NÓS-Unidade Popular reclama o reconhecimento da unidade lingüística galego-portuguesa por parte da Uniom Europeia

16 de Setembro de 2004

NÓS-UP converte-se na primeira formaçom política galega que contesta razoadamente a proposta pseudo-normalizadora do Governo espanhol em relaçom com a oficializaçom do galego na Uniom Europeia. Apresentamos o texto difundido pola organizaçom unitária da esquerda independentista.

 

NÓS-Unidade Popular ante a proposta do Governo espanhol para a oficializaçom do galego por parte da Uniom Europeia

Ante a proposta do Governo espanhol para a oficializaçom parcial do galego nas instituiçons da Uniom Europeia, NÓS-Unidade Popular quer apresentar ante a sociedade galega as seguintes consideraçons:

1.- A esquerda independentista galega defende o pleno reconhecimento jurídico para todas as línguas hoje relegadas primeiramente no território próprio e, a seguir, em organismos supranacionais, no nosso caso, do continente europeu.

2.- A nossa língua é já oficial na Uniom Europeia e noutros organismos internacionais sob a denominaçom de "português". Deputados galegos de Coalición Galega e do Bloque Nacionalista Galego tenhem já aproveitado essa oficializaçom para fazerem uso do galego no Parlamento europeu, demonstrando que a unidade lingüística galego-portuguesa significa nom só o reconhecimento da identidade entre as variedades lingüísticas faladas a Norte e Sul do rio Minho, mas sobretodo as potencialidades que esse reconhecimento abre ao presente e futuro da nossa ameaçada comunidade lingüística.

3.- Resulta um despropósito incorporarmos o galego ao grupo de línguas minoritárias e ainda carentes de qualquer reconhecimento na Uniom Europeia, quando já pertencemos a um dos espaços lingüísticos que contam com um grau de oficializaçom correspondente às línguas estatais.

4.- Som precisamente as favoráveis circunstáncias que se abrem ao galego, juntamente com a errática estratégia das organizaçons representativas do nacionalismo galego maioritário, que fam com que o Estado espanhol pretenda relegar-nos a um estatuto minoritário e subsidiário da língua oficial em Espanha, vendendo-nos essa pretensom como grande avanço para os nossos direitos lingüísticos. Ao mesmo tempo que aprofunda o isolamento da variante galega a respeito da portuguesa, a iniciativa do PSOE apresenta-se-nos como "normalizadora", tentando ao mesmo tempo vender-nos as "bondades" da Constituiçom europeia em vésperas do próximo referendo.

5.- Perante esta situaçom, e com o intuito de combater qualquer confusionismo no seio do movimento normalizador galego, NÓS-Unidade Popular reclama, sim, a oficializaçom do galego na Uniom Europeia, mas pola via mais favorável para os interesses da comunidade lingüística galega: a do reconhecimento da Galiza como território europeu de fala galego-portuguesa, integrante do espaço lingüístico lusófono.

6.- Frente ao divisionismo lingüícida promovido mais umha vez polas instituiçons espanholas contra a Galiza, que também ensaia novamente nos Países Cataláns, a esquerda independentista galega reivindica a unidade lingüística como valor irrenunciável no caminho da plena recuperaçom dos nossos direitos lingüísticos numha Galiza com o galego-português como única língua oficial. Dizemos sim à oficializaçom do galego, mas através do reconhecimento da sua identidade com a variante portuguesa, já oficializada na Uniom Europeia e noutros muitos organismos internacionais.

7.- Ao mesmo tempo, e sabendo que a Uniom Europeia tal e como é concebida na Constituiçom que querem impor-nos os grandes estados evitará qualquer concessom aos direitos lingüísticos e nacionais das naçons sem Estado como a Galiza, aproveitamos para reafirmar o nosso rechaço frontal ao actual modelo do que eufemisticamente chamam "construçom europeia". Frente a ela, defendemos umha outra Europa, a Europa dos povos, os trabalhadores e as mulheres. Votar NOM no próximo referendo será também defender os direitos lingüísticos dos povos sem reconhecimento na Europa do Capital.

8.- Finalmente, NÓS-Unidade Popular chama as organizaçons defensoras da nossa língua a se posicionarem ante este novo ataque contra a unidade da língua galego-portuguesa. É a altura de que quem di defender na teoria essa unidade, chegando a proclamá-la nos seus programas eleitorais, rejeite esta tentativa com que o Estado espanhol pretende aprofundar a divisom, condenando-nos ao beco sem saída do isolacionismo. É a altura de passar das palavras aos factos num assunto de importáncia estratégica para o nosso debilitado movimento normalizador.

Permanente Nacional de NÓS-Unidade Popular
Galiza, 16 de Setembro de 2004

 

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