NÓS-UP levou às ruas de Vigo a comemoraçom da Galiza Combatente

10 de Outubro de 2004

Por quarto ano consecutivo, a nossa esquerda independentista comemorou com um acto político a data do dia 11 de Outubro como Dia da Galiza Combatente. Se em anos anteriores os actos políticos decorrêrom em Culheredo, Ponte Vedra e Ferrol, Nesta ocasiom Vigo foi a cidade escolhida, concretamente no seu bairro obreiro de Teis. Ali Alberte Moço, em representaçom da Assembleia Comarcal viguesa, e Miguel Gonçales, da Permanente Nacional da mesma organizaçom, falárom ante várias dúzias de independentistas, lembrando a ligaçom da maior cidade da Galiza com as luitas operária e nacional durante o último século. A seguir, reproduzimos o discurso dirigido por Miguel Gonçales, que tomamos do web nacional de NÓS-UP, junto de algumhas imagens da jornada patriótica.

 

Adiante a luita obreira e nacional
PSOE-PP a mesma merda é

Nom é necessário explicar as causas de ter escolhido Vigo para a convocatória do acto político do Dia da Galiza Combatente. Responde à tradiçom luitadora que tem caracterizado destacados sectores da classe obreira e populares da maior cidade do país. A urbe e a comarca onde se concentra umha boa parte do proletariado fabril galego tem escrito algumhas das melhores páginas da resistência popular que lavra a identidade de um povo.

Existem muitos Vigos onde podermos realizar este acto, muitos espaços urbanos, industriais, montes ou caminhos rurais carregados de simbolismo de luita obreira e nacional. Mas o bairro de Teis sintetiza o melhor do Vigo indomável e combativo. Teis, junto com o antigo Concelho de Lavadores, hoje mais um bairro da cidade, destacárom à hora de evitar o triunfo do golpe de estado fascista de 18 de Julho 1936. Depois de que o capitám António Carreró Vergés declarasse o estado de guerra e mais de quinze obreiros mortos ficassem deitados na Porta do Sol, após terem tomado a Casa do Povo em Garcia Barbom, sem meios nem armas, perante a cobarde passividade das autoridades republicanas em maos dos partidos pequeno-burgueses, é organizada a resistência. Militantes obreiros assaltam o quartel da Guarda Civil de Teis pegando armas e levantando barricadas nos Chorons, no Calvário, no Seixo. Foi umha luita desigual, escopetas de caça contra metralhadoras, bombas artesanais de "botes de pimento" contra granadas, pistolas contra morteiros, obreir@s e marinheiros de Candeám, do Cabral, de Beade, de Sárdoma, de Moanha, de Alcabre, de Pereiró, artesaos e labregos de Ponte Areas, de Mós, de Puxeiros, contra unidades regulares do exército apoiadas em grupos paramilitares fascistas.


Nom muito longe de aqui, no antigo Frontom Viguês, depois cinema Niza, na rua Maria Berdiales, foi instalado um campo de concentraçom onde alojárom centenas de detidos e detidas que ao longo do verao de 1936 e meses seguintes fôrom assassinados polo fascismo. Aqui, nesta praça do Toural, acarom das paredes deste mercado, com a impunidade da noite, o terrorismo falangista dos avós políticos e biológicos que hoje governam a Junta da Galiza, passeárom dúzias de militantes das forças operárias, a parte dos melhores filhas e filhos de Vigo.

Aqui, nos faiados de humildes casas obreiras de Luzia Domingues Eiroa, de Virginia Gonçáles Pastoriça, ou da senhora Argentina Fernandes Nunes, estivérom ocultos durante longos meses, até anos, militantes perseguidos polo novo regime. Especial destaque para o José Luís Quintas Figueroa, empregado da CAMPSA, natural da rua da Calçada, que junto a outros miliantes da CNT assaltárom o 6 de Fevereiro de 1936 a sede que a Falange Espanhola tinha à beira da igreja de Santiago de Vigo provocando um morto e vários feridos, e posteriormente um dos principais organizadores da resistência no Calvário. Condenado polo fiscal Conde-Pumpido, apelidos conhecidos?, estivo 23 anos preso no Dueso. Libertado em 1973 morreu três anos depois quando ganhava a vida vendendo livros e seguia incansavelmente organizando a classe obreira.

