Rias galegas: espelho do modelo capitalista e espanhol de desenvolvimento

30 de Agosto de 2004

Temo-lo denunciado repetidamente neste portal. A maior parte das rias do nosso país estám reduzidas a lixeiras industriais e esgotos sem qualquer controlo sanitário e ambiental. Meios de comunicaçom espanhóis instalados na nossa naçom publicam agora dados que só venhem confirmar as denúncias de entidades ecologistas, confrarias mariscadoras, vizinhança e da própria esquerda independentista.

A Junta da Galiza reconhece também que só existe um certo saneamento nas rias de Cedeira, Ortigueira, Ares, Betanços, Camarinhas, Corme e Lage, embora algumhas delas já precisem de melhoramentos nas instalaçons. As restantes rias som cada vez mais esterqueiras graças à participaçom activa de grandes firmas industriais, com a anuência das administraçons públicas.

É o caso das rias com maior concentraçom urbana à sua volta, como a da Corunha, a de Vigo e a de Ferrol, todas elas à margem de qualquer controlo legal acorde com as próprias normas europeias em vigor. Nem a da Corunha nem a de Ferrol tenhem depuradora, e a de Vigo tem umha em Lagares que, quando foi construída, incumpria já a normativa da UE. Empresas e particulares deitam directamente à ria todo o tipo de resíduos contaminantes, e os esgotos acham o seu final no seio do que potencialmente som espaços de desenvolvimento económico e ambiental de um valor incalculável.

Quanto à Ria de Ponte Vedra, também sem depurar, a sua situaçom vê-se agravada pola presença de ENCE, já condenada por contaminaçom ilegal mas ainda em plena actividade apesar da massiva oposiçom popular à permanência da papeleira na comarca. A própria Junta da Galiza chegou a reconhecer que ela só contamina como umha cidade de 300.000 habitantes.

Também na Ria de Arousa se produzem derrames incontrolados de produtos tóxicos, com umha depuradora já ultrapassada pola capacidade contaminante da actividade gerada à volta da ria. Só neste Verao, contabilizárom-se dez vertidos incontrolados graves, um deles de um produto corrosivo que chegou a fazer queimaduras nas pernas a umha criança.

Em Baiona e Ogrobe, a depuradora só realiza o chamado "pré-tratamento", enquanto as instalaçons de Ponte Vedra, Poio, Marim, Vila Nova e Cambados precisam de melhoramentos urgentes, tal como as de Ribeira. Em Noia, Viveiro e Foz ainda sem depuradora, as obras estám em execuçom, e em Muros em projecto.

Eis a realidade institucionalmente reconhecida de uns espaços naturais condenados à morte polo modelo de desenvolvimento capitalista, desordenado e com o lucro como único objectivo de uns dirigentes empresariais que acabam por ser quem financiam as campanhas dos partidos governantes.

O passar do tempo só confirma que a política de parches e reformas nom serve para mudar o rumo das cousas. Só um modelo alternativo, socialista e soberanista, que situe o controlo dos nossos recursos em maos da maioria social galega, poderá salvar as nossa rias da imparável deterioraçom a que até hoje as condenou o Estado espanhol.

 

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