A fraude do olimpismo espanhol: Das 19 medalhas que se lhe atribuírom, só em seis participárom atletas dessa nacionalidade

29 de Agosto de 2004

Os meios de comunicaçom insistem estes dias em atribuir à equipa olímpica de Espanha um incremento no quadro de medalhas a respeito das Olimpíadas anteriores, e situam a equipa dita "espanhola" ocuparia o lugar nº 14, com 19 medalhas.

É conhecido que existem tensons no interior das instituiçons desportivas do Estado espanhol ante as contínuas reclamaçons por parte de desportistas e organismos populares das constitucionalmente chamadas "nacionalidades históricas" para poderem apresentar equipas próprias aos eventos desportivos. O Estado espanhol tem sido nisso, como em todo o que pom em risco a "unidade da pátria" consagrada pola sua antidemocrática Constituiçom, inflexível. Daí que, mais umha vez, tenha concorrido em Atenas umha equipa formada nom apenas por desportistas espanhóis, como também galegos, bascos e cataláns.

Como exercício de didáctica política, e para além da opiniom que nos mereçam os Jogos Olímpicos em si e tal como estám concebidos, decidimos aproximar-nos da realidade final do quadro de medalhas apresentadas como "espanholas" para ver se os resultados deitam algumha luz sobre a teimosia espanhola em meter-nos a todos na sua equipa olímpica. Eis aquilo com que deparamos:

Das 19 medalhas atingidas pola equipa olímpica do Estado espanhol, os Países Cataláns som, com grande diferença, a naçom com maior número de medalhistas. Em concreto, Bosma e Herrera (prata em Voleibol de Praia), Sergi Escobar e Carles Torrent (Bronze em Ciclismo em pares mais um outro bronze do próprio Escobar), Gervasio Deferr (ouro em Ginástica Desportiva), Joan Llaneras (prata em Ciclismo), B. Ferrer-Salat (Bronze e prata em Hipismo), José António Escudero (prata em Ciclismo), e finalmente Sandra Azón e Natália Via fôrom prata em Vela. Quer dizer, um ouro, cinco pratas e três bronzes, total, 9 medalhas.

A seguir encontra-se a Galiza. O nosso compatriota David Cal ganhou um ouro e umha prata em canoagem. José António Ermida (galego nascido na Catalunha) foi prata em Mountain Bike.

Euskal Herria, por sua vez, acedeu também a três medalhas. Iker Martínez e Xabi Fernández atingírom um ouro em Vela, Maria Quintanal um bronze em Tiro e Asier Maeztu foi bronze na equipa de Ciclismo em que participavam mais dous cataláns e um espanhol.

Temos ainda que fazer referência à medalha de bronze conseguida também sob as cores de Espanha polo cubano Joao Lino, na especialidade atlética de Salto em Comprimento.

Resta portanto contabilizar como espanholas as quatro medalhas de prata conseguidas por: Conchita Martínez e Virgina Ruano em Ténis, Rafael Trujillo em Vela, a Ignácio Rambla e Rafael Soto em Hipismo, Paquillo Fernández em Marcha (Atletismo), o bronze de Patricia Moreno em Ginástica Artística e o Bronze partilhado por Carlos Castaño com os cataláns e o basco antes citados. E pronto. Total, nengum ouro, quatro pratas e dous bronzes. Seis medalhas ao todo.

Recapitulemos: Países Cataláns, 9 medalhas; Espanha, 6 medalhas; ; Galiza, 3 medalhas; País Basco, 3 medalhas. Por sua vez, Cuba, que no quadro de medalhas oficial contabiliza 21 medalhas, tem na verdade mais umha que deve ser tirada à conta de Espanha, ficando com 22 o pequeno e meritório país das Caraíbas.

E isso, porque estamos contabilizando por separado unicamente os territórios que a própria legislaçom espanhola denomina "Nacionalidades Históricas" e, claro, a ex-"província ultramarina" de Cuba. Porque os andaluzes bem poderiam reclamar como próprias três dessas seis medalhas de Espanha (estám no seu perfeito direito) e entom Espanha ficaria estritamente com 3 medalhas (ganhas por umha tenista de Huesca, umha outra tenista de Madrid, e umha ginasta e um ciclista também madrilen@s).

Isto significa que Espanha, em lugar do lugar 14 que se lhe atribui na tabela classificativa, ocuparia por volta do 50, por baixo dos Países Cataláns, da Galiza (que atingiu a melhor prestaçom de sempre) e do País Basco, dado o valor acrescentado que tenhem as medalhas de ouro, conseguidas por todas as naçons ibéricas salvo a própria Espanha e Portugal, que também ficou com só duas pratas e um bronze.

Umha das tarefas que cabem aos movimentos de libertaçom nacional como o nosso é combater também a enorme parafernália propagandística espanhola que pretende incutir-nos um falso sentimento de inferioridade ante o alegado "potencial" da metrópole. Faltam-nos som os meios e as circunstáncias favoráveis que permitam os nossos povos livrarem-se da secular tutela hispana. Condiçons e capacidade já estamos a demonstrar, mesmo apesar da absoluta carência de políticas institucionais rumadas a estender o desporto de base entre o conjunto da populaçom por parte da Administraçom espanhola na nossa naçom. Na Galiza.


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David Cal, primeira medalha de ouro galega da história, obrigado a participar na equipa olímpica espanhola
Joao Lino, cubano recém chegado ao Estado espanhol e formado como desportista pola Revoluçom Cubana, ajudou a medrar o Estado espanhol no ranking olímpico