Moeche: o lume iluminou a noite Irmandinha

 

23 de Agosto de 2004

Mais um ano, e já vam 25, no passado fim de semana celebrava-se na trasanquesa vila de Moeche o Festival Irmandinho, quiçá o que contém mais carga política de todo o verao galego. Milhares de pessoas assistiam a este histórico festival, que rememora a Revolta Irmandinha organizada na Terra de Trasancos para derrocar o poder feudal dos Andrade há 573 anos.

A festa, de grande qualidade musical, começou com a grande actuaçom dos bascos Oskorri, seguidos polos asturianos Tejedor, com um repertório na sua maioria de peças galegas "asturianizadas" que segundo reconhecêrom os músicos asturianos fôrom recolhidas na "raia ocidental asturiana", em referência às terras galegas do Návia-Eu, o que fijo com que várias duzias de pessoas coreassem "o Návia-Eu é galego". Também recebêrom vários assobios numha copla claramente racista que, em espanhol, di "los gallegos en la mina cuando van a trabajar llevan la barriga llena de patatas sin pelar".

Após a actuaçom de Tejedor, com milhares de pessoas a encher o campo da festa e bandeiras de Pátria a ondear entre o público como é tradicional neste festival, chegou a altura do pregom, a cargo este ano do activista da Plataforma Burla Negra e escritor Séchu Sende. Vestia umha t-shirt que dizia "Eu nunca serei yo", e acendeu o auditório com um combativo discurso assinalando o fascista Manuel Fraga, a quem chamou "o cabaleiro dos suspensórios" de corrupto e nepotista, assim como o Partido Popular, directamente acusado de caciquista, enquanto sectores do público coreavam "Andrade, PP, a mesma merda é", denunciado a precariedade laboral, e reclamando a independência. Rematou a "arenga" com um "Queimemos quem nos quer destruir, Irmandinhas e Irmandinhos; assaltemos os castelos do século XXI, Lume!!".

Centenas de irmandinh@s, muitas delas com bandeiras da Pátria, tomavam o Castelo. "Independência", "Galiza ceive poder popular", "Andrade, PP, a mesma merda é" fôrom as palavras mais repetidas durante o tradicional assalto ao castelo neste concelho da comarca de Trasancos.

Após a toma do castelo, várias duzias de pessoas entoavam o Hino Nacional, momento em que três encapuzad@s saíam dentre a gente e prendiam lume a umha bandeira espanhola, com o cúmplice sorriso d@s concentrad@s. Todo o contrário ao que relata hoje @ redactor/a da "La Voz de Galicia" com umha crónica do festival digna do NO-DO:

La Voz de Galicia 1

La voz de Galicia 2

Contra as manipulaçons propagandísticas e mentiras que podam espalhar determinados meios, há que dizer que as manifestaçons patrióticas e de classe que costumam dar conteúdo a este festival tenhem carácter espontáneo, de acordo com a composiçom de boa parte dos sectores populares que tomam parte na jornada festiva e reivindicativa irmandinha. Nom seria necessário que a organizaçom do evento tentasse promover acçons e reivindicaçons como as que enchem a noite de Moeche, e de facto nom o fai, apesar do qual as instituiçons castigam anualmente o colectivo organizador negando-lhe ajudas públicas a que tenhem direito como qualquer outra entidade popular galega.

A festa acabou com as actuaçons da gaiteira Susana Seivane, que concluiu ondeando a bandeira da Pátria, e dum grupo de folc ferrolano.

Daqui damos os nossos parabéns aos e às organizadoras e desejamos novos êxitos em próximas ediçons de tam popular e tradicional festival do Norte da Galiza.


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Em Moeche ardeu umha bandeira de Espanha de grandes dimensons, entre os aplausos de dúzias de assaltantes ao castelo
Animaçom e reivindicaçom acompanhárom o tradicional assalto irmandinho ao castelo
Mais do que nunca, as bandeiras da Pátria dérom cor às actuaçons musicais irmandinhas