Ministro brasileiro da Cultura aproveita um concerto em Compostela para fazer apologia do espanholismo

21 de Julho de 2004

De maneira mais que lamentável, o actual ministro brasileiro da Cultura, Gilberto Gil, aproveitou a sua presença na capital galega, contratado pola Junta da Galiza para um concerto dentro do programa do "Jacobeu", para atacar @s defensores do nosso idioma, reivindicando a espanholidade da Galiza.

O cantor e ministro do Governo social-democrata brasileiro optou claramente polo espanhol ao se dirigir ao público galego, ante o qual recebeu requerimentos por parte de alguns sectores para que usasse o português. Gilberto Gil, preparado para tal eventualidade, aproveitou para recriminar o "nacionalismo" d@s galeg@s afirmando com todo o descaramento que "aqui todos nos entendemos, falar português está bem, mas se é por nacionalismo nom está tam bem. Temos que ser mais internacionais". O político brasileiro pujo o ramo à sua penosa actuaçom dizendo que "además estamos en tierras de España!".

O facto atinge umha gravidade simbólica importante, umha vez que o cantor e ministro do Governo presidido por Lula conhece a situaçom lingüística galega. Com efeito, na sua anterior visita de 2002 foi informado através de um escrito remetido pola Assembleia da Língua sobre a identidade lingüística e sobre a precária situaçom do idioma comum nosso país. A isso devemos acrescentar o recente encontro entre ministros e ministras da Cultura de diversos estados em São Paulo, no chamado "Fórum Cultural Mundial", em que foi aprovada a denominada "Carta de São Paulo", que defende retoricamente e com grandes palavras as identidades e a diversidade cultural dos povos do Planeta. Mais um espectáculo "politicamente correcto" do reformismo internacional com participaçom do próprio Governo espanhol, cuja ministra da Cultura assinou também a tal Carta.

Agora tivemos ocasiom de ver em que se concretiza a Carta e a política dita "progressista" de Lula e companhia em relaçom com os povos que, como a Galiza, sofrem a uniformizaçom capitalista e a assimilaçom lingüística e cultural mais descarnada. Se a alguns e algumhas nom nos apanha por surpresa, aqueles sectores do nosso nacionalismo que de maneira acrítica nom isenta de papanatismo tenhem louvado a acçom de governo de Lula (como anos atrás a de Blair, lembremos) sim deverám explicar o que acham deste lamentável espectáculo. Nomeadamente aqueles que mantenhem estreitas relaçons com o PT brasileiro desde há bem anos, como é o caso do BNG. Se ainda lhes resta algumha dignidade, esperamos que reclamem umha rectificaçom do ministro brasileiro que aproveitou a sua presença no nosso país para apoiar o espanholismo, insultando os milhares de galegos e galegas que dia a dia luitamos por garantir o nosso direito à existência.

 

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