Línguas e falas

21 de Setembro de 2004

Nas últimas datas, diversas notícias e posicionamentos tenhem saído à tona em relaçom com a proposta do Governo espanhol para a oficializaçom do galego na UE à margem do português. A proposta isolacionista, contestada politicamente por NÓS-UP, viu-se também apoiada pola tentativa do Governo catalám de que o Estado espanhol consagre legislativamente essa separaçom.

Reproduzimos a seguir o artigo publicado hoje mesmo por Maria Xosé Queizán no jornal La Voz de Galicia, em que a escritora coincide com a esquerda independentista ao criticar a tentativa do Governo espanhol de fracturar a unidade lingüística galego-portuguesa. Para além da contradiçom de ela própria redigir o seu artigo numha norma também isolacionista como é a imposta polas autoridades espanholas na Galiza, achamos de interesse o questionamento de fundo da suicida estratégia isolacionista imperante nas diversas instituiçons públicas presentes na nossa naçom. Adaptamos ortograficamente o texto, originariamente escrito com ortografia espanhola, consoante a prática reintegracionista do nosso portal.

Línguas e falas

O discurso actual é o da toleráncia e o respeito polas diversas culturas e opinions. Venho do Forum de Barcelona, onde se plasma o que digo em centos de espectáculos, de exposiçons, de conferências (chamadas Diálogos). Seguindo esta onda integradora, o Governo gere introduzir o galego e o valenciano na UE. Pensam que é politicamente correcto, mas ignoram que é lingüisticamente incorrecto. O valenciano nom é umha língua diferente do catalám, só umha modalidade da mesma. Tampouco o galego é umha língua distinta do português, por muito que a separaçom política durante séculos e a enorme influência do castelhano sobre o galego provocasse distingos, sobretodo no aspecto fonético. A lingüística diferencia perfeitamente a língua da fala. No mundo contam as línguas, nom as falas. Atendendo à fala, o inglês converteria-se em milares de línguas; o castelhano em centos de castelhanos.

Para diferenciar as línguas, tampouco serve como argumento a completa compreensom entre as pessoas que a falam. Umha galega pode nom compreender o discurso rápido dumha lisboeta; eu confesso que passeando polas vilas andaluzas mal entendo nada. De resto, Carvalho Calero, filólogo lúcido, assegurava na sua cátedra na Universidade que o andaluz tinha mais traços diferenciadores com o castelhano do que o galego com o português. Enquanto no castelhano, como no resto das línguas latinas peninsulares, se forma o plural acrescentando um s, em boa parte da Andaluzia forma-se o plural abrindo as vogais finais. No entanto, a ninguém lhe ocorre dizer que o andaluz é umha língua distinta do castelhano e introduzi-lo como tal na Europa. Sucede com o valenciano e o galego por mor dumha política mesquinha, sem altura de miras, própria de fachendosos reisinhos de corte caciquista e de patriotas que tomam a fala como bandeira e querem morrer com ela. Basta já de reivindicaçons trasnoitadas. Galiza tem possibilidades para se situar em pé de igualdade na Europa do século XXI com umha língua das mais faladas e estendidas do mundo.

:: Mais informaçom sobre este mesmo tema

- NÓS-Unidade Popular reclama o reconhecimento da unidade lingüística galego-portuguesa por parte da Uniom Europeia (+...)

 

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