Por que e com quem arrasou Chávez

Agência Argenpress, 16-08-2004

A abstençom, verdadeiro buraco negro do Referendo, terá ficado por volta de 15%. Quer dizer, qualquer cousa como a quarta parte da massa populacional que se recusou a votar nos últimos nove anos. Isto seria, mais ou menos, a confirmaçom do pronóstico que manejárom os melhores estudos internacionais de opiniom e os do governo.

Se se verificar o nível de abstençom indicado, deveremos registrar um poderoso fenómeno político na Venezuela. Quiça a expressom mais profunda do derrame da renda petroleira sobre os sectores mais pobres e esquecidos do País. Três em cada quatro desentendidos da vida política decidírom interessar-se, embora seja através do voto.

A confiança iria para além da própria atraente personalidade de Chávez; significaria que um amplo sector das massas voltou a confiar no sistema político eleitoral. Umha novidade se levarmos em conta as tendências contrárias na América Latina.

Pola profunda opressom que sofre este sector social, costuma ser a base social das tendências mais arriscadas, nomeadamente quando se trata de fazer avançar um processo revolucionário. Se muitos votárom em Chávez, entom a transformaçom da sociedade venezuelana deverá assumir desafios complicados. Radicalizaçons mais profundas.

Estes som os resultados mais sólidos que emergem das tendências e sinais dos Centros de Votaçom. Assim é que se foi manifestando em distintos resultados parciais, procedentes das mais diversas organizaçons e sectores.

Em quase todos os casos, a determinante inquestionável do triunfo foi a energia desbordada polas amplas vanguardas comunitárias e os seus meios informativos mobilizadores.

Elas organizárom e dinamizárom as 117.987 patrulhas eleitorais construídas até dias antes do final da campanha de Santa Inês. Nessas organizaçons de base militárom à roda de um milhom de vizinhos, trabalhadores industriais e dos serviços, estudantes, camponeses, empregados públicos e artistas.

Um sector chave fôrom os mais de 4 milhons de novos inscritos, dentro dos quais mais de um milhom ainda nom saem do seu assombro porque aprendêrom a ler e escrever graças ao governo bolivariano.

As fontes menos fiáveis

Quem dam menos pontos de vantagem a Chávez distanciam-no como triunfador com 10 pontos de diferença, aproximadamente.

O Centro Carter, por exemplo, sobre um mapa de dados próprio, tomados nos centros de votaçom de Caracas e Miranda, desde as 4 da tarde, transmitiu o relatório seguinte: Chávez ganhará com ao menos 60%.

Por sua vez, a Coordenadora opositora contabilizou dados achegados polos seus centros de contagem situados em dous búnkeres das Quintas Monteverde e Unidad. Segundo eles, o chefe nacionalista ganhará com 62%, um algarismo muito próximo do que fijo o Centro Carter.

O valor deste resultado está, em primeiro lugar, em que vem do inimigo, o menos disposto a dizer resultados dolorosos como esse. Mas há outras razons. Eles incluírom relatórios parcelares das suas organizaçons intermédias, dos seus fiscais de Mesa e dos representantes que tenhem no Conselho Nacional Eleitoral.

A fonte empresarial que confiou a esta agência o dado da Coordenadora, sob protecçom do anonimato, assegura que o mau humor se tornou inevitável entre os principais referentes esquálidos a partir das 4 da tarde.

Segundo a mesma pessoa, eles teriam assegurado um triunfo leve ou umha derrota suave. Essa era a fórmula consoladora. Pois nem umha nem outra. A contagem da Coordenadora regista informaçom que começou a ser recolhida às 7 da manhá e se detivo polas 4 da tarde. Seguírom o mesmo critério do Centro Carter: usar umha mostragem de 10 horas de votaçom.

Um perito do Conselho Nacional Eleitoral a quem consultamos, assinalou que nessa hora da tarde já se tinham contabilizador um promédio de 50% do total do recenseamento eleitoral. Quase 14 milhons de eleitores.

O triunfo da Venezuela profunda

É importante frisar que o triunfo chavista assenta em 11 estados. Primeiro, pola sua concentraçom populacional; segundo, pola multiplicaçom da força social ganhada polas vanguardas comunitárias bolivarianas nos últimos doze meses.

Esses estados som Distrito Federal (a Capital), Aragua, Monagas, Miranda, Lara, Guárico, Carabobo, Bolívar, Barinas, Anzoátegui e Portuguesa. Quatro componhem a massa social concentrada no centro do país, com um alto grau de politizaçom. Três som estados situados no oriente do País, com um novo proletariado petroleiro e de outros ramos industriais, mas sobretodo, com um desenvolvimento de cooperativas e agrupaçons comunitárias de luita e organizaçom social poderosas.

Finalmente, estám dous estados da planície, postergada vida cultural, mas onde se tenhem desenvolvidos importantes -e novos- movimentos camponeses. Além do mais, um deles, Barinas, é o berço do presidente, sendo o seu pai dirigente de aquela Governaçom.

Há zonas onde o chavismo de base deu o voto a Chávez sem que tal comprometa algumha simpatia com os governadores chavistas. Esses som Aragua ou Vargas, onde nom som queridos, mas contraditoriamente os movimentos chavistas som muito fortes e organizados.

Houvo cinco estados em que o presidente venezuelano ganhou por escassa diferença: Mérida, Zulia, Falcón, Nueva Esparta e Vargas. Talvez se explique polo peso relativo das classes médias, ou entom polo rechaço aos seus funcionários governamentais, como o caso de Vargas.

O inimigo governa em 7 estados provinciais e no Distrito Capital. Se tomarmos a Capital como amostra, surpreende descobrir que lá onde manda Alfredo Peña, um golpista declarado, o bolivarianismo alargou a sua força eleitoral.

Quanto mais descermos na escala social, mais se alarga a massa de eleitores e mais cresce a simpatia polo líder da revoluçom bolivariana. Um caso espectacular é a zona conhecida como a Cota 905, a Sul de Caracas. Um sector onde votárom umhas 6.000 pessoas. Nos 588 habitantes de classe média, o NOM ganhou por 50% e entre os 6.000 pobres, SIM ficou reduzido a 10% dos votos sufragados. O NOM ganhou com 90%.

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