NÓS-UP vinca como PSOE e BNG geram falsas expectativas perante a crise do PP

7 de Outubro de 2004

Após ter guardado silêncio durante a crise que envolveu o PP no último mês, a esquerda independentista representada por NÓS-Unidade Popular difundiu finalmente o seu balanço da situaçom política actual na Galiza. Reproduzimos na íntegra o comunicado da sua Permanente Nacional:

PSOE e BNG geram falsas expectativas perante a crise do PP

Na Galiza, o mês de Setembro estivo praticamente hegemonizado polas diferenças políticas entre os diversos sectores que configuram o PPdG. O desafio lançado por José Luís Baltar, presidente da Deputaçom Provincial de Ourense, a Manuel Fraga Iribarne, gerou entre a oposiçom parlamentar grandes expectativas sobre a imediata crise do governo Fraga, a mais que provável convocatória de eleiçons antecipadas, e em conseqüência as “possibilidades reais” de derrotar eleitoralmente o PPdG.

NÓS-Unidade Popular, nestas semanas, optou por nom emitir nengum posicionamento ao respeito. Figemo-lo conscientemente. Nom é a primeira vez que aguardamos o esclarecimento de certos factos para manifestar a nossa posiçom.

A este respeito queremos tansmitir:

1º- O acontecido ao longo das últimas quatro semanas fai parte da lógica que caracteriza estruturas de dominaçom como a que a direita espanhola tem na Galiza. O PPdG é um conglomerado de interesses económicos e financeiros entre as diversas fracçons da burguesia e das elites que desde a I Restauraçom Borbónica governam este país.

2º- O retiro de Fraga à Comunidade Autónoma Galega serviu para unificar sob umha mesma sigla política as fracçons que vinham impondo a sua dominaçom em diversas áreas geográficas do território nacional. Foi o detonante para superar a divisom interna que tinha provocado anos antes a queda do governo de Fernández Albor e o episódico governo tripartito de González Laje.

3º- O PPdG está unido, com maiores ou menores tensons internas, porque estám em jogo milhares de milhons de euros em negócios, operaçons financeiras, fundos europeus, gestom do orçamento da Comunidade Autónoma, assim como os milhares de postos de trabalho de familiares, parentes e amigos, colocados a dedo na Administraçom. Obviamente, a frágil e sempre instável unidade deste tipo de forças políticas dependerá do maior ou menor cumprimento de umha série de acordos e equilíbrios.

4º- O que sucedeu nas últimas semanas nom responde a diferenças políticas, e menos ainda ideológicas. Os acordos entre Baltar, Cuinha e Fraga estavam sendo pulverizados por outros sectores do PP. Quando Baltar vê perigar o futuro dos fabulosos dividendos que gera a Deputaçom Provincial, perante a passividade dos avisos e protestos emitidos perante o patrom, opta pola via de pressionar com umha “ruptura”, com umha “cisom”, justificando-a na marginalizaçom que padece a “província” de Ourense e na perda do “carácter galeguista” do PPdG.

A pobreza, desindustrializaçom, desertizaçom demográfica e económica, envelhecimento populacional, que fai de Ourense umha das “províncias” com menor PIB do conjunto do Estado, é conseqüência da divisom do trabalho que o capitalismo espanhol aplica na Galiza e derivada da dependência nacional que padece o nosso país por parte do projecto imperialista espanhol. Baltar e a sua estrutura caciquista de dominaçom nom só som corresponsáveis directos pola situaçom de extrema pobreza ao apoiar com os seus votos os orçamentos da Comunidade Autónoma, ou os do Estado durante a etapa do governo “amigo”; som os grandes beneficiários desta situaçom que permite a sobrevivência dum actualizado e eficaz bugalhalismo.

O PPdG é a sucursal do PP na Comunidade Autónoma Galega. O carácter galeguista que Baltar ou Cuinha representariam nom deixa de ser umha mera coarctada “ideológica” na dialéctica de poder e controlo da maquinaria de dominaçom. O caciquismo na Galiza sempre se caracterizou pola sua grande elasticidade, pola capacidade de adaptaçom à estrutura de classes em que age. Cuinha e Baltar som de extracçom rural e, portanto, logicamente galego-falantes. Rajói e Ana Pastor som de extracçom urbana e, portanto, espanhol falantes. Mas nengum deles nom só nom questionam a situaçom de dependência nacional, como som responsáveis directos pola situaçom que padece o povo trabalhador galego.

5º- O PSOE e o BNG tam só pretendem ocupar a qualquer preço o palácio de Rajói e gerir a Junta da Galiza. Carecem de projecto alternativo e transformador ao que hoje representa o PPdG.

O povo trabalhador galego nom pode depositar falsas expectativas, nem ilusons no mil vezes prometido governo alternativo da social-democacia espanhola e o autonomismo galego. Ambas forças carecem de credibilidade. Os governos das grandes cidades que ambas forças gerírom, ou ainda gerem, som um adianto do que suporá que Tourinho e Quintana governem a Junta: mais do mesmo. Os experimentos de Vigo, Ferrol, Lugo, Compostela, com os matizes dos estilos e talantes específicos, já esclarecêrom os limites e o verdadeiro programa do PSOE-BNG: privatizaçons e políticas neoliberais, nepotismo, depotismo, espanholizaçom, recorte das liberdades, controlo social.

6º- O projecto político que representa a esquerda independentista, apoiado na autoorganizaçom operária e popular, nas luitas e mobilizaçom social, é a única alternativa real para mudar a actual estado das cousas. O resto nom é mais que umha repetiçom do existente.

Galiza e o seu povo trabalhador nom superarám a actual situaçom de marginalizaçom, opressom, empobrecimento, precarizaçom, sem mudar o actual quadro jurídico-político do capitalismo espanhol. Os problemas nunca poderám ser solventados sem exercermos o direito de autodeterminaçom, dotando-nos dum Estado independente para construirmos a alternativa socialista à actual barbárie do capitalismo e imperialismo espanhol.

Permanente Nacional de NÓS-UP

Galiza, 6 de Outubro de 2004

 

Voltar à página principal