústria do disco e outras.

Informou que, inclusive, com as novas medidas de Bush até cancelárom as viagens de jovens estado-unidenses que realizavam estudos de arte em Cuba.

«Acontece que o presidente norte-americano tem medo da troca de ideias, do diálogo, medida que também afecta o povo de seu país», acrescentou.

O prestigioso músico Ibrahim Ferrer contou aos presentes que os Estados Unidos lhe negárom o visto para viajar a esse país porque é considerado «um perigo para a segurança nacional estado-unidense».

«Vocês acham que eu tenho rosto de terrorista?», dixo ironicamente este artista, várias vezes premiado e muito conhecido noutros países.

O director da Biblioteca Nacional José Martí, Eliades Acosta; a directora do Coro Nacional, Digna Guerra, e o cineasta Rigoberto López, expugérom vários exemplos de medidas arbitrárias que vam desde a nom concessom de vistos a artistas cubanos, o cancelamento de apresentaçons, até a suspensom de congressos onde podam coincidir intelectuais ou cientistas da Ilha e norte-americanos.

Por seu lado, o director do IPK, dr. Pedro Kourí, referiu-se à negativa estado-unidense de vender a Cuba retrovirais para doentes da SIDA, bem como outros meios de diagnóstico para algumhas doenças, o que constitui um tipo de genocídio.

 

Voltar à página principal