Estas e muitas outras pessoas anónimas fam parte da melhor tradiçom da Galiza combatente que a esquerda independentista quer resgatar e honrar.
Aqui, muitos anos depois, das factorias de Freire, de Santo Domingo, de Ascón ou de Vulcano, hoje praticamente desmanteladas polo PSOE na reconversom dos oitenta, saírom alguns dos obreiros que dirigírom a greve geral de Setembro do 72. Falar da Galiza Combatente em Vigo é falar daquele 72 que deu lugar ao renascimento do movimento obreiro, à configuraçom do movimento operário galego como sujeito histórico revolucionário. É falar dos obreiros comunistas, de Abelardo Colhaço, morto em combate em 1980, é falar de Urbano Medranho, o único que estivo preso dous anos por defender os interesses da sua classe e luitar contra o fascismo. Hoje, aqui, sem exclusivismos partidários, nem sectarismos ideológicos, NÓS-Unidade Popular quer lembrar e agradecer a todos eles, a todas elas, o seu sacrifício, a sua entrega militante, na defesa dos interesses populares, nos interesses da classe obreira, nos interesses da Galiza.

Mas também aqui, em Vigo, tivo lugar o nascimento da primeira organizaçom independentista da posguerra. O Partido Galego do Proletariado foi concebido no Vigo obreiro de 1976-77 e fundado em Março de 1978. Aqui foi onde a esquerda independentista apresentou a sua primeira candidatura eleitoral com Galiza Ceive nas municipais de 79. Daqui eram muitos dos detidos na redada contra a LAR em Setembro de 1980.

Este é o Vigo de que nós nos reclamamos e sentimos continuadoras/es. O Vigo das três greves gerais de 1984 contra a reconversom industrial do PSOE. O Vigo das dúzias de moços insubmissos que se negárom a participar no exército espanhol na década de

noventa. O Vigo das luitas estudantis contra Vitrasa. O Vigo solidário e internacionalista. O Vigo ecologista contra o cemitério nuclear da fossa atlántica. O Vigo que em Junho acolheu dezenas de milhares de mulheres na maior mobilizaçom feminista da Galiza. O Vigo que defende o seu litoral, o Vigo que se opom a "ronda". O Vigo que ainda acolhe perseguidos e clandestinos como nos anos trinta.


Mas NÓS-UP nom quer fazer do Dia da Galiza Combatente umha simples liçom de história. Nom quer, nom queremos converter o 11 de Outubro, data na que morrêrom @s militantes do EGPGC Lola Castro e José Vilar numha acçom armada contra interesses do narcotráfico, numha simples data nostálgica, num aniversário vazio de conteúdo político.

O Dia da Galiza Combatente é depois do Dia da Pátria a segunda cita anual da esquerda independentista. A convocatória deste ano tem lugar numha conjuntura sócio-política diferente à de 2003. A vitória eleitoral do PSOE de 14 de Março tem gerado umhas expectativas populares que provocárom umha desmobilizaçom social. Algumhas das medidas adoptadas polo governo de Zapatero tenhem reforçado esse carácter "progressista" e mesmo de "esquerdas" do seu governo entre dezenas de milhares de trabalhadoras e trabalhadores. Mas, companheiras e companheiros, amigas e amigos, o MLNG nom se deixa seduzir polas promessas, nem vai adoptar posicionamentos carregados de ingénua ilusom. Estamos perfeitamente conscientes que o PSOE é umha força anti-galega e anti-obreira. Que o PSOE só procura ganhar tempo, desmobilizar, confundir, dividir, para posteriormente anestesiar o movimento popular, e assim poder aplicar com mais garantias de sucesso as medidas centralizadoras e neoliberais que reclama o capitalismo espanhol.

