O Governo do PSOE combaterá o independentismo basco com as Forças Armadas

5 de Novembro de 2004

O Governo espanhol pretende "combater o terrorismo em Espanha como no Afeganistám", para o qual subscreveu umha nova Directiva da Defesa Nacional (DDN) de 1/2004, a proposta da Junta de Chefes do Estado Maior da Defesa, que pola primeira vez aposta por envolver directamente o exército na luita contra a dissidência independentista basca.

O documento foi sintomaticamente assinado a bordo do porta-avions espanhol Príncipe das Astúrias, e apresenta como novidade a identificaçom entre o que denomina "terrorismo exterior" e "terrorismo interior" e o envolvimento das forças militares em labores repressivos nesse campo.

Os efeitos do ataque do 11-M em Madrid estám a fazer-se sentir assim em forma de maior permissividade e aberta aposta belicista na linha das actuaçons dos EUA na mesma matéria a seguir do 11-S. Se até agora vinha sendo tabu misturar luita contra a ETA e intervençom militar, um porta-voz do Ministério da Defesa afirmou que "a filosofia mudou. O Executivo coloca agora o fenómeno terrorista, sem distinçons, no centro do ámbito mais amplo da Defesa e Segurança. O Estado poderá combatê-lo com todos os meios e recursos. E um deles som as suas Forças Armadas".

O próprio Governo afirma que está a superar "complexos herdados da ditadura", e situa a situaçom basca ao nível da afegá, reconhecendo implicitamente a ocupaçom que as forças armadas espanholas realizam em ambos países. Se até há pouco só elementos extremistas como Manuel Fraga, Rodríguez Ibarra ou Francisco Vasques ousavam pedir a intervençom militar directa no País Basco, agora essa passa a ser a nova doutrina oficial, com todo o que tal implica.

Em tom abertamente belicista e reaccionário, o presidente espanhol e o seu ministro da Defesa louvárom as suas Forças Armadas, afirmando o "orgulho" que segundo eles os espanhóis podem sentir das mesmas ante a suposta "brilhante trajectória" e os seus "êxitos nas missons internacionais". José Bono chegou a dirigir-se a Zapatero como "comandante das Forças Armadas espanholas", em clara imitaçom da linguagem utilizada habitualmente polos membros do Governo de ultra direita norte-americano para se referirem a George W. Bush.

"Mais nada e viva Espanha!" fôrom as últimas palavras do presidente espanhol no acto, esquecendo referir que os principais "êxitos" do exército espanhol tenhem vindo historicamente da vitória em guerras contra os povos do Estado após golpes protagonizados polos seu generais.

Por outra parte, o ministro espanhol da Defesa anunciou um novo incremento na percentagem de estrangeiros que serám incorporados às filas do exército, passando de 2% para 7%. A nova medida pom em evidência que os 1.050 iberoamericanos e equato-guineanos actualmente pertencentes às FFAA espanholas nom conseguem compensar a falta de incorporaçons por parte de jovens do Estado espanhol. Todo o qual dá mostras da má imprensa que continuam a manter os corpos militares espanhóis entre importantes sectores da juventude com memória histórica.

 

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Rodríguez Zapatero e José Bono no acto militarista de anteontem, a bordo do porta-avions Príncipe das Astúrias