PSOE e PP encenam a espanholizaçom oficial da Corunha

3 de Novembro de 2004

Tal como informamos em dias passados, o PP aderiu à encenaçom oficial do que é umha realidade de facto na sociedade galega: a imposiçom por parte dos poderes institucionais e económicos espanhóis e espanholistas vários da sua língua sobre umha sociedade, a galega, carente dos necessários instrumentos sociais de autodefesa ante as contínuas agressons de que é objecto. PP e PSOE apoiárom a oficializaçom do topónimo espanholizado "La Coruña".

Se a legislaçom tem dado um verniz "democrático" nas últimas décadas ao processo de substituiçom lingüística em curso na nossa naçom, os dous partidos hegemónicos espanhóis arrumárom por um dia as farsas, aprovando a espanholizaçom do nome do concelho corunhês. Unicamente o próprio Francisco Vasques, promotor da iniciativa, decidiu acrescentar ao solene acto de imposiçom institucional espanhola um tom de burla e farsa, ao fazer uso do galego contra o que é a sua prática quotidiana. Porém, logo que sentiu a obrigaçom de ordenar autoritariamente o despejo das bancadas de público ante os apupos recebidos, deitou mao imediatamente do espanhol, demonstrando qual é que é a língua actual de autoridade na Galiza institucional.

O PP assistiu ao acto uniformado com t-shirts pintadas com eles, defendendo a moçom do PSOE, mas optando pola abstençom em vista de que nom eram necessários os seus votos para garantir o sucesso. O BNG, por sua vez, ficou em minoria aferrando-se a umha legalidade insuficiente e mentireira que, longe de garantir algum direito à nossa comunidade lingüística, serve de álibi na liquidaçom da mesma.

Só temos de olhar o avanço do espanhol na sociedade galega durante as últimas décadas, e o conseguinte recuo do galego, para verificarmos o grande engano em que o Estado espanhol e os seus agentes conseguírom embarcar-nos com a chamada "Constituiçom democrática" de 78 e o inservível "Estatuto de Autonomia" de 81, com que domesticárom o que fora rebelde movimento nacional-popular galego. Um movimento que hoje se limita à pechincha política na elaboraçom de um novo Estatuto, tam inservível para nós quanto útil para culminar a assimilaçom definitiva da Naçom Galega por parte de Espanha.

O porta-voz do BNG, Henrique Telho, afirmou que a proposta de Vasques ontem aprovada "nom é nem política nem ideológica", mas um fruto da sua teima particular. Na verdade, é umha carga de profundidade política e ideológica contra o nosso direito à existência, que para já conta com o apoio dos dous principais partidos espanhóis. Umha carga que véu bater-nos na cara com toda a insolência e descaramento de quem se vê com forças para humilhar um povo que julga vencido. Nas nossas maos, nos nossos cérebros, na nossa iniciativa livre e, novamente, rebelde, está a possibilidade de mudarmos o rumo à desapariçom como Povo, como Naçom, que o Estado espanhol nos tem marcado.

 

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Os vereadores e vereadoras do PP na Corunha mostrárom a sua adesom à espanholizaçom do concelho com t-shirts do ele