Nunca devemos esquecer que o PSOE de Zapatero nom deixa de ser a cara amável das políticas de Aznar. Embora ainda tenha passado relativamente pouco tempo, já começamos a ver como se vai diluindo a máscara de virtual simpatia, de sorrisos e boas palavras de ZP. A reconversom de IZAR, ou a negativa a reconhecer o direito de autodeterminaçom na anunciada reforma do Estado, definem sem matizes o verdadeiro rosto amável da Espanha que tam só está aplicando outra via para destruir as naçons que oprime e seguir aplicando as permanentes reformas laborais. Que ninguém espere nada deste governo. Tam só a luita organizada obreira e nacional será quem de evitar mais recuos nas condiçons de vida das classes populares, será quem de evitar a destruiçom da Galiza que o imperialismo espanhol leva séculos procurando.

 

A dialéctica de negociar melhores orçamentos para a Comunidade Autónoma, de organizar massivas mobilizaçons em defesa dos nossos estaleiros encabeçadas polos responsáveis da sua destruiçom, de pactos e acordos para construir alternativas ao PP na Galiza, sabemos que nom conduz a mais nada que ao descrédito da política e o enriquecimento das élites e burocracias de todas as forças políticas parlamentares e institucionais, sem nengumha excepçom. O independentismo galego sabe perfeitamente que este nom é o caminho a seguir. Após mais de vinte anos de Autonomia, a situaçom da Galiza e das classes trabalhadoras nom deixa de retroceder. Somos mais pobres, temos mais desemprego, mais trabalho eventual e precário, mais mortes por acidentes laborais que em 1981. A saúde, a educaçom, a vivenda de qualidade, tem-se convertido num luxo. A dramática situaçom do idioma e da cultura já nem pode ser ocultada polas estatísticas oficiais. A emigraçom é um fenómeno presente entre a mocidade galega. O recorte das liberdades, dos direitos, o controlo social, é umha abafante realidade. A ofensiva fascista do imperialismo a escala global é a crua realidade dos nossos dias. Perante este panorama, achamos a resposta do autonomismo e dos diversos reformismos: a capitulaçom e mesmo colaboraçom com os responsáveis da actual situaçom que vive Galiza.

Que ninguém se engane, a actual crise interna da extrema direita na Galiza nom responde a conceiçons antagónicas à hora aplicar políticas mais galeguistas ou mais centralistas. Nom deixou de ser umha peleja de galos entre os interesses das diferentes fracçons que dia a dia roubam e espoliam o povo trabalhador. Fraga, Rajói, Cuinha e Baltar som capos da mesma máfia que discutem pola apropriaçom de um determinado "cargamento", ou pola influência nas estruturas de dominaçom que controlam na Galiza: os aparelhos do Estado autonómicos e municipais.

Mas a alternativa a esta situaçom nom vai vir dumha maioria eleitoral do PSOE de Tourinho e do BNG de Quintana. Poderám derrotar aritmeticamente o PP, mas as suas políticas, companheiras e companheiros, nom defirirám muito da era Fraga. Ou Corina Porro é tam distinta de Castrilho e Peres Tourinho?.

É necesário seguir construindo a verdadeira alternativa do povo trabalhador galego. Esta tem dado um passo adiante no 25 de Julho com a unidade de todas as forças soberanistas e de esquerdas actualmente existentes no país. O caminho unitário iniciado no Dia da Pátria deve ser alargado e aprofundado nos vindouros meses. A campanha contra a Constituiçom Europeia, polo NOM contra a Europa dos Estados, do Capital, o Patriarcado e a Guerra, que será submetida a referendo a inícios do vindouro ano, a elaboraçom de umha única candidatura do independentismo socialista nas eleiçons autonómicas, a reivindicaçom activa do direito de autodeterminaçom, a participaçom nas luitas operárias e populares, é o único caminho a seguir, o único vieiro que poderá recuperar a confiança popular na política. Compete à esquerda independentista, sem exclusons, nem vetos, construir no dia a dia das luitas sociais essa ferramenta política ideologicamente plural, de autodefesa e resistência, que Galiza e a sua classe trabalhadora hoje, mais que nunca, necessitam. Eis os reptos de NÓS-UP para este ano político.


ALEXANDRE, MONCHO, LOLA, JOSÉ: PRESENTES!!

VIVA A GALIZA COMBATENTE!

VIVA GALIZA CEIVE!
VIVA GALIZA SOCILAISTA!
VIVA GALIZA NOM PATRIARCAL!


Vigo, Galiza, 9 de Outubro de 2004

 

 

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