Jornadas de reflexom

5 de Junho de 2004

[Artigo tirado do web eleitoral de NÓS-Unidade Popular]

Apresentamos um artigo de opiniom de Eduardo Sanches Maragoto, candidato número 19 da lista de NÓS-UP às Eleiçons europeias. Nele, o nosso companheiro propom ao movimento normalizador reintegracionista umha reflexom ante as Eleiçons do dia 13 de Junho, partindo das posiçons que as diversas candidaturas mantenhem a respeito da grave situaçom do nosso idioma na actualidade.

Jornadas de reflexom

Na campanha eleitoral em curso, as diferentes forças políticas que se candidatam ao Parlamento europeu, estám a pôr de manifesto, por acçom ou omissom, a posiçom que mantenhem a respeito da focagem que se há de imprimir à normalizaçom lingüística e cultural na Galiza. Do meu ponto de vista, esta posiçom há de ser para nós fundamental no momento de decidirmos qual o nosso voto no próximo dia 13 de Junho.

Mais umha vez, apresenta-se ao reintegracionismo umha oportunidade de estar presente, de dizer que está presente. Nom é, neste caso, umha presença activa nas ruas nem presença numha mesa de negociaçons ou de debate, é apenas mais umha oportunidade de dialogarmos com a sociedade partindo de propostas claras, neste caso as apresentadas polas forças políticas a concorrerem nas eleiçons. É a nossa obrigaçom calcularmos qual é o voto que nos tornará mais visíveis, qual o voto que melhor comunicará à sociedade galega que na Galiza os e as reintegracionistas somos muitos e muitas, cada vez mais, e que se nos deve ter em conta.

A normalizaçom lingüística e cultural é só um dos muitos reptos políticos que se apresentam ao povo galego neste novo século, entendida a política como a acçom dos cidadaos e cidadás quando intervenhem nos assuntos públicos. E por ser só um, dentre os muitos que atende a actividade política, amiúde ouve-se dizer atinadamente entre nós que o reintegracionismo é um movimento social que deve ficar à margem do jogo político, que o facto de se usar umha ortografia diferente nom há de ser, polo nosso bem, motivo de confronto partidário.

É verdade, porque tarde ou cedo, o nosso há de ser o modelo lingüístico de todos e todas as galegas. De facto, o movimento normalizador reintegracionista tem-se destacado por ter rejeitado qualquer tipo de manobras sectárias no seu seio, por ter-se desenvolvido longe do controlo político de que enfermam outras organizaçons de acçom social. Este é, sem dúvida, um digno capital de honestidade com que sempre nos poderemos apresentar orgulhosamente perante a sociedade galega.

Mas sendo verdade que somos um movimento sectorial, também o é que a aparente lateralidade da questom ortográfica, entre o conjunto das batalhas políticas a se travarem hoje em dia na Galiza, nom é tal, porque atrás da grafia que nos identifica, encontra-se o único projecto viável para assegurar o bem-estar da nossa língua e cultura, encontra-se o nosso futuro como povo, como colectivo humano que nom apenas quer sobreviver, mas desenvolver-se próspero e autónomo. E isto é demasiado importante para ser apenas lateral.

Por isso, o facto de o nosso movimento se manter prudentemente afastado do confronto partidário, nom quer dizer que devamos, cada um e umha de nós, dispensar da reflexom e da acçom política para atingirmos os nossos objectivos. Nom quer dizer que devamos renunciar a evidenciar, sempre que pudermos, que esta questom é importante para muitas pessoas na Galiza e mesmo para a próprio povo galego desde que tencione existir culturalmente vivo.

Com certeza há de parecer a muitas pessoas o contrário, mas nom tenciono com este artigo fazer ao movimento normalizador um explícito pedido de voto para umha determinada força política. Pretendo, de outro ponto de vista, chamar a atençom para a necessidade de reflectirmos, em cada momento que tenhamos oportunidade, nesta ocasiom numhas eleiçons, cada pequenino acto que nos permita, que permita ao reintegracionismo, aparecer nos assuntos públicos a tratar.

Reflectirmos, em definitivo, como REINTEGRACIONISTAS. Reflectirmos com a motivadora sensaçom de podermos achegar o nosso pequeno contributo à normalizaçom cultural da Galiza. Reflectirmos, individualmente sim, em segredo sim, nom podia ser de outra maneira num processo eleitoral, mas com a saudável vontade de fazermos parte de um projecto bem mais amplo, e cientes de que este movimento tem algo a dizer, sem mais vergonha do que a que nos produz estamos dirigidos por uns e umhas dirigentes políticas tam complacentes com a situaçom cultural que está a sofrer a Galiza.

Se realmente queremos que no novo século o estado da nossa língua e cultura se resolva favoravelmente, nom devemos ter medo de sermos identificados com um determinado projecto político em cada processo eleitoral. Polo contrário, devemos ter medo de que o programa cultural daquelas forças que se apresentam às eleiçons como nitidamente reintegracionistas seja derrotado, por nom ter avançado na aglutinaçom de mais massa votante. Só assim, agindo em conseqüência e votando em conseqüência, poderemos agradecer com justeza o facto de haver agentes políticos que levam o nosso discurso aonde quer que seja, e só assim poderemos meter pressom com a nossa mensagem àquelas forças políticas que por enquanto nos tenhem ignorado. Só assim poderám algum dia reconsiderar a sua postura

 